Tudo
passa. Que bom, que ruim!
Quando escrevi o texto da semana passada
e coloquei o título, fui indagado
por alguns, via e-mail, sobre o motivo
do nome. Irei responder a isso com outro
questionamento: - Por que sempre temos
que nomear algo? Será que tudo
tem que ter um motivo claro e explícito?
Uma vez uma pessoa qualificou o teatro
que faço como "surrealista" (sim,
bebo muito da fonte de Salvador Dali
e Buñel), outros dizem que é "teatro
do absurdo" (sim, também
bebo muito da fonte de Beckett), já disseram
que sou "contemporâneo".
Bem, quero deixar claro que não
sou nada disso e tudo isso ao mesmo tempo.
Sou teatro do início ao fim e
não sei se faço esse ou
aquele tipo, apenas faço teatro!
E beberia tranqüilamente das fontes
de Stanislawski, Tchecov, etc... O teatro é uma
arte universal, qualificá-lo de
outra forma ou querer nomeá-lo é um
modo de isolar-se e "güetificar" uma
tradição e não acho
isso saudável. Não existe
e nunca existirá certo ou errado
no teatro.
Respondendo agora às indagações
do título: quando participo de
festivais e já estive em muitos
pelo Brasil afora, trocamos sempre informações,
fazemos contato, amizade, enfim, sempre
fica algo a mais do que uma simples apresentação.
Fica a saudade, acima de tudo e a vontade
e o gosto de quero mais. A mostra de
Teatro Contemporaniun foi uma prova disso.
Realizado agora, no mês de julho,
chegou, disse a que veio e se foi, deixando
esse gostinho na boca. "Que ruim
por ter acabado!". Mas que bom,
para colocarmos a vida em ordem novamente
e nos renovarmos.
Que bom também para outras vertentes,
outros ares. Como diz o velho ditado, "Depois
da tempestade, a bonança!" Isso
se pode aplicar a vários momentos
de nossas vidas.
***
Quero agora tocar em um assunto que para
mim será a última vez (espero,
acho e torço para que isso aconteça)
que acontecerá. Há muito
venho brigando (literalmente até),
para que todos que "estão" obsCênicos
tenham seu lugar ao sol. E isso, prezados
leitores, vem gerado alguns conflitos
internos, talvez alguns não entendam
que o que tem sido feito nada mais é do
que a chamada boa intenção.
Mas como diz Lelê Garnier em seu
excelente texto de inCorposições
- 2ª fase: "... de boas intenções
o inferno está cheio". Sendo
assim, aqui vão pela última
vez os elogios – Atenção
atores! Acho que vêm faltando alguns
reconhecimentos reais para alguns artistas
da região: primeiro quero destacar
o enorme esforço e mudança
para melhor de Giselly Martins, que vem
trabalhando com quem lhes escreve há quase
um ano e de lá para cá,
entre percalços, entendimentos,
estudo, etc... vem mostrando que (mesmo
estando com o rosto estampado na telona
quase todos os dias, pois é garota
propaganda de uma instituição
do comércio e, pergunto, que mal
há nisso? Pelo contrário
deveria ser um orgulho para nós
aqui da região, pois ao contrário
do que alguns teimam em encher a boca
para falar e se autodenominar: atores,
professores, diretores, etc. E, para
mi, artista de verdade é quem
ao menos tenta viver ou sobreviver daquilo
que faz (aliás, como em todas
as profissões). Temos muitos filhinhos
de papais por aí que além
de ser bancados pelos ricos papais vivem
se dizendo artistas. Mas não sabem
o que é dormir sentado em rodoviária
durante meses para poder terminar uma
faculdade de Artes Cênicas ou virar
noites ensaiando e, ou, gravando comerciais,
pegar ônibus para voltar para casa,
etc. (sobre)vive da difícil arte.
Se fosse no Rio ou em São Paulo,
Giselly não passaria por esses
preconceitos provincianos.) Tem um grande
futuro nos palcos. Pois seu talento é muito,
mas muito mais brilhoso que seus cabelos
louros.
E do jeito que o povo adora homenagear
quem não interessa, está faltando
uma homenagem digna e verdadeira para
uma atriz que realmente admiro e respeito
e que vem batalhando há tempos
nos palcos e vídeos: Luciene Martes.
A mulher trabalhou com pessoas de renome,
grandes diretores (será que posso
me incluir nessa lista?), fez uma participação
em A grande família, tanto na
TV quanto no cinema, faz teatro, é subdelegada
do Sated, mãe, etc... Palmas para
você!
Nathália Dias Gomes, que sempre
nos abrilhanta com suas interpretações
intuitivas e técnicas. Isso sem
contar outros indivíduos maravilhosos,
outros Léos, Marílias,
Binhos, Flávias, Tonys, Danilos,
Thiagos, Lucas, etc...
Minhas sinceras e derradeiras homenagens.
***
Mais aplausos a Gianfrancesco Guarnieri,
ator, diretor e autor de textos magníficos
como Eles não usam black tie,
que também nos deixou. Um dos
textos que encenei e me ajudou a passar
para a faculdade de Artes Cênicas
da Uni Rio. Viva Guarnieri!
***
Acordem!!!!!!!!!!!!
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