RESGATANDO
O CONVÊNIO CAFOP-MOBRAL VR
HISTÓRIA DE SUCESSO
Em recente pesquisa de arquivos pessoais
resgatei reportagem sobre o convênio
do Cafop (Centro de Formação
Profissional e Cultural de Barra Mansa)
e Mobral VR (Movimento Brasileiro de
Alfabetização de Volta
Redonda), num trabalho pioneiro de unir
alfabetização do adulto
e sua preparação para atuar
no mercado de trabalho.
Esse trabalho repercutiu internacionalmente,
tanto que uma comissão da Unesco,
em dezembro de 1974, veio a Volta Redonda
conferir e conhecer o modelo do Cafop-Mobral
VR.
Em 1974, portanto há 32 anos,
aconteceram as solenidades de entrega
de certificados, na Faculdade de Engenharia
de Volta Redonda, com a presença
de autoridades e familiares dos formandos.
Os recursos eram advindos do convênio
com o Pipmo (Plano Intensivo de Preparação
de Mão-de-Obra), Ministério
da Educação e Cultura (MEC)
e Ministério do Trabalho (MTP).
Duzentos e oitenta e oito adultos oriundos
(primeira turma) do Mobral VR, sem profissão
específica, receberam seus certificados
de conclusão dos cursos rápidos,
de mão-de-obra especializada,
que vinham ao encontro das necessidades
do mercado de trabalho da região.
Daí, ressalta-se a importância
do convênio entre Mobral VR e o
Cafop, duas entidades com objetivos diferentes,
mas ambas tendo em comum a mesma preocupação
de “integrar o operário,
educando-o tecnicamente”.
O prefeito de Volta Redonda na época
era Nelson Santos Gonçalves e
o presidente do Mobral, Guanair Horts,
que se fizeram presentes. A coordenação
dos cursos estava a cargo do radialista
Gilson de Souza Gama e da professora
Maria do Carmo. Participou também
a Irmã Elizabeth Alves, presidente
do Centro Social São Geraldo.
Os cursos eram compostos de partes teórica
e pratica. Duas horas de aula teórica
e duas horas de pratica nos canteiros
de obras. Os jornais da região,
como A VOZ DA CIDADE e O Líder,
fizeram a cobertura do evento e de cujas
reportagens apresentamos alguns trechos.
Citando o provérbio chinês “Se
deres um peixe a um homem ele se alimentará uma
só vez, mas se o ensinares a pescar
ele se alimentará durante toda
a vida”, o líder sindical
J.A.S. Duque, presidente do Sindicato
dos Químicos e fundador do Cafop,
frisou que a essência da filosofia
oriental transparecia nos objetivos do
Cafop–Mobral, que sem usar do paternalismo
ou politicagem treinavam profissionalmente
o adulto, dando-lhe as condições
mínimas de sobrevivência
na sociedade.
Ao inaugurar a exposição
de trabalhos manuais e profissionais
dos alunos do Mobral VR-CAFOP, o sindicalista
J.A.S. Duque frisou mais uma vez que “o
adulto egresso do Mobral e treinado profissionalmente é uma
força de trabalho que justifica
a afirmativa “Educar o adulto profissionalmente é investir
a curto prazo”. Ao mesmo tempo
em que eram alfabetizados, os alunos
participavam de cursos na área
da formação profissional.
Foi uma importante experiência
unindo a alfabetização
e a profissionalização
de adultos que ressaltou no pioneirismo
da idéia, trazendo a Volta Redonda
uma delegação da Unesco
em dezembro de 1974, formada por representantes
da Abissínia, Guiné, Índia,
Paquistão, Angola, Gana e Moçambique,
acompanhados do representante dos Estados
Unidos, Nathan Forrester. O sindicalista
Duque fez uma exposição
sobre os Centros Profissionais e destacou
sua integração com o Mobral,
lembrando a importância dos cursos
profissionalizantes para a melhoria salarial
e social dos trabalhadores.
A delegação ficou muito
interessada na experiência e o
tipo de convênio, que foi sem dúvida
um marco no Sul Fluminense. O destaque
na promoção desse evento
foi o radialista Gilson Gama.
Primeiro convênio firmado para
a realização dos seguintes
cursos:
Afinador de Motores, Armador de Ferro,
Assentador de Tijolos, Assentador de
Ladrilhos, Bombeiro Hidráulico,
Carpinteiro de Obras, Carpinteiro Forma,
Eletricista Instalador, Eletricista de
auto, Estofador, Lustrador de Verniz,
Marceneiro, Pedreiro de Obras, Pintor
a Pistola, Pintor de Obras, Serralheiro,
soldador Elétrico e Taqueiro.
Total de cursos, 36, total de alunos
aprovados, 714. |