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A arte de trair

     A traição é uma prática bem antiga que vem dos primórdios da nossa história. A Bíblia narra a traição maior de que a humanidade tomou conhecimento: Judas vendendo Jesus por 30 moedas.
     A política tem sido o principal manancial de traições e traidores. Barra Mansa convive com uma dessas figuras, que vem criando uma verdadeira escola de trair. O prefeito começou a sua trajetória traindo o funcionalismo público que nele votou em massa, na esperança de ver cumpridas as promessas para a categoria.
     Depois, traiu os vereadores, quando privilegiou as associações de moradores, em detrimento das reivindicações via câmara. Politicamente, traiu o vereador Ademir Melo, principal articulador de sua vitoriosa campanha da reeleição. A promessa de que apoiaria o vereador para deputado estadual foi outra vil traição. Ele preferiu colocar a sua mulher, mesmo sabendo que ela não tem a mínima condição de se eleger, mas pode atrapalhar Ademir Melo na sua caminhada em direção à Alerj.
     Mas, a sua maior e mais famosa traição foi perpetuada contra o ex-governador Garotinho e a atual governadora, quando virou-lhes as costas quando dele precisavam para apoiar o candidato Pudim, a menina dos olhos do casal.
     O prefeito esqueceu-se das vezes em que foi ao Palácio de chapéu na mão, implorar a ajuda governamental. Já vivendo clima de fim de festa, começa a namorar o futuro governo, desprezando quem tanto o ajudou.
     Na região, os prefeitos do PMDB estão solidários ao ex-governador e principal nome do partido em nível estadual. Didacio Penna, de Rio Claro e Silvio de Carvalho, de Resende, são exemplos da dignidade política, do cumprimento da palavra empenhada.
     Fontes palacianas garantem que o ex-governador deu sonoro puxão de orelhas no prefeito de Barra Mansa, que, se diga de passagem, pleno de mérito.
     Trair é uma arte. Mas o prefeito poderia, muito bem, diminuir a velocidade com que comete suas traições.