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Construção civil: trabalhadores entram em greve se empresas não avançarem nas propostas

     VOLTA REDONDA - Em estado de greve desde quarta-feira passada, os trabalhadores da construção civil vão conhecer hoje, em assembléia, às 17h45min, na Passagem Superior da CSN, as propostas do sindicato patronal e decidir se as aprovam ou se entram em greve. Antes da assembléia, a direção do sindicato da categoria se reunirá com a representação das empresas na segunda rodada de negociações, já que a reunião anterior, marcada para a última semana, não aconteceu, pois o sindicato patronal não apresentou nenhuma proposta nova, mantendo a de reajuste salarial de 2,79%, com base no INPC (Índice Nacional de Preço ao Consumidor) do período de 1º de julho de 2005 a 30 de junho de 2006.
     No encontro, que será realizado na unidade do Sesi, às 10h30min, o presidente do sindicato dos trabalhadores, Dejair Martins, vai cobrar melhores índices de reajuste salarial, tendo em vista as reivindicações da categoria. Entre elas aumento real de 10%, mais o INPC, fornecimento de cesta básica no valor entre de R$ 50 e R$ 60; 100% de hora-extra nos dias úteis, sábados, domingos e feriados; e fornecimento de um kit escolar nos valores de R$ 75, R$ 110 e R$ 150 para funcionários e dependentes que cursarem Ensino Fundamental, Médio e Superior, respectivamente. “Existem três empresas na região que já estão ajudando os funcionários na compra de material escolar e nós queremos ampliar para todas da região”, ressalta Dejair Martins.
     Os trabalhadores também querem a antecipação de 50% da participação nos lucros três meses após o fechamento do acordo coletivo e o pagamento de outra parcela em fevereiro do ano que vem. Além disso, pedem a fixação de um salário base para o PPR (Plano de Participação nos Resultados).
     De acordo com o presidente do sindicato, além da parte financeira e da participação nos lucros, itens prioritários da pauta, a preocupação do sindicato é defender a manutenção das cláusulas sociais do acordo anterior, uma delas o Plano Médico e Odontológico. Em relação a esse item, é pedida às empresas uma ajuda de custo no valor de R$ 3. “O sindicato arca sozinho com as despesas do plano para os trabalhadores e nós estamos pedindo uma ajuda às empresas. Com boa saúde, o rendimento do trabalhador vai melhorar”, argumenta.
     Dejair Martins não descarta a possibilidade de a categoria deflagrar greve. Segundo ele, caso as empresas não avancem nas propostas de aumento real os trabalhadores farão uma paralisação geral por período indeterminado. “Em reuniões anteriores, o sindicato patronal sinalizou melhorias, mas agora recuou e foi até contratado um negociador para falar em nome das empresas. Isso na nossa avaliação pode atrapalhar muito as negociações. Se elas não avançarem, vamos entrar em greve”, avisa Dejair, lembrando que o aumento real mínimo previsto pela categoria varia entre 4% e 5%.
     O sindicato representa cerca de cinco mil trabalhadores de 280 empresas de pequeno, médio e grande portes da região. A área de abrangência compreende os municípios de Volta Redonda, Barra Mansa, Resende, Itatiaia, Quatis, Porto Real e Rio Claro.