Vale-transporte

     Considerado uma das grandes conquistas dos trabalhadores brasileiros, o vale-transporte completou duas décadas de existência. No início, a concessão dos benefícios era facultativa, tornando-se obrigatória cerca de dois anos após a sua instituição. Paulatinamente adotado pelas empresas, hoje, o vale-transporte é a principal fonte de financiamento para a operação de transporte urbano no País, sendo responsável por quase 50% do faturamento do setor.
     De natureza muito simples, o vale-transporte, como todos sabemos, garante ao trabalhador o deslocamento ao trabalho e vice-versa. Por lei, é proibido o não fornecimento do benefício, bem como a sua substituição por dinheiro. Ou seja, procura-se desta maneira a preservação da finalidade precípua do VT: garantir a mobilidade do trabalhador de baixa renda, via de regra dependente do transporte público para garantir a sua mobilidade.
     Uma pesquisa da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) mostra que nas grandes capitais cerca de 50% dos usuários de transporte público atravessam as catracas portando vales-transportes em seus bolsos, carteiras e bolsas, o que por si demonstra a força e importância deste beneficio. No entanto, uma outra pesquisa do setor traz um dado desalentador: apenas 20% da população com renda abaixo de três salários mínimos é beneficiada com o vale-transporte. Além disso, 2/3 da população estudada não recebe auxilio para seu deslocamento.
     Os motivos para essa discrepância são os mais cruéis: desemprego, informalidade e desrespeito à lei. Como citei o Vale-Transporte completa 20 anos e sofre sua primeira grande mudança, que é a transação do “mundo do papel” para a bilhetagem eletrônica.

André Martins
Diretor Executivo do Grupo VB