EMPREGO
TEMPORÁRIO
Campanhas eleitorais oportunas
Cabos-eleitorais trabalham oito horas e ganham
R$ 15 por dia
VOLTA
REDONDA - As campanhas eleitorais
deste ano não serão iguais às
que passaram, devido às mudanças
ocorridas na lei de propaganda dos candidatos.
Mesmo assim, as propagandas podem ainda
movimentar o comércio local de várias
formas. Mesmo com algumas restrições
as pessoas contratadas nesta época
para segurar faixas em esquinas da cidade,
principalmente nos sinais de trânsito,
podem incrementar seus ganhos temporários,
que para muitos servem de complemento salarial.
As atividades que em todo ano eleitoral
atraem um grande número de pessoas
são aquelas em que os nomes dos
candidatos devem aparecer bastante. Por
isso, os políticos não medem
esforços para contratar o maior
número de cabos-eleitorais. Para
o pleito do dia 1º de outubro, dezenas
de pessoas já foram contratadas
e podem ser vistas em várias partes
da cidade. Cada cabo-eleitoral trabalha
cerca de oito horas por dia e está recebendo
cerca de R$ 15 diariamente. Segundo a desempregada
Tatiani Borges, 24 anos, o serviço,
mesmo que temporário, chega na hora
certa. De acordo com ela, desempregada
há mais de cinco anos e com uma
filha para sustentar, o jeito foi optar
por segurar faixa de candidato nas esquinas
da cidade. “É um trabalho
cansativo, mas vale a pena quando a gente
necessita. Estou ganhando R$ 15 por dia,
o que já vai me ajudar bastante”,
diz.
Para se manter no emprego temporário até o fim da campanha eleitoral
os cabos eleitorais, além de vontade de trabalhar, têm que contar
com muita disposição, sobretudo se a intenção do
político for reduzir os gastos.
Um ponto desfavorável ao trabalho temporário foi o acordo firmado
entre a Justiça Eleitoral do município e os partidos para não
utilizarem postes e locais públicos para colar cartazes, faixas e galhardetes.
Dessa forma, os candidatos precisam lançar mão de novas estratégias
de campanha para atrair os eleitores. Uma delas é a exibição
de faixas móveis e bonecos gigantes em pontos estratégicos da
cidade. Cabos-eleitorais vestidos com caixas em formato de dados com nome e
número do candidato é outra estratégia que vem dando certo.
OPORTUNIDADE PARA OUTROS
As eleições também beneficiam os setores de papelaria,
com vendas de papel e tecidos, para confecção de bandeiras e
o de locação de imóveis. Segundo alguns proprietários,
nos últimos dias cresceu na cidade a procura de imóvel para alugar
com a finalidade de instalar comitês políticos. Muitos são
de fora e têm o interesse de atrair o eleitor local. De acordo com um
proprietário de três imóveis na cidade, que preferiu não
se identificar, em uma semana apenas recebeu quatro propostas de aluguel, mas
até agora não alugou nenhuma das três salas, localizadas
em bairros centrais. Com o início da campanha eleitoral o valor do aluguel
para comitê tende a subir cada vez mais e para ganhar voto os candidatos
pagam qualquer preço, segundo ele.
ALERTA
Diante das restrições no período de campanhas, gráficas
e fábricas especializadas em serigrafia estão reduzindo as margens
de lucro e até mesmo demitindo profissionais por conta da baixa produção.
Uma empresa do ramo de serigrafia na cidade chegou a demitir 11 pessoas, este
mês. E o problema só não foi maior porque houve encomendas
de uniformes escolares, o que garantiu parte da produção. O setor
amarga queda nas vendas desde o final da Copa do Mundo.
De acordo com a Justiça Eleitoral, o uso de camisas só será permitido
se for com a propaganda institucional do partido, ou seja, somente com a sigla
do partido. Brindes, botons, camisetas, bonés e chaveiros estão
proibidos a partir deste ano. |