DESEMPREGO
Em busca de emprego
Desempregados estão
deixando a cidade por falta de oportunidade
VOLTA
REDONDA - Dezenas de pessoas, homens
e mulheres, estão deixando o município
por causa do desemprego. Depois de percorrer
todos os cantos da cidade em busca de um
emprego, muitos são obrigados a
abandonar família e casa em busca
de uma oportunidade em outras cidades,
estados e até mesmo no exterior.
Mesmo sabendo que a economia da Cidade
do Aço não gira mais somente
em torno da Companhia Siderúrgica
Nacional, muitos garantem que a vida piorou
depois da privatização da
empresa. Desde então, aumentou o
número de suicídios, de desempregados
e até de processos trabalhistas.
Segundo dados do Ministério do Trabalho,
no primeiro semestre deste ano houve aumento
na taxa de desemprego em Volta Redonda.
Esses números superaram os registrados
no mesmo período do ano passado,
com 1.402 novos empregos. Este ano, o saldo
foi de apenas 162. Ainda de acordo com
o levantamento, o comércio é o
setor com maior volume de demissões,
com 200 pessoas no período de janeiro
a junho. A indústria vem em seguida
com 127 no mesmo período. O setor
da construção civil vem em
terceiro lugar, 61 demissões.
O metalúrgico Antônio Aurélio
dos Santos e Souza, 30 anos, é um
dos que foram obrigados a deixar a família
para tentar a vida em Minas Gerais, na
cidade de Timoteo. Ele nasceu em Volta
Redonda e trabalha desde adolescente, mas
ficou desempregado há mais de dois
anos. Preparando-se para casar no final
do ano, Antônio, no tempo em que
não estava procurando emprego fazia
bicos. Foram dois anos de angústia
e procura. “Passei por vários
locais em busca de uma vaga, mas não
consegui nada. Mesmo sabendo que a vida
longe de casa é sofrida, tive de
encarar mais esse desafio. O que não
posso é continuar desempregado.
Amanhã (hoje) mesmo estou de partida.
Tenho fé e esperança de que
lá conseguirei aquilo que na minha
terra não tive oportunidade”,
declarou.
TENTANDO A SORTE FORA DE CASA
A soldadora tig Fabiana Gonçalves
Oliveira, 25 anos, é outra voltarredondense
obrigada a tentar a sorte fora da cidade
natal. Depois de dois anos desempregada,
há três meses conseguiu emprego
em Angra dos Reis. Enquanto em Volta Redonda
a tentativa de dois anos foi em vão,
na cidade praiana a vaga foi conseguida
em três meses. A lista de quem está deixando
a cidade por causa da falta de oportunidade
no mercado de trabalho não pára.
O técnico de segurança do
trabalho Altair Rodrigues Viana, 44 anos,
também está na lista. Casado
e pai de duas filhas adolescentes, depois
de várias tentativas ele só conseguiu
emprego fora da cidade, em Manaus. Foi
a única oportunidade que encontrou
e que não pode deixar escapar. “Encontrar
emprego aqui está difícil”,
lamenta Altair, ressaltando que falta emprego
na cidade.
Entre os citados, outras dezenas de moradores
estão tendo que tentar a vida até no
exterior. É o caso do comerciante
Vicente Tadeu de Sousa, 40 anos. Depois
de dois anos em busca de emprego, ele conseguiu
trabalho em Portugal. Casado e pai de três
filhos menores, há dois anos e meio,
já com visto, está trabalhando
como ajudante de pedreiro. Ele diz que
pretende levar a família o mais
rápido possível, pois, segundo
ele, em Volta Redonda está difícil. “Não
quero ver meus filhos morrerem de fome”,
diz. Como o comerciante, deixaram a cidade
também nos últimos anos por
causa do desemprego Irene Aparecida Dias,
40 anos, que hoje trabalha na Suíça,
entre outros.
Existem também aqueles que há anos
estão em busca de uma vaga no mercado
de trabalho e que não conseguem
nem dentro nem fora da cidade. É o
caso do ajudante Antônio Carlos de
Souza, 34 anos, e o aposentado Manoel de
Jesus Isaias, 74, moradores do bairro Santo
Agostinho e do Santa Cruz. Ambos se conheceram
num banco de praça quando descansavam,
depois de uma manhã toda correndo
atrás de emprego. Eles estão
há mais de seis meses em busca de
trabalho, estão desanimados e gostariam
de saber onde estão os empregos
que vêm sendo anunciados nos últimos
meses para a cidade. No caso do aposentado,
está em busca de trabalho porque
só o salário do INSS não
dá para sobreviver. “Quero
trabalhar e nem isso consigo”, reclama
o aposentado. Para os jovens também
a situação não está boa.
Que o diga o estudante Ronaldo da Silva
Junior, 16 anos. Desempregado e pai de
uma filha de quase um ano, Junior está correndo
atrás de qualquer trabalho, pois
só conta com o salário mínimo
que a mãe ganha para sustentar ele,
três irmãos menores e agora
a filha.
Quem está à procura de emprego
ou até mesmo da primeira oportunidade,
o balcão de atendimento do Sistema
Nacional de Empregos (Sine) continua sendo
uma das esperanças para os desempregados.
Cerca de 300 pessoas procuram o centro
todo dia. |