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ESCLARECIMENTOS
Dúvidas sobre a Urbes
Membros e filiado do PT entram com pedido de investigação no MPF sobre situação da entidade

     BARRA MANSA - Os membros do Diretório Municipal do PT Antônio Rogério dos Santos Ávila, Marcelo Fidelis Delfim, o conselheiro fiscal do partido Sebastião Antônio Rodrigues Filho e o filiado Luis Carlos Santiago, o Quequé, procuraram A VOZ DA CIDADE para informar que pediram esclarecimentos ao Ministério Público Federal (MPF), no dia 15 de agosto, sobre a situação da ONG denominada Urbes (Instituto de Políticas Públicas Urbanas), que desenvolve em dez cidades da região o Projeto Brasil Alfabetizando - um programa de alfabetização de jovens e adultos. Inicialmente, de acordo com Marcelo, o pedido de esclarecimentos foi feito à direção municipal do partido, mas como não obtiveram êxito decidiram procurar o MPF.
     Segundo Quequé, tudo começou quando recebeu, no mês de março, um documento informando sobre a existência do programa na região e a liberação de uma verba no valor de R$ 379.162,08 paga no ano passado pelo governo federal à Urbes. A partir daí ele começou a procurar na Internet dados sobre o programa na região e depois de algum tempo achou as informações no site do Ministério da Educação com os locais da realização do curso, os alfabetizadores e o número de alunos. “Dos 50 endereços de Barra Mansa, percorremos 35, entre os meses de abril e maio. Verificamos que desses apenas quatro funcionavam. Por que essa maquiagem?”, questiona Quequé.
     A presença de membros do Partido dos Trabalhadores da cidade na ONG, como o ex-presidente do PT e presidente da Urbes, Willian de Castro Rezende, o Bill, e do vice-presidente do diretório, que aparece como alfabetizador do projeto, Elias Rosa de Souza, fez com que Antônio, Marcelo e Sebastião, que são membros do diretório, procurassem o atual presidente, José Afonso, pedindo esclarecimentos sobre o fato. “Solicitamos uma investigação mais completa sobre o que está acontecendo. Reagimos com espanto quando nos foi dito que se vazasse essa informação o partido tomaria medidas do regimento interno. Isso para nós significa expulsão”, declara Marcelo Fidelis, acrescentando que o único motivo de pedirem uma reunião com o partido foi que gostariam que o diretório esclarecesse os fatos levantados. Marcelo ainda conta que foi pedido também o afastamento de Willian e Elias do partido, já que a executiva afirmou que só trataria do assunto depois das eleições majoritárias.
     “ Por duas vezes o presidente do PT disse que usaria o Regimento Interno do partido caso a informação vazasse. A atitude de preocupação do presidente demonstrou a gravidade dos fatos”, afirma Marcelo, completando que o presidente Lula afirmou nesta semana que denúncias, mesmo que sejam no PT, devem ser apuradas. “Se não existem irregularidades, porque falar de sanções?”, questiona Marcelo.
     Para Luis Carlos Santiago está muito claro o fato de a ONG não pertencer ao PT, mas é fato que existem pessoas do partido que estão dentro dela. Pelo projeto, a Urbes teria essa verba para desenvolver o projeto em dez cidades da região: Volta Redonda, Barra Mansa, Barra do Piraí, Pinheiral, Piraí, Porto Real, Quatis, Rio Claro, Vassouras e Itatiaia. Seriam, de acordo com o projeto, 2.836 alunos.
     De acordo com Quequé, nos 35 locais que pesquisaram em Barra Mansa a maioria dos representantes das escolas garantiu que a iniciativa nunca existiu no local. “Se foi por falta de procura de alunos e alfabetizadores, como afirmou o presidente da Urbes em um jornal diário da região, penso que isso se deu por falta de divulgação. Até onde um cidadão comum pode ir eu fui. Agora quem vai apurar é o Ministério Público Federal”, finaliza.

     NR: A VOZ DA CIDADE está aberto para receber a defesa dos mencionados na matéria, caso estejam interessados.