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Sesc Blues Jazz
Um evento inesquecível
Na programação, nomes como Vitor Biglione, Marcel Power e Big Joe Manfra

     CAROL MACEDO
     BARRA MANSA - Música de qualidade aliada a um público animado e empolgado. Esse foi o resultado da quinta edição do Sesc Blues Jazz, que acontece anualmente. Mesclar nomes da região com músicos de renome nacional e internacional não prejudicou o evento nem mesmo a qualidade da música que foi muito próxima. A abertura aconteceu na última quinta-feira, com apresentação da banda Zero Ora, que apresentou composições próprias no estilo do velho blues. Depois, o evento ficou por conta de Vitor Biglione e Marcel Powel, no show intitulado O encontro do aço e do nylon entre duas gerações do violão brasileiro”.
     Os violões dos dois grandes músicos pareciam se reproduzir em outros dez, levando o público a pensar se aquilo era realmente possível aos seres humanos. Vitor e Marcel, filho de Baden Powel, estão juntos nesse show instrumental há um ano e a parceria deu certo. Questionado sobre o que acha de eventos como esse, Vitor Biglione afirma que arquitetonicamente o Sesc de Barra Mansa é um dos mais bonitos e aconchegantes do País. Ele, que já esteve fazendo shows na cidade por duas vezes, acredita que o papel do Sesc é fundamental para preservação da história da boa música. “Tem sido bastante salvador e preservador. A memória das pessoas é absolutamente curta. Temos que preservar isso”, afirma. Para Marcel Power, tanto a música brasileira instrumental como a boa música de qualidade precisam de mais espaços. “Precisava existir mais lugares como o Sesc. O governo federal precisa investir nisso”, declara.
     Na sexta-feira, a abertura do Sesc Blues Jazz ficou por conta de Bernard Fines e Júlio Bittencourt Jazz Trio, com o show Encontro do Jazz e da Música Francesa. Eles levaram o público ao delírio pela apresentação de uma boa música feita por ótimos profissionais. O show principal ficou por conta de Big Joe Manfra, um dos principais artista de blues do País, acompanhado por uma grande banda. Após tocar músicas que fazem parte de seus dois CDs, Big Joe contou que fez uma promessa ao se tornar músico, de sempre tocar uma música de Jimmy Hendrix em seu show. Não é preciso falar que isso causou um furor na platéia. Manfra também falou da dificuldade em fazer blues no Brasil. Ao final, depois dos pedidos de bis Manfra voltou ao palco e, seguindo o conselho de um fã na platéia, “botou para quebrar”. Resultado: arrebentou duas cordas.

     SÁBADO DE ALEGRIA
     No sábado, Rock Blues Trio, formado por Bento (baixo e voz), Rogério (bateria) e Carlos André (guitarra) fez uma coletânea do melhor do blues de todos os tempos. No repertório, clássicos de Robert Jonhson, Eric Clapton, Gary Moore, Jonhy Lang e Jimmy Hendrix, entre outros grandes mestres.
     A banda de São Paulo Prado Blues Band, com quatro anos de existência e três CDs gravados, levou o público ao delírio ao apresentar o estilo West Coast Blues, que mistura blues tradicional com o ritmo dos anos 50. O estilo dos músicos, que acompanha os trajes e instrumentos da época, e a qualidade musical fizeram com que pela primeira vez nesta edição o público se levantasse durante o show para aplaudir uma banda.
     Com toda dificuldade de fazer blues no Brasil, o vocalista Igor Prado afirmou que isso dá mais vontade de mostrar o estilo diferenciado para o público. “Não desestimula. Pelo contrário, dá mais ânimo. E não estamos falando só da dificuldade de fazer blues, mas sim de outros estilos, como jazz, música instrumental, chorinho, samba, que muitas vezes têm nível internacional e os músicos encontram poucos lugares para tocar”, ressalta o vocalista.
     O gaitista Ivan Márcio conquistou o público com seu carisma e grande potencial, situação aliás vista em toda banda. Ivan levou o público ao delírio ao descer do palco e percorrer o teatro do Sesc tocando gaita. Sobre essa animação o gaitista afirma que faz isso para mostrar o verdadeiro significado do blues. “As pessoas falam que é música parada, triste e essa banda já vem quebrando esse tipo de conceito, por isso agitamos mesmo”, brinca.
     No domingo, o Sesc Blues Jazz foi fechado com chave de ouro por Marcos Ariel. O pianista, flautista e compositor tem 20 anos de carreira e 19 trabalhos fonográficos. Ele apresentou o show Jazz Brasil.
     Os amantes de blues, jazz e música instrumental aguardam até o próximo ano pelo evento.