PMBM
Perseguições continuam
Funcionária da prefeitura fica sem
remédio para coração
após de marido fazer campanha para
outro candidato
BARRA
MANSA - A saúde pública
deveria estar acima de qualquer questão,
até mesmo da política. Pelo
menos é o que pensa a funcionária
da Secretaria Municipal de Saúde
Sueli Antunes de Freitas Oliveira, que
trabalha há 20 anos na prefeitura.
Ela sofre de diabete e recentemente sofreu
um enfarte, sendo obrigada a passar por
cateterismo. O resultado é que está há três
meses recebendo um remédio da Secretaria
de Saúde, pois o alto custo (R$
255) não lhe permite comprá-lo.
Ontem, acompanhada do marido, Dimas Francisco
Ferreira de Oliveira, ela foi buscar o
medicamento e qual não foi sua surpresa,
recebeu a notícia de que não
iria receber o remédio porque seu
marido foi visto entregando panfletos do
candidato a deputado estadual Álvaro
Lins (PMDB).
“
O médico me disse que não
posso ficar um dia sem tomar o remédio.
Já estou há três. Esse
Marcelo (responsável pela entrega
de medicamentos) me disse que era para
procurarmos o Álvaro (Lins) para
pedir o remédio”, afirma Sueli.
Seu marido conta que essa foi a primeira
vez que Sueli o acompanhou para a retirada
do medicamento e que devido ao episódio
eles procuraram a Promotoria de Justiça
Eleitoral para fazer a denúncia. “Esse
funcionário disse que a Tânia
(Brasil) não iria gastar dinheiro
com pessoas que não estivessem do
seu lado. Estão usando a política
e misturando com a saúde das pessoas.
O voto é uma escolha de cada um”,
denunciou.
Sueli e Dimas procuraram ontem mesmo a
Promotoria de Justiça Eleitoral
e denunciaram o ocorrido. Hoje, eles procurarão
a Defensoria Pública para informar
que a prefeitura está se negando
a dar o remédio. “Já temos
uma procuração da defensoria
que solicita ao Poder Público a
entrega desse remédio”, diz
Sueli, acrescentando que antes de procurar
a Justiça voltou novamente à Secretaria
de Saúde, a pedido do secretário
de Governo, Lúcio Teixeira, mas
informaram que apenas o irmão do
prefeito, Andersom Brasil, decidiria se
daria o remédio ou não. “Pediram
para voltarmos amanhã (hoje). Não
posso ficar sem remédio. Disseram
que é um medicamento doado e que
precisaria de tempo para conseguir. Mas
sempre que pego deixo a receita para o
mês seguinte”, declara Sueli
Antunes.
AJUDA PARLAMENTAR
Assim que aconteceu o incidente, Sueli
e Dimas procuraram o vereador Francis Bullos
(sem partido), que logo se mobilizou para
ajudar. Francis afirma que o acontecimento
foi muito grave e que ele mesmo aconselhou
a funcionária da prefeitura a procurar
a Justiça. “Ela pode morrer
se não tomar o medicamento e eles
fizeram essa afronta. Quero saber se esse
Marcelo será homem para dizer o
que disse a ela perante o Ministério
Público. Existem dois crimes nesse
caso, um eleitoral e outro de omissão
de socorro à mulher”, disse
indignado o vereador que espera o andamento
da Justiça nesse caso.
Francis, que tem acompanhado as denúncias
feitas através de A VOZ DA CIDADE
sobre perseguições políticas
de trabalhadores da prefeitura que apóiam
outros candidatos sem ser os do governo
municipal, acredita que essa foi a pior
retaliação. “Vingança
pessoal é ruim, agora negar medicamento é uma
ação horrorosa”, finaliza.
NR: Como a denúncia aconteceu no
final da tarde de ontem, a equipe de reportagem
de A VOZ DA CIDADE não pôde
ouvir a posição da prefeitura
sobre o caso. O jornal se dispõe
a ouvir a outra versão se a administração
pública assim desejar.
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