Falso crescimento

     Há exatamente um ano, escrevi alertando para o iminente fracasso da economia do Brasil. Enfatizava o discurso do empresário Paulo Cunha, do grupo Ultra, o Brasil foi o país que mais cresceu no mundo de 1900 a 1973 e, hoje...e o que produziu o crescimento do Brasil e de outros países? Câmbio alto e juro baixo. O oposto do nosso modelo econômico tão defendido pela nossa sapientíssima equipe econômica.
     Havia uma unanimidade na crítica à política econômica do presidente Lula do PT. Todos fora do governo e do PT afirmavam que o país ficaria travado, não cresceria. E, assim, pelo quarto ano consecutivo, estamos esperando o tal "espetáculo do crescimento" do presidente Lula do PT. Uma promessa a mais, uma a menos, quem liga?
     O que anda crescendo são as mentiras dos ministros que tentam nos convencer que nos próximos meses o PIB vai crescer e compensar a queda do último trimestre. Lorota boa foi à desculpa para que o PIB tivesse um crescimento pífio, a Copa do Mundo. Brincadeira! Quatro meio-expedientes derrubaram o crescimento brasileiro.
     O Brasil que já era o lanterninha entre os emergentes, agora vai disputar com os miseráveis da África. Que inveja do espetáculo do crescimento alheio. A China cresceu 11,3%; Venezuela, 9,2%; Cingapura, 8,1%; Israel, 6,2%; Coréia do Sul, 5,3%; Indonésia, 5,2%; México, 4,7% ; Taiwan, 4,6% e Chile, 4,5%.
     Para a nossa tristeza, o crescimento espetacular é o dos impostos. Incrivelmente, a carga dos impostos continua subindo. Pior, não é só em valor absoluto, é em porcentagem do PIB, ou seja, menos consumo, menos emprego, mais pobreza. E o presidente insiste em dizer que não aumentou impostos. Será que esqueceu do COFINS? Acho que sim, ele nunca sabe de nada. De acordo com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, a mudança no PIS/Cofins provocou uma retração de 1,7% do emprego e uma alta de 2,3% nos preços. A reforma foi feita em 2003.

Mario Eugenio Saturno
Professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva mariosaturno@uol.com.br