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Plena demagogia

     As últimas declarações do prefeito Gotardo, de Volta Redonda, relacionadas com o funcionalismo, dão bem a dimensão da sua demagogia, justamente nos dias que precedem as eleições.
     Durante anos, o funcionalismo sentiu na carne o descaso dos administradores, vilipendiados em seus direitos e em suas conquistas. O governo atual vinha negando qualquer negociação com a categoria que, por mais de uma vez, acenou para uma paralisação total, somente não consumada pelo bom senso dos próprios prejudicados, que colocaram os interesses do município acima da sua própria desgraça.
     Certamente, no afã de atrair a simpatia do funcionalismo, com proveitos políticos para os candidatos apoiados pelo governo municipal, o prefeito mostra-se magnânimo e anuncia medidas que, a rigor, se apresentam como politiqueiras plenas de demagogia.
     O aumento de 12% que faz veicular nos jornais “creditados” pela administração não passa de um engodo. Trata-se, na verdade, de uma rubrica no Orçamento que poderá ser destinada a um possível aumento salarial para a categoria. Se o orçamento já estava pronto desde julho e encaminhado à câmara, por que somente agora o prefeito menciona o percentual?
     Certamente, para esvaziar a lei, aprovada em momento oportuno pela câmara, concedendo aumento de 16,6% para o funcionalismo, assinada pelos vereadores Dr. Francisco Chaves (PSC) e Walmir Vitor (PT), justamente dois candidatos a deputado estadual que não recebem o apoio governamental e as bênçãos do cacique maior, ex-prefeito Neto.
     O afoito prefeito não pára no aumento. Anuncia o lançamento do plano Morar VR com a construção de 1,2 mil casas para os funcionários municipais.
     É de se estranhar tanta generosidade, justamente a dois dias da eleição, na qual o prefeito está empenhado, com o seu grupo, na eleição de seus apadrinhados.
     O funcionalismo sofrido, desprezado, abandonado pelo governo municipal, estará, com certeza, com as barbas de molho e não cairá no engodo de tantas promessas em véspera de eleição.