Um
planeta alérgico
Asma, rinite, os gravíssimos choques
anafiláticos, alergias alimentares, à lã,
ao látex e a várias substâncias,
as provocadas por poeira, ácaros,
fungos e baratas, suas características,
conseqüências, prevenção
e tratamento. A sociedade convive cotidianamente
com esses problemas, que afetam grande
número de habitantes. De acordo
com a Organização Mundial
da Saúde (OMS), as alergias acometem
aproximadamente 30% da população
mundial. Segundo o Ministério da
Saúde, 35% da população
brasileira, ou 66 milhões de pessoas,
têm doenças alérgicas.
Um exemplo é a asma, que atinge
16 milhões de habitantes no Brasil
e é a quinta maior causa de internações
no Sistema Único de Saúde
(SUS). Segundo artigo publicado no site
da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa
no Estado de São Paulo), a doença
atinge de 150 milhões a 300 milhões
de pessoas no mundo e consome parcela importante
dos recursos da saúde. Estima-se
que 15 milhões de portadores percam,
periodicamente, um ano de vida saudável.
Desde 1980, a ocorrência de asma
cresceu 60% nos Estados Unidos, onde o
problema consome US$ 6 bilhões por
ano em assistência médica
e atinge 11% da população.
É
uma proporção semelhante à encontrada
no Brasil. Calcula-se que 11,4% dos brasileiros
tenham asma e um em cada três apresente
alguns sintomas da doença, como
dificuldade de respiração
e “chiado no peito”. Os dados
corroboram informações do ícone “Dicas” do
site da Associação Brasileira
de Alergia e Imunopatologia (Asbai): “No
País, a asma é responsável,
anualmente, por 400 mil internações
hospitalares e dois mil óbitos”,
grande parte ocorrida em razão do
desconhecimento da doença, falta
de programas de prevenção
e dificuldade de acesso aos serviços
médicos especializados.
Diante de estatísticas tão
relevantes, dos problemas acarretados para
a população, dos custos que
o problema representa para o sistema de
saúde, é imprescindível
a prevenção, que pode ser
feita por meio de melhor orientação
da sociedade e de cuidados simples a serem
adotados no dia-a-dia por pessoas alérgicas
e no seu ambiente doméstico e de
convivência. Mais do que nunca, o
conceito de saúde, muito além
de se caracterizar unicamente como a cura
de doenças, deve ser entendido no
contexto de um processo mais amplo e correto,
de prevenção e vida saudável.
Tal enfoque é muito melhor para
a população e o País,
refletindo-se num ganho em termos de qualidade
de vida. Ricardo de Paula
Médico - presidente da Intersaúde |