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Com assinatura

     O editorial, via de regra, sintetiza a opinião da direção do jornal e em alguns casos a opinião de determinada editoria, como polícia, esporte, política etc. Não leva a assinatura do autor, justamente para manter a impessoalidade de quem o escreve, descaracterizando qualquer opinião pessoal. Em suma, o editorial é o pensamento de todo o jornal.
     Hoje, peço vênia aos editorialistas de A VOZ DA CIDADE, um verdadeiro time de “cobras criadas”, para escrever e assinar, mesmo não fazendo parte da selecionada equipe do primeiro diário da região.
     Quero, apenas e simplesmente, dar um testemunho. Tive a honra de, a convite do amigo João Pançardes, escrever o primeiro editorial, na edição que circulou no dia 3 de outubro de 1970.
     O título não poderia ser mais sugestivo: Está lançada a sorte. Falava da coragem de um jovem que acreditava na força do trabalho e, principalmente, no futuro de uma região que, àquela época, já despontava como progressista.
     Depois, fui convidado para associar-me ao empreendimento, o que não aceitei por absoluta certeza de que não teria o mesmo ímpeto para trabalhar, para acompanhar o ritmo alucinante, elétrico de João Pançardes, na sua juventude esfuziante.
     Jovem que se agigantou, não tanto pelas conquistas, inúmeras, mas pelos obstáculos que enfrentou sozinho e solitariamente os venceu.
     Daqui a um mês, exatamente no dia 3 de outubro, o jornal comemorará o seu 37º ano de circulação. Eu assisti ao parto. Um parto com muito sofrimento, muita dificuldade, mas abençoado por Deus.
     A VOZ DA CIDADE deu a Pançardes muitos dos seus cabelos brancos. Mas é uma marca que simboliza a capacidade e, sobretudo, o trabalho de um cidadão que continua simples, humilde na sua grandeza e grande na sua humildade.
     Rendo minhas homenagens à coragem de João Pançardes, criando um jornal em pleno regime de exceção, quando a imprensa estava amordaçada pela censura.
     Muitos colegas, jornalistas da mais alta categoria, como Juarez Modesto e José Lourenço, já falecidos, não escondiam o seu ceticismo ao ousado empreendimento. Certamente, não conheciam a indômita vontade que fremia no peito do fundador de A VOZ DA CIDADE.
     Por tudo isso assino este editorial, certamente contrariando a modéstia do Pançardes, mas o faço como testemunha ocular de uma das mais belas páginas da história do jornalismo no Estado do Rio.

Luiz de Paula Naves
Jornalista