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Sanguessuga às avessas

Quando tanto se fala em sanguessuga, lembramos logo dos deputados envolvidos nas negociatas das ambulâncias. A sociedade está irredutível, cobrando justiça a quem de direito, como forma de recuperar a dignidade que tem andado distante dos nossos políticos.
Mas, não somente os deputados que aferiram lucros com a compra das ambulâncias, oriundas de suas emendas parlamentares, podem ser chamados sanguessugas.
Também os prefeitos que deixam as suas ambulâncias virarem sucata, por absoluta falta de competência para administrar entram no rol dos sanguessugas. Ao deixar a população sem ambulâncias para o atendimento, eles estão sugando o sangue da população. São mais criminosos do que os deputados que, numa jogada de mestre, locupletam-se com o dinheiro público.
Em Barra Mansa, por exemplo, não deve faltar ambulância para atender à saúde, pois o seu prefeito dá-se ao luxo de deixar carros com menos de três anos de uso jogados em terrenos baldios, deteriorando-se com as intempéries.
É um autêntico prefeito sanguessuga. Deixa doentes na fila para atendimento em outro município, alegando falta de viaturas, mas tem o desplante de permitir que outras ambulâncias se tornem verdadeiras sucatas, por negligência no trato com a coisa pública.
O mesmo rigor que se aplica aos deputados que se apoderaram de dinheiro na compra das ambulâncias deveria ser aplicado aos prefeitos que, criminosamente, deixam as viaturas da saúde virar sucatas.
Se o termo sanguessuga é aplicado aos políticos envolvidos em falcatruas na saúde, bem poderia, também, ser adjetivo qualificativo para prefeitos relapsos, incompetentes no relacionamento com o contribuinte na área da saúde pública.