PARTIDOS
POLÍTICOS
Há muitas décadas existe uma
discussão ferrenha contra a existência
de tantos partidos políticos no Brasil.
Na época da ditadura, os generais,
os brigadeiros e os almirantes, que já haviam
editado inúmeros atos institucionais
resolveram dissolver os partidos então
existentes – e olha que só havia
13 partidos – sob a alegação
de que eram partidos em demasia. E tome Ato
Institucional para dissolvê-los. Criaram,
então, apenas dois: Arena (Aliança
Renovadora Nacional) e MDB (Movimento Democrático
Brasileiro). Tudo parecia resolvido. Os Atos
Institucionais podiam fazer e desfazer, da
noite para o dia e do dia para a noite.
Parece mentira, mas passado o medo das bruxas,
que andavam soltas, ainda no período
da ditadura, os militares, que mandavam e
desmandavam no Brasil, “a torto e a
direito”, cederam aos políticos
da época e permitiram a criação
de uma figura inusitada chamada de sublegenda.
Em um passe de mágica os partidos,
que eram dois, se transformaram em seis. É que
cada partido político, que era uma
legenda, podia criar duas sublegendas, cada
um. Naqueles tempos sombrios, os políticos
brasileiros argumentavam que havia necessidade
de acomodarem-se diversas correntes na mesma
sigla partidária. Os grupos ideológicos
não se compunham na legenda e as sub,
logo inventadas, poderiam acomodar todas
as correntes na mesma sigla. Quer na Arena,
quer no MDB, ou seja: cada corrente ideológica,
ocuparia uma das sublegendas e tudo se resolveria.
Com o fim da ditadura, o país passou
a viver um clima de democracia, de liberdade.
Voltaram as eleições livres
e diretas, que haviam sido suprimidas, com
a implantação de eleições
indiretas, cujos critérios de ocupação
de cargos de governador, de prefeitos das
capitais e outras prefeituras, que alcunharam
de área de segurança nacional
e outras mais, de reservas hídricas,
dependiam da escolha do ditador de plantão.
A figura mais engraçada daquela época,
no entanto, era a do senador biônico,
e pasmem, com mandato de oito anos, também
escolhido, em cada estado, da mesma forma
indireta e sob a égide do famigerado
Ato Institucional nº 5. Amaral Peixoto
foi o premiado do Rio de Janeiro.
Hoje, o Brasil passa por situação
pior do que aquela. São 30 partidos
políticos registrados no Tribunal
Superior Eleitoral e a cantilena é a
mesma: O Congresso Nacional, composto por “300
picaretas” e muitos desinteressados,
está envolvido em reformas de muitas
matérias, inclusive a que trata dos
partidos políticos e suas formas de
coligações, verticalizações,
cláusulas de barreira e outras peraltices.
Tudo para continuar enganando ao eleitor,
que sem sombra de dúvida, nunca poderá votar
no candidato de sua preferência, por
uma única e implacável razão:
todos os partidos políticos têm
dono – as decisões são
tomadas de cima para baixo - sem que o pobre
do eleitor possa influenciar em nada.
Tanto faz a existência dos treze partidos,
anteriores à ditadura, tanto faz os
dois que viraram seis, no período
da ditadura ou tanto faz os 30 que se formaram
com o advento da venturosa democracia, a
grande verdade é que o povo/eleitor,
não tem direito de escolher ninguém.
Os nomes que são oferecidos aos eleitores
já vêm carimbados. O sistema
de escolha da lista partidária é o
que interessa aos donos dos partidos e pronto.
O pior é que os escolhidos para concorrerem
são tão ruins que a cada eleição
piora a representação junto às
instituições brasileiras. Aos
eleitores, por essas e outras razões,
impublicáveis, estão oferecendo “são
nunca”.
São nunca mesmo!
Célio Junger Vidaurre é advogado
e-mail celiovidaurre@yahoo.com.br |