A NOVA ONDA VERMELHA

     A Bolívia tem sido, através da história, um país martirizado. No período colonial, viu suas riquezas em prata e ouro saqueadas pela Coroa espanhola. A prata era em tão grandes proporções, que Potosi – onde se localizavam as minas – se transformou na maior e mais rica cidade das Américas, entre fins do século XVI e a primeira metade do século XVII.Depois de independente, a partir de 1825, foi alvo da cobiça de seus vizinhos. Na chamada Guerra do Pacífico, entre 1879 e 1881, perdeu para o Chile a província de Atacama, riquíssima em nitrato (salitre) e o porto de Antofagasta, sua única saída para o mar. Em 1903, foi obrigada a ceder para o Brasil, por um preço irrisório, o que é hoje o estado do Acre. Na Guerra do Chaco, de 1932 a 1935, teve que entregar ao Paraguai mais um pedaço do país, com importantes reservas petrolíferas.Em menos de 60 anos, a Bolívia perdeu metade do seu território.
     Por outro lado, a eleição de Evo Morales confirma a tendência da América Latina em favor de governos progressistas ou assumidamente de esquerda, agravando o isolamento político dos EUA, que sempre se consideraram os donos do continente. Esse cordão dissidente vai de Cuba à Argentina, passando pela Venezuela, Brasil e Uruguai, ao qual se junta agora a Bolívia. A vitória de Michelle Bachelet pode, igualmente, representar uma inclinação do Chile para posições mais independentes.

José Maria Rabêlo
Jornalista, anoticiacomoelae@uol.com