Luta
contra Aids é dever do Estado
Estima-se que haja no Brasil 240 mil mulheres
em idade reprodutiva portadoras do vírus
HIV. O mais grave é que boa parte
delas sequer desconfia estar contaminada,
mas acabará desenvolvendo a doença
e transmitindo o vírus, inclusive
para os filhos, no período de gestação.
Trata-se, portanto, de uma questão
prioritária de saúde pública
a ser enfrentada pelo país, considerando
a premência de deter o avanço
da epidemia entre crianças e jovens.
Há um dado mundial que mostra o
quanto é prioritária esta
mobilização: metade das novas
infecções por HIV ocorre
entre pessoas jovens, seis mil por dia,
e a população feminina é desproporcionalmente
afetada. Entre as pessoas abaixo dos 24
anos vivendo com Aids, dois terços
são mulheres.
Felizmente, parecem ocorrer avanços
nesse campo. É o que se pode aferir
dos resultados do VI Congresso Brasileiro
de Prevenção das Doenças
Sexualmente Transmissíveis/Aids,
realizado em novembro, na cidade de Belo
Horizonte. Um tanto despercebido da opinião
pública a nível nacional,
o evento marcou o anúncio de realização
do Plano Nacional de Enfrentamento da Feminização
da Epidemia de Aids. Trata-se de iniciativa
conjunta do Ministério da Saúde
e a Secretaria Especial de Políticas
para Mulheres, que contará com o
importante apoio do Fundo de População
das Nações Unidas.
O plano será oficialmente lançado
em 2007, no Dia Internacional da Mulher,
8 de março. Uma das ações
propostas no âmbito do programa é uma
pesquisa sobre as brasileiras que têm
aids. Complementa o trabalho pesquisa do
Fundo das Nações Unidas para
a Infância (UNICEF), em parceria
com o Programa Nacional de DST e Aids do
Ministério da Saúde, sobre
a prevalência do HIV entre gestantes. Ricardo de Paula
Médico é conselheiro administrativo
da Avimed |