Voltar Divulgação / C.F.Santana

MÁFIA DAS AMBULÂNCIAS
‘Difícil comprovar inocência’
Membro da CPMI das Sanguessugas afirma que denúncias são pesadas; Nader e Baltazar se defendem

     BRASÍLIA - O deputado federal e sub-relator dos procedimentos de fraudes e irregularidades da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CMPI) que investiga a Máfia das Ambulâncias, Paulo Rubem Santiago (PT-PE), em entrevista a A VOZ DA CIDADE na tarde de ontem afirmou que o número de deputados envolvidos pode aumentar, pois está sendo investigada também a compra de ônibus para inclusão digital, através da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). “Vamos averiguar se essas transações demonstram novos envolvimentos ou até mesmo acréscimo de acusações entre os 90 deputados já denunciados na CPMI”, afirma.
     Paulo Rubem informou que todos os envolvidos já foram notificados, inclusive os citados terça-feira pela CPMI. Eles terão cinco dias para apresentarem suas defesas. “Esses 90 não têm mais volta. Cada denúncia foi movida por provas pesadas, seja depósito em dinheiro na própria conta ou na de assessores e até familiares”, informa. O deputado esclareceu que pelo que tem estudado sobre os procedimentos da fraude o esquema seria descoberto mais cedo ou mais tarde. “A tecnologia desenvolvida crescia aos poucos. Cada parlamentar chamava outro e isso certamente seria descoberto. Em 2003 me associei ao Biscaia e fizemos um requerimento para criar a Frente Parlamentar de Combate à Corrupção. Parece que estávamos adivinhando”, brinca.
     O deputado Paulo Rubem afirma que não pode falar, por uma questão de ética, sobre como os deputados Paulo Baltazar (PSB) e Carlos Nader (PL) - nome divulgado pela CPMI terça-feira - estariam envolvidos no esquema da Máfia das Ambulâncias. Questionado sobre as declarações de inocência de todos os deputados citados no envolvimento, Paulo Rubem foi categórico: “Minha área não será a análise das defesas, mas vai ser difícil comprovar inocência para os que tiverem depósitos em suas contas ou de assessores”.
     O parecer final do relatório da CPMI sairá ainda antes das eleições. De acordo com Paulo Rubem, as datas da entrega do relatório final estão marcadas para 9 e 15 de agosto. As prefeituras também estão sendo investigadas. O deputado, juntamente com uma equipe, fez o levantamento do envolvimento de administrações públicas e o que pôde ser investigado será enviado para o Ministério Público, já que não cabe à Câmara dos Deputados realizar essa investigação.

     TRANQÜILO, AGUARDANDO PROVAR INOCÊNCIA
     O deputado Carlos Nader (PL) afirma que foi notificado terça-feira pela CPMI e não sabe o motivo da acusação. Ele garante que não tem nada a temer e nunca recebeu dinheiro de ninguém nem participou de qualquer negociação. “Esse bandido confesso (Luiz Antônio Vedoin, sócio da Planam) me faz uma acusação que não tem prova. Abri há algum tempo o meu sigilo fiscal, telefônico e bancário. Foi quando a Maria da Penha me acusou e depois disse que não tinha provas”, conta o deputado.
     Carlos Nader afirma que as acusações não terão provas e informa que já está fazendo sua defesa. “Nunca recebi dinheiro em espécie nem em conta bancária de assessores e familiares. Todos os dias tiro o extrato da minha conta e não tem nada”, argumenta, acrescentando que é o parlamentar do Rio de Janeiro que mais apresentou projetos de lei e que tem máxima presença na câmara. “Estou tranqüilo porque a afirmação é de um réu confesso. Não faço negócios com emendas e não admito que alguém proponha alguma vantagem financeira com isso”, finaliza.

Baltazar aparece em levantamento da CGU

     O nome do deputado federal Paulo Baltazar (PSB) foi citado ontem em um levantamento feito pela Controladoria Geral da União (CGU). O objetivo do levantamento foi conhecer as prefeituras envolvidas no escândalo das Sanguessugas. Foram cruzados os nomes dos parlamentares com os convênios firmados com prefeituras. Com isso foram descobertos os parlamentares cujas emendas beneficiaram a Planam. Cinco foram citados: Paulo Baltazar, Reinildo Leal (PMDB), João Caldas (PL), Nilton Capixaba (PTB) e Cabo Julio (PMDB).
     O levantamento da CGU pôde também identificar nomes de novos deputados e ex-parlamentares que não estão envolvidos na CPMI das Sanguessugas.
     Em nota, o deputado Baltazar se defendeu dizendo que jamais participou de qualquer esquema. Veja a íntegra da nota:
     “ O deputado Baltazar (PSB-RJ) se defende das acusações que vem sofrendo na mídia sobre a gestão de emendas em seu mandato. “Não faço emenda para empresa alguma. Faço emendas para atender a solicitações de entidades e prefeituras e que venham a beneficiar a população. Sou médico e minha principal preocupação é com a saúde. Portanto, minhas emendas são para beneficiar as pessoas. Não tenho responsabilidade alguma sobre licitação de compra ou venda de ambulância. Tenho a consciência tranqüila de que em nenhum momento, jamais, participei de qualquer negociação que viesse a favorecer algum esquema e repilo qualquer suposição disso”, afirma o deputado.