O Libertino

     Chega este ano ao circuito cinematográfico brasileiro um filme lançado em 2004 na Inglaterra. Estamos falando de O Libertino. Um longa-metragem que conta com astros como Johnny Depp, John Malkovich e Samantha Morton. Infelizmente, o talento individual de cada um não consegue transformar esse filme num bom filme. Não posso dizer que o filme é ruim, mas alheio aos vários elogios da crítica especializada, sou obrigado a discordar da genialidade desse longa, apesar de ser um ótimo filme.
     O enredo é interessante: John Wilmot (Johnny Depp), o 2º Conde de Rochester, é um rebelde provocador, boêmio e um gênio literário da restauração inglesa do século XVII. Wilmot é convocado pelo rei Charles II (John Malkovich) a escrever uma peça, com a responsabilidade de que ela precisa ser magistral e que impressione a corte francesa. Entretanto, John escreve uma peça pornográfica que escandaliza a sociedade londrina da época.
     No filme Wilmot se apaixona pela atriz Elizabeth Barry (Samantha Morton) e deseja transformá-la em uma estrela, numa época em que ser atriz também era sinônimo de prostituição. Aliás, a atriz Samantha Morton é uma das melhores em cena. É a única que podemos afirmar que teve boa atuação. Depp e Malkovich parecem estar alheios ao filme e atuam como se fosse apenas mais um filme.
     O longa tem 114 minutos, com direção do estreante Laurence Dunmore e roteiro baseado na peça teatral de Stephen Jeffreys. Realmente, parece o tempo inteiro que estamos assistindo a uma peça teatral. Até porque a história conta um pouco da decadente Londres, em meio à pobreza, doenças e sujeira. Um cenário que serviu de terreno fértil para o renascimento do teatro inglês, incentivado pelo rei Charles II.
     Quem gostou do filme foi o meu irmão, Rafael, que cursa artes cênicas. Afinal de contas o filme parece ter sido feito para quem gosta de teatro. Tem diálogos extensos e complicados que necessitam de atenção e muita concentração. Definitivamente não é um filme pipoca. Vemos ainda várias discussões sobre como fazer teatro e sua função social. Um prato cheio para os estudiosos, afinal de contas a história é baseada na biografia do conde Rochester, responsável por algumas peças escandalosas da segunda metade do século XVII.
     John Malkovich, atuando muito bem, já havia estrelado a peça teatral de Stephen Jeffreys na qual O Libertino é baseado. Vemos também Johnny Depp, no papel principal, com uma atuação que não decepciona, principalmente no meio do filme, quando seu personagem começa a definhar e aos poucos vai perdendo sua saúde com as doenças da época. Aliás, Depp está tão diferente, fisicamente falando, que quase não percebemos que é ele quem está atuando.
     Outra coisa que desagrada muito é a imagem granulada e escura, quase sombria, do longa. Imaginei que fosse uma deficiência de projeção da antiga sala de cinema onde assiti, mas não. Esse efeito foi proposital, pois o longa foi todo filmado com luz natural.
     O saldo é positivo para os mais interessados no assunto, surpreendente para quem não está acostumado com filmes polêmicos e chato para quem vai ao cinema se divertir.