Voltar Douglas Jorge

ELEITORAS
Mulheres são maioria
O mesmo não pode ser dito para o número de candidatas para estas eleições

     BARRA MANSA E VOLTA REDONDA - Dos 125,9 milhões de eleitores deste ano, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral, 64,8 milhões são mulheres e 60,8 milhões, homens. Especialistas afirmam que está nas mãos do sexo feminino o poder de decidir as eleições. Não pelo número de candidatas. É que 14% são mulheres, enquanto 86%, homens. De acordo com as deputadas estaduais Inês Pandeló (que tenta a reeleição) e Cida Diogo (candidata à Câmara Federal), ambas do PT, a participação feminina nas eleições vem crescendo nos últimos anos graças à legislação que exige que os partidos apresentem 30% de candidatas. Na opinião das duas ainda não foi o ideal este ano.
     “ Foi uma reivindicação do movimento feminino há mais de dez anos. Historicamente as mulheres sempre participaram da política por trás da cortina. Com essa lei passamos a averiguar o crescimento das mulheres na política, mas ainda muitas delas têm dificuldades para aceitar, principalmente as que estão à frente de partidos e movimentos, que podem mudar o cenário político”, afirma Cida Diogo.
     Inês Pandeló acredita que tudo isso faz parte da educação e cultura machista da sociedade ao longo dos anos, que veio educando a mulher para trabalho doméstico e o homem, para o público. “Isso tudo está mudando, mas leva tempo para ser transformado. A questão das cotas é um instrumento importante para igualar a participação feminina. Mas não basta isso, tem a questão de recursos e como não existe financiamento de campanha os homens conseguem doações mais facilmente”, declara.
     Na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), cerca de 20% dos parlamentares são mulheres e o mesmo ocorre na Câmara dos Deputados. O fato de o número de eleitoras ser maior do que o de homens não significa, segundo as duas candidatas, que as mulheres se elegerão mais facilmente do que os homens. Cida Diogo tem ouvido de muitos homens que o voto deles neste ano será para mulheres, porque se decepcionaram muito com o lado masculino. O mesmo diz Pandeló. “O importante é trabalhar em busca de ações que favoreçam todos. Com o percentual de mulheres e homens envolvidos nos escândalos acredito que o sexo feminino terá boa representatividade na Alerj e na Câmara Federal no ano que vem”, afirma Pandeló.
     Cida Diogo destaca que sempre teve uma grande simpatia pelo público feminino, mas acredita que muitas mulheres ainda têm preferência em votar em homens, por eles serem mais fortes. “Com a minha candidatura não acontece muito porque as pessoas já conhecem meu trabalho de muitos anos”, argumenta.

     MAIS DADOS
     Do total anunciado pelo TSE, três milhões de eleitores têm menos de 18 anos, 9,6 milhões estão na faixa de 18 a 20 anos e 13 milhões entre 21 e 24 anos. O maior índice é visto na faixa etária entre 25 e 34 anos, com 30,1 milhões. Dois milhões de eleitores têm mais de 79 anos.
     Mais de oito milhões de eleitores são analfabetos e só 21,3 milhões sabem ler e escrever. Com primeiro grau incompleto existem 43,7 milhões e 9,9 milhões têm o Ensino Fundamental completo. Com curso superior são 4,1 milhões de eleitores.