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Nível de emprego na construção civil deve aumentar entre 15% e 20%

     VOLTA REDONDA - A poucas semanas da eleição, o governo federal anunciou um pacote de medidas para baratear o preço dos imóveis. A iniciativa, além de favorecer a população de baixa renda, deverá aquecer o setor da habitação e elevar o número de postos de trabalho na construção civil. Segundo estimativas do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Sul Fluminense (Sinduscon), o nível de emprego no segmento deve crescer entre 15% e 20% nos próximos dois anos, período previsto para que as medidas do governo tomem fôlego e os futuros mutuários se ajustem às mudanças. Hoje, o setor emprega entre quatro mil e seis mil trabalhadores na região. Com a projeção, entre 600 e 700 postos de trabalhos deverão ser gerados no período.
     Na avaliação do presidente do Sinduscon, Mauro Campos, esses números são animadores tendo-se em vista o fraco desempenho do segmento nos últimos anos.
     “ Era um desejo antigo dos empresários do setor e a perspectiva é muito boa para 2007 e 2008. Em termos habitacionais, acredito que vá se aquecer pela geração de novos negócios e empregos. Todos os setores sairão ganhando”, opina o presidente do sindicato, referindo-se a possíveis aumentos da arrecadação por parte do governo, com novos impostos, crescimento das vendas de materiais de construção civil e unidades habitacionais devido à oferta de linhas de financiamento.
     Contudo, Mauro Campos alerta que apesar de as expectativas serem positivas com a flexibilização no setor de habitação, há um problema que poderá prejudicar o setor: o baixo salário do trabalhador.
     “ Ainda que haja crescimento na produção, há pouca demanda, porque o salário do trabalhador continua o mesmo, por isso é necessário que haja políticas públicas também voltadas para a melhoria do poder aquisitivo da população”, ressalta.
     Uma das novidades do pacote de habitação lançado pelo governo é a possibilidade de que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) financie empresas para que elas construam imóveis para seus funcionários. “Com isso, o risco do negócio será do empresário, mas com o incentivo de bancos públicos e privados há uma maior segurança ao setor”, comenta. Mauro Campos.
     Outra medida é a fixação da TR (Taxa Referencial). No pacote, o governo permitirá apenas que os bancos que desejarem deixar de indexar seus empréstimos a essa taxa possam fazer isso utilizando recursos da caderneta de poupança para oferecer o crédito.
     O pacote também prevê a liberação de verbas a construtoras para financiar a comercialização dos imóveis. O dinheiro virá da Caixa Econômica Federal. A taxa de juros para empreendimentos com unidades residenciais de valor até R$ 130 mil será de TR mais 9,56% ao ano. Para empreendimentos de unidades residenciais cujo valor estiver na faixa entre R$ 130 mil e R$ 350 mil será de TR mais 11,38% ao ano.