Às
escondidas
Aprende-se desde cedo que tudo o que se
faz às escondidas merece apuração.
Por mais simples que seja o fato, ao mantê-lo
escondido já ficam indícios
de irregularidade.
No recente episódio envolvendo a
sede do Voltaço, situada em terreno
com mais de 770 metros quadrados, que,
por muito pouco não foi levada a
leilão, o ex-presidente Antonio
Neto está devendo uma explicação
bem clara aos torcedores.
O leilão por determinação
do juiz federal Marcos Lívio Gomes
serviria para pagar dívida do clube
com o Banco Central, em torno de 300 mil
dólares, ainda motivada pela venda
do jogador Darcy ao Belenenses, de Portugal.
O clube não comunicou ao Banco Central
a venda do jogador e foi, por isso mesmo,
multado pelo órgão.
O leilão já tinha data marcada – 3
de outubro – e foi mantido em segredo
para não prejudicar a campanha política
de Deley, apoiado por Neto, que tem a sua
base justamente entre os torcedores do
Voltaço.
Agravo de Instrumento apresentado pelos
advogados do clube adiou o leilão,
o que não significa que o clube
não será penalizado com o
recolhimento da multa. Com a suspeita de
evasão de divisas a denúncia
foi parar no Ministério Público
Federal.
A coisa ainda não foi devidamente
esclarecida pela antiga diretoria do clube,
presidida por Neto. Não basta a
defesa judicial, é preciso que o
torcedor conheça realmente o que
motivou a multa, quais foram as providências
que o clube adotou durante todo o processo
para preservar os seus interesses e o que
ainda poderá ser feito para evitar
futuros prejuízos.
A multa não foi arbitrada ao acaso.
Houve um fato gerador e é esse fato
que a diretoria precisa esclarecer. Muito
mais importante do que esconder o fato,
apenas para beneficiar candidaturas. |