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Na cueca

     Em determinadas circunstâncias, quando a explicação fica impossível, é comum usar-se a expressão “batom na cueca”. A cueca, via de regra, tem tido a sua finalidade bastante deturpada, sem contar o fato de que, uma maioria, menos higienizada, já aboliu o seu uso.
     Há pouco tempo, a cueca voltou às manchetes dos jornais, quando um conhecido político foi flagrado levando milhares de dólares dentro dessa peça de vestuário masculino.
     Agora, a cueca é novamente matéria de primeira página nos jornais regionais, quando a Polícia Militar flagra suspeitos de tráfico transportando 390 gramas de maconha prensada... dentro da cueca.
     A diferença entre os dois flagrantes é que, no primeiro caso, por se tratar de político ligado ao governo, a coisa terminou em pizza e virou até chacota para determinados programas televisivos. No segundo caso, a coisa foi mais séria, com os policiais lotados no DPO do bairro Santa Clara verificando que um dos dois portava objeto estranho em sua cueca.
     Na 90ª DP, a equipe do Dr. Wagner Seixas enquadrou a dupla nos artigos 12 e 14 (tráfico e associação ao tráfico, respectivamente) e os suspeitos, se condenados, verão o sol nascer quadrado por alguns anos.
     No caso dos dólares, em meio aos “delúbios” da vida e aos “zédirceus” do cotidiano, a coisa não passou de uma nuvem de fumaça e ninguém foi punido.
     Louve-se, por isso mesmo, a atuação das nossas polícias, uma prendendo em flagrante, e outra autuando os suspeitos, resguardando, assim, a integridade da sociedade que lhes cabe defender.
     A diferença entre a cuíca e a cueca não é mais aquela conhecida popularmente. A cuíca ronca e a cueca, além de agüentar os roncos, é hoje meio de transporte para suspeitos de tráfico e lavagem de dinheiro.
     E viva a República!