Amor de rei

     Bom dia, leitor
     Flagrado no camarim beijando Erasmo, Roberto Carlos admitiu: "Nunca amei a ninguém como amo ao Erasmo".
     A revelação bomba me deixou perplexo.
     - Roberto, fale desse amor, por favor - pedi.
     - Pois não - anuiu ele. - Desde que vi Erasmo sentado à beira do caminho, esqueci que amava loucamente a namoradinha de um amigo meu. Então, parei na contramão, ele entrou no meu calhambeque bi, bi, em ritmo de aventura seguimos pelas curvas de Santos a 300 por hora. Mas deixemos os detalhes de nós dois para amanhã de manhã, quando eu servir o café para nós dois - disse Roberto Carlos.
     - Seu amor por Erasmo é mesmo tão grande assim?
     - Então não é, bicho. Meu amor vai além do horizonte, somos tão unidos como o côncavo e o convexo.
     - Então, Erasmo não é apenas o seu amigo de fé, irmão camarada?
     - Quando Erasmo dorme fora sinto os lençóis vazios, aí, cavalgo por toda a noite para encontrá-lo numa estrada tão florida.
     - Será que o público, os seus fãs, vão entender esse amor?
     - São tantas emoções, bicho. Se um outro cabeludo aparecer na vida de Erasmo sou capaz de morrer.
     - Por gentileza, Roberto, fale de sua carreira, de seus sucessos.
     - Comecei tocando sanfona na feira nordestina. À época, usava apenas meu sobrenome, Raposo, mas fui aconselhado a usar meu nome próprio, que é Roberto Carlos. Comi o pão que o capeta amassou com o rabo ate ser considerado o Rei do Forró.
     - E o Erasmo? Ele faz parceria com você? Sempre o acompanha nos seus shows?
     - Claro que sim. Ele é um cão muito esperto e tem o seu próprio número.
     - O que ele faz?
     - Dança e pula o aro de fogo.