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Edição 10.854 - Sábado, 13 de janeiro de 2007 - ANO XXXVII - Estado do Rio de Janeiro     
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Desafio Jovem Integração traz esperança para dependentes químicos

Adriana Costa

     ITATIAIA - Está em funcionamento na cidade a Desafio Jovem, casa de apoio e tratamento à dependência química. Trabalhando há aproximadamente dois meses, a casa presta atendimento a quatro jovens que, através de um programa que inclui terapia em grupo, palestras, discipulado, estudo bíblico e laborterapia, aliados a um tratamento psicológico e psiquiátrico, buscam a sua recuperação.
     “ Desafio Jovem Integração é uma instituição filantrópica que tem como objetivo promover a recuperação física, moral e psicológica do dependente químico, reintegrando-o ao convívio familiar”, explica o missionário Jorge Luiz Corrêa, um dos idealizadores do projeto. Adotando um tratamento voluntário residencial e internação do dependente, a clínica auxilia jovens num tratamento que varia de quatro a seis meses. “A nossa proposta é um trabalho integrado entre equipe de tratamento, residente e familiar, mas a participação depende do desejo pessoal de cada um, pois a disposição e o interesse do residente de se conscientizar do seu quadro facilita a reintegração na família e sociedade”, explica Luiz Carlos Campos, um dos coordenadores da clínica, destacando que o tratamento não envolve uso de medicamentos.
     Com uma rotina diária fundamentada em fatores considerados importantes para a recuperação, como a disciplina, o estudo bíblico e apoio escolar, os pacientes se ocupam dos afazeres da casa seguindo um cronograma organizado pela coordenação. “São eles que cuidam da limpeza, cozinham e lavam sua própria roupa e demais atividades como o cultivo de algumas plantas. Também têm horário para estudo bíblico e espiritualidade, tendo em vista que nossa proposta não é religiosa, mas espiritual, em que o indivíduo passa a acreditar em Deus através de uma psicologia cristã e meditações bíblicas”, explica Jorge, afirmando também que o atendimento psicológico acontece semanalmente e o psiquiátrico, quando for necessário.
     O acompanhamento e orientação, bem como a busca do envolvimento familiar também tem sido uma preocupação da coordenação do local. “O principal de tudo é buscar o apoio da família que a maioria das vezes é a última a saber que o jovem está envolvido com a droga e quando descobre age agressivamente, o que só contribui para piorar ainda mais o problema”, afirma Luiz.
     A casa de tratamento funciona na Rua 4, nº 54, Vila Flórida. A instituição é mantida basicamente de doações da comunidade. No momento, a casa está precisando de doações de camas e colchões que serão usados para atender os novos pacientes que estão para chegar nos próximos dias.

     RECUPERAÇÃO
     Assumir uma dependência em relação às drogas e aceitar que é preciso recorrer à ajuda especializada não é fácil para a maioria das pessoas e geralmente depende do auxílio família ou então dos amigos. Foi graças à iniciativa da família que o jovem de 19 anos que prefere ser chamado apenas de Visconde, chegou à clínica há mais de um mês e hoje já se sente bem melhor. “Era dependente de cocaína, maconha, álcool e tudo que viesse. Depois de perder quatro anos da minha vida nesse mundo ilusório é que fui em busca de ajuda. Sinto que Deus está me dando força para me recuperar e sair daqui, conseguir um trabalho e levar uma vida normal”, declara Visconde.
     Pai de três filhos menores, o paciente Rabicó, 41 anos, que era auxiliar de pedreiro, acredita que já saiu do “fundo do poço”. E isso ele deve a uma amiga. “Recebi ordem judicial de despejo, tive que deixar minha família. Vivi um bom período na rua e dormia numa casa abandonada, mas graças a uma amiga estou aqui e acredito que vou me recuperar”, afirma o paciente que já conseguiu se reconciliar com a família e está estudando para prestar concurso público.
     De volta ao mercado de trabalho e recuperado, Roberto Alves Pereira, 25 anos, que foi dependente de cocaína e maconha durante 13 anos, conta que chegou a ver a morte de perto, mas depois de passar aproximadamente um mês e meio na Casa de Recuperação diz com convicção que se livrar da dependência não é impossível. “Deus me salvou. Estou bem e feliz, voltei a morar com minha família, meu chefe me aceitou no trabalho novamente e quero servir de exemplo para meus amigos que ainda não conseguiram se livrar da dependência”, finaliza.


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