Voltar Cloves Alves

TEMPORAL
Chuva de prejuízos
Prefeituras da região avaliam estragos e ajudam a população com doação de material de construção

     SUL FLUMINENSE - O forte temporal que atingiu a região no último sábado causou sérios prejuízos nas cidades da região. Em menos de meia hora o saldo foi de milhares de casas destelhadas, carros e eletrodomésticos danificados. Apesar dos prejuízos materiais, de acordo com a Defesa Civil dos municípios do Sul do Estado não houve vítimas, mas dezenas de pessoas ficaram desalojadas.
     A cidade mais atingida foi Volta Redonda. Segundo levantamento feito, ontem, pela Força Tarefa da prefeitura do município, cerca dez mil famílias foram prejudicadas pelo temporal de granizo. As áreas mais atingidas foram as que formam o Complexo Vila Brasília, como Mariana Torres, Belo Horizonte, Fazendinha, Vale Verde e Verde Vale. Nesses locais, a chuva destruiu centenas de telhados e deixou várias pessoas sem imóveis. Áreas nobres da cidade também foram afetadas. Vários veículos foram atingidos.
     A dona-de-casa Maria Fânis, 63 anos, residente na Rua K, nº 404, na Vila Brasília, foi uma das que sofreram muitos prejuízos. Vivendo apenas da renda que consegue vendendo latinhas de alumínio, papelão e garrafas pet, ela perdeu quase todo o telhado. As perfurações no telhado de sua casa ficaram com quase cinco centímetros de diâmetro, situação que piorou com a chuva de domingo.
     A moradora da Rua L, nº 424, Selma, diz que quando começou o temporal estava em casa com os três filhos menores e que para salvá-los correu para o banheiro, único local da casa com laje. “Perdi colchões, sofá e outros bens. Agora é trabalhar para consegui outros, mas graças a Deus meus filhos foram todos salvos”, conta, ressaltando que espera agora a ajuda da prefeitura para conseguir novas telhas.
     Nos bairros Fazendinha, Belo Horizonte e Verde Vale a situação também foi assustadora. O mesmo ocorreu em outros bairros, como Aterrado, Conforto, Água Limpa e Jardim Amália. Além das telhas furadas, os moradores tiveram suas antenas danificadas. As ruas ficaram lotadas de folhas e galhos de arvores que se juntaram à lama depois do temporal. Ontem, os garis tiveram grande trabalho para limpar a cidade.
     Prejuízo também no comércio. Um supermercado no Aterrado, na hora do temporal de sábado, teve parte do teto desabado.
     Em Barra Mansa, os moradores das regiões nas margens do Rio Bananal e Paraíba do Sul foram os mais prejudicados. Nesses locais, dezenas de famílias tiveram suas casas parcialmente destelhadas. Segundo plantonistas da Defesa Civil, no sábado o órgão registrou dezenas de ocorrências. Os bairros mais afetados foram Vista Alegre e Vila Maria, que responderam por 80% dos chamados. Em seguida, Saudade, Coringa e Vila Nova, que tiveram cerca de 50% dos imóveis danificados.
     “ Várias casas tiveram os telhados de amianto danificados. Embora o volume de chuva tenha sido grande, não foram registrados pontos de alagamento nem de desmoronamento de terras. Não houve vítimas com a chuva. No domingo também não houve registros”, informa o assistente da Defesa Civil Antônio Marcos.

     CALAMIDADE PÚBLICA
     Em Itatiaia, mais de mil residências foram danificadas. O prefeito Jair Alexandre decretou, na manhã de ontem, estado de calamidade pública no município.
     A Defesa Civil e a Secretaria de Trabalho, Habitação e Assistência Social do município trabalharam intensamente. “Estamos visitando as residências para verificar a real necessidade, relacionar as famílias por prioridade para fazer a doação de materiais”, explica Laura Rezende, secretária de Trabalho Habitação e Assistência Social.
     Os bairros mais prejudicados pelo temporal foram Nova Conquista, Vila Odete, Vila Maia, Vila Esperança e Campo Alegre. No assentamento Nova Conquista, o local mais prejudicado pelo temporal, 90 famílias tiveram suas residências atingidas. Na casa de Francisca Pereira, 43 anos, o pavor levou ela e os filhos a esconder-se embaixo da mesa. “Sentimos muito medo quando as pedras começaram a furar o telhado; peguei as crianças e corri para debaixo da mesa”, conta. “Fiquei ali e meu pai saiu na chuva para ajudar nosso vizinho”, conta o pequeno Sidnei, quatro anos.
     Na noite de sábado, as famílias foram recolhidas para o Colégio Reinaldo Maia Souto, onde permaneceram até a manhã de domingo, quando foram transferidos para a Associação de Moradores do Campo Alegre, onde aguardam a chegada dos materiais que serão doados pela prefeitura para recuperação de suas residências.
     Em Resende, 14 famílias foram cadastradas pela Coordenadoria de Defesa Civil e estão recebendo auxílio da prefeitura. Segundo o coordenador, Nélson Siqueira, há muito tempo não se registrava a ocorrência de chuva de granizo com essa intensidade na cidade. “Mas graças a Deus e aos investimentos que a prefeitura fez nos últimos meses não tivemos problemas de alagamentos na cidade, apesar do grande volume de água que caiu em tão pouco tempo. Após o temporal, nossa equipe percorreu toda a cidade e agora vamos dar apoio a essas famílias carentes que tiveram o telhado de suas casas danificado”, explica Siqueira.
     A aposentada Maria dos Santos Conceição, 55 anos, teve o telhado da casa e da varanda todo quebrado pela chuva de granizo. A situação só não foi pior porque a casa onde mora tem laje. “Nunca tinha visto uma chuva como essa. Graças a Deus que na minha casa tem laje, senão estaria sem um lugar para ficar, já que as telhas são de amianto e ficaram todas furadas”, diz a aposentada que terá que trocar o telhado da varanda.
     Vários motoristas que deixaram seus veículos ao relento tiveram prejuízos. As pedras de granizo danificaram as latarias de carros, que ficaram arranhadas ou amassadas. “Deixei meu carro do lado de fora da garagem durante a chuva e as pedras de gelo acabaram com toda a pintura. Quando corri para colocar o veículo na garagem já não tinha mais o que fazer”, diz o empresário José Luis Souto, que terá que mandar pintar seu Siena.

Previsão: sem chuva e baixas temperaturas na região

     A forte chuva de granizo que atingiu as cidades da região no último sábado está preocupando a população. A dúvida que fica é se ela se repetirá nos próximos dias.
     De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o encontro da frente fria que veio do Sul do país e chegou ao estado no final de semana com a massa de ar quente que estava sobre a região resultou nas fortes chuvas de granizo.
     Meteorologista do Inmet, Almerindo Marinho explica que as chuvas de granizo são mais freqüentes no verão, quando as temperaturas estão elevadas. Segundo ele, ainda que o clima não esteja tão quente, o fenômeno pode ocorrer. “O que se prevê são as pancadas de chuvas, mas se os vapores de água vão se cristalizar nas nuvens e cair sob a forma de granizo é difícil prever. Além disso, a chuva de granizo é um fenômeno isolado, que pode ocorrer apesar de a temperatura estar relativamente baixa. Isso acontece quando a base da nuvem está baixa e ocorre o choque brusco das massas de ar quente e frio”, esclarece o especialista.
     Segundo a previsão do tempo, esta semana não haverá chuva. Até quinta-feira o tempo segue estável, com sol e algumas nuvens. Na sexta-feira e no sábado, sol durante o dia todo sem nuvens no céu e a noite será de tempo aberto, ainda sem nuvens.
     Para a região, a mínima prevista para hoje é de dez graus e máxima de 20. A probabilidade de chuva é de 0%. A meteorologia previu que a noite de ontem seria a mais fria do ano, em função da massa polar que chegou à região.
     Conforme a previsão, no decorrer da semana a frente fria começa a se afastar e as temperaturas tendem a aumentar. Para amanhã, a máxima deve chegar a 24 graus e a mínima, 12.