Ética
Cristã
Prezado(a) leitor(a), tenho algumas
idéias e opiniões, mas
jamais obrigarei você a aceitá-las,
mesmo porque elas não são
totalmente minhas. Eu aprendi a obtê-las,
peço apenas o direito de externá-las,
mas defenderei o seu sagrado direito
de discordar delas.
Mas lutarei para obter o seu respeito
sobre elas. E só vejo uma forma
de obter seu respeito, respeitando também
suas idéias!
Estava conversando com um colega sobre
neoliberalismo, com a globalização
e com a alta tecnologia (que eu não
sou contra) pelo contrário, acho
que precisamos imensamente do avanço
tecnológico, desde que advém
em favor de todos os seres humanos e
não só para uns poucos.
O que sou contra é a desumanidade,
a injustiça e a desigualdade que
esta globalização está trazendo,
tirando o trabalho, o emprego, enfim,
as condições econômicas
e financeiras dos homens e das mulheres,
levando-as à total exclusão
social. Este colega, na intenção
de provar sua tese, ou seja, sua opinião
deu este exemplo:
Antigamente, na Rede Ferroviária
Federal, onde eu trabalhei, se utilizava
14 homens para fazer uma capina em um
dos seus canteiros, hoje com as máquinas
se ocupa apenas um trabalhador.
A Rede Mineira Ferroviária, hoje
privatizada desempregou milhares de trabalhadores
como a Companhia Siderúrgica Nacional
que também desempregou em torno
de 17 a 18 mil trabalhadores. Imediatamente
eu lhe perguntei:
- Você é um cristão?
Aí ele me respondeu:
- Sim, batendo no peito, sou com toda
certeza um cristão! Então
eu lhe disse:
- Diga-me, você como um verdadeiro cristão, gostaria de ser um
dos 13 demitidos? Ele disse:
- Aí você está pegando pesado, Roberto! Respondi-lhe dizendo:
- Não, eu apenas estou tentando te lembrar um dos dez mandamentos... “Amai
teu semelhante como a ti mesmo."
Aliás, a melhor e mais perfeita forma de se dizer alguma coisa, é fazendo!”
Foi quando ele disse:
- Roberto, você só sabe criticar, dê-me uma solução
nesse caso! Aí eu lhe disse.
- Pois bem, nós viemos neste mundo para viver com dignidade e decência.
A máquina tem que estar à disposição do homem e
da mulher, para que os mesmos produzam sem se cansar e suar muito. Divide a
tarefa pelos 14, diminuindo a carga horária do trabalho de cada um.
Logo ele me disse:
- Você e maluco Roberto, que patrão vai fazer tal coisa? Respondi-lhe
- Bem, o problema não está na solução que explanei,
e sim na cabeça dos patrões que você defende!
Se o leitor me permitir, darei outros exemplos. Na década de 80, ao
retorno do meu trabalho na CSN, na companhia do colega Nelivar, passava sempre
em frente à antiga estação central, onde se encontrava
os nordestinos esperando o trem noturno para imigrarem a São Paulo em
busca de sobrevivência. Sempre Nelivar me perguntava:
- Roberto, o que te leva a ficar olhando este povo na sarjeta? Respondi-lhe
- Nelivar, este é o retrato fiel deste país! Se não sou
capaz de indignar-me com tudo isto, que tipo de ser humano é eu?
Numa noite muito fria, numa das famílias, avistei uma senhora tentando
cobrir uma criança com pouca roupa, com um cobertor peleja. Há poucos
metros pedi Nelivar, que me aguardasse, voltando àquela senhora e lhe
disse:
- Sei que vocês não são mendigos, mas a senhora aceita
esse dinheiro para vocês comprarem uns biscoitos principalmente para
esta criança? Meu amigo perguntou-me:
- Porque fez isso, Roberto? Respondi-lhe:
- Você conhece meu filho? Ele tem a mesma idade daquela criança,
tenho certeza que o encontrarei debaixo de um teto, em uma cama e com dois
ou mais cobertores ao seu dispor, se eu não tenho dignidade de sentir
e indignar-me com esta imagem, que ser cristão sou eu?
- Em 2000, fui candidato a vereador em Barra Mansa, onde um cidadão
procurou-me dizendo:
- É o senhor, o candidato Roberto Silva? Ao afirmar que sim, começou
contando que estava desempregado e que precisava de um butijão de gás,
alegando que eu teria oito votos em sua família e teria condições
de arrumar mais votos. Ao término de sua explanação disse-lhe:
- Se você quiser votar no Roberto Silva, outorgando-me com seu sagrado
direito de cumprir com o meu dever de ocupar a tribuna para denunciar que você se
encontra desempregado e sua família está passando necessidades,
eu lhe agradeço. Mas se queres votar em mim porque vou lhe dar um butijão
de gás, um saco de cimento, umas lajotas, enfim uma cesta básica,
eu te aconselho procurar outro candidato, que naturalmente você o encontrará.
Neste instante, ele disse:
- Caramba! Eu nunca vi ninguém dizer deste jeito, agora que eu voto
mesmo em você!
Concluindo, estava apenas tentando exercer a ética cristã!
Mas devo lhe informar, caro leitor, tive apenas 113 votos. Mas valeu a pena,
afinal tive a oportunidade de externar minha idéia e opinião.
Roberto Silva
Coordenador do Meio Ambiente da Associação
de
Canoeiros Defensores da Natureza |