VOTAR CONSCIENTEMENTE

     Nas últimas semanas o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vem incentivando os eleitores brasileiros a fazer uma boa escolha nas eleições. Chega até fazer comparação de eleitor com um patrão. Só que, esse eleitor patrão não tem aquelas mesmas opções que o verdadeiro patrão tem quando é roubado pelo empregado, quando o empregado não cumpre suas tarefas ou, até, quando o empregado é, depois de ser advertido, sempre um irresponsável em serviço. O TSE recomenda votar com consciência para evitar que fatos desagradáveis aconteçam como nos últimos tempos. O mais importante órgão das eleições não oferece qualquer segurança ou estabilidade emocional ao eleitorado quanto aos nomes apresentados à população. Ele, é que seleciona os candidatos nos quais vamos votar. Ele, e seus subordinados nos Estados, os TRE's. Não adianta querer argumentar que a culpa é dos partidos, pois, jamais se viu na história política brasileira alguém ser responsabilizado por ter enviado, através de seu partido, listas com nomes de tremendos picaretas que já foram ou ainda são plenamente conhecidos dos eleitores. O que o TSE fez agora com os parlamentares envolvidos nas CPI's dos Correios, sanguessugas etc etc? Nada. Todos estão fazendo campanhas de grande porte financeiro e, até nomeando para cargos importantes nos governos, como se nada tivesse acontecido.
     A reforma política necessária e esperada perdeu sua eficácia neste momento em face da composição hoje exercida no Congresso Nacional. Com essa gente, claro, não dá. Mas, em quem votar, se todos estão novamente trabalhando suas reeleições com fortunas nas mãos como objeto de troca? Lógico que ainda existem poucos que se salvam, mas, são muito poucos. Por isso, há o temor de que, sem uma mudança urgente no comportamento dessa gente, a crise brasileira não terá fim e, assim, ficarão inviabilizados os futuros governos.

Célio Junger Vidaurre
Advogado e cronista político
celiovidaurre@yahoo.com.br