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VOLTA
REDONDA - Mesmo com as freqüentes fiscalizações
contra a comercialização de produtos piratas
no município, as vendas continuam. Os vendedores
de produtos piratas atuam em vários pontos da cidade,
ainda que de forma descentralizada. Os bairros Vila, Retiro
e Centro são os mais visados pelos ambulantes. Muitos
passam o dia com seus produtos escancarados, sem nenhuma
proteção. A comercialização
desses materiais é contestada por alguns, mas aprovada
por outros. Prova disso é o movimento das bancas
de CDs e DVDs nas feiras livres da cidade e em outros pontos
da cidade.
Nem o decreto do prefeito Gothardo Netto (PV) fez com que
a pirataria fosse inibida. Dezenas de pessoas ainda são
encontradas vendendo os produtos. Em Volta Redonda, os
artigos mais vendidos são CDs, DVDs e até tênis.
A maioria dos ambulantes garante que são das vendas
desses materiais que consegue o pão de cada dia.
Já os compradores garantem que só optam por
esses produtos por causa do preço. “Enquanto
um tênis de marca famosa original custa cerca de
R$ 800 na loja, com os ambulantes a gente compra por até R$
100. Para ganhar pouco, ainda está caro, mas melhor
do que o preço do original. Não sou a favor
da pirataria, mas contra os preços altos das lojas”,
diz um estudante que preferiu não se identificar.
Flagrado numa calçada da cidade comprando tênis
pirata, o jovem garantiu que sabe que está errado,
mas alegou que precisa do calçado e não tem
dinheiro para comprar na loja. “Fazer o que, se vivemos
num país com diferenças sociais tamanhas”,
critica o estudante.
Para se ter uma idéia de que os CDs e os DVDs são
os piratas mais procurados, basta observar nas bancas que
comercializam os produtos. Todas estão sempre lotadas.
Outra comprovação foi em janeiro do ano passado,
quando policiais da Delegacia de Repressão aos Crimes
Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), com apoio de fiscais
da Associação de Defesa da Propriedade Intelectual
(Adepi), apreenderam cerca de cinco mil DVDs e dois mil
CDs piratas, de música e de jogos eletrônicos,
que estavam sendo vendidos nas lojas do Mercado Popular
da Vila Santa Cecília. Na ocasião, o material
falsificado foi recolhido em sete boxes e oito pessoas
foram identificadas como proprietárias dos artigos.
Recentemente a Federação das Indústrias
do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) divulgou pesquisa
inédita sobre o hábito de consumo de produtos
piratas pelos jovens. Foram 433 entrevistas realizadas
com alunos do Senai em todo o Estado do Rio de Janeiro.
Nada menos que 93,8% deles compram os produtos falsificados
e o fazem conscientes de que se trata de mercadoria ilegal.
A conclusão da pesquisa é de que o jovem
tem consciência apenas parcial das conseqüências
e faz pouca relação entre o consumo ilegal
e o crime organizado, a restrição do mercado
de trabalho, a queda de arrecadação de impostos
e da qualidade dos serviços públicos. Ainda
segundo a pesquisa, os produtos pirateados mais comprados
pelos jovens são CDs (82%) e DVDs (60%), seguidos
por canetas, isqueiros e aparelhos de barbear (38%), relógios,
produtos eletrônicos e programas de computador (31%).
Ainda de acordo com o levantamento, o principal motivo
alegado para a compra de produtos piratas, para 85,5%, é o
preço alto do original. Já 45,9% disseram
que as novidades em CD e DVD chegam mais rápido
pelas mãos dos piratas. A grande penetração
dos CDs e DVDs piratas faz com que o principal temor do
consumidor em relação às conseqüências
desse tipo de compra seja ter um aparelho eletrônico
danificado (71,60%).
ITATIAIA - Cerca de 40% da população brasileira consome
produtos piratas no país. A conclusão faz
parte da pesquisa elaborada pela Fecomércio-Rio
de Janeiro em parceria com o Instituto Ipsos, e os produtos
mais copiados são CDs, DVDs e relógios. Em
Itatiaia, os números de pessoas que trabalham com
pirataria é relativamente pequeno, somente uma loja
na cidade aluga esse tipo de material. A maior parte dos
casos são de pessoas que fazem gravação
caseiras para amigos ou conhecidos.
A pirataria envolve os mais diversos produtos, desde roupas,
utensílios domésticos, remédios, livros,
softwares e qualquer outro tipo de produto que possa ser
copiado. Segundo pesquisas realizadas por órgão
responsável, a cada dez CDs legítimos cinco
são piratas, e outros tantos são copiados
pela Internet. A pirataria faz com que a cada ano o Brasil
perca R$1 bilhão.
“
Eu faço em casa, baixo o filme pela Internet para
mim, aí tem sempre um amigo que pede e a gente acaba
fazendo umas cópias, mas eu não vendo nada”,
comenta um jovem de 24 anos que pediu para não ser
identificado.
De acordo com a proprietária de uma locadora de
DVDs na cidade, a pirataria de filmes faz o comércio
legal perder cerca de 40% da receita. “É uma
injustiça esse tipo de concorrência, a gente
paga nossos impostos, os filmes são originais, por
causa disso a gente acaba tendo que demitir funcionários,
isso impede o crescimento”, diz Ivalda Veiga, que
explica que alguns de seus clientes são fieis e
não aceitam esse tipo de produto.
Para a comerciante as pessoas deveriam ficar mais atentas
com esse tipo de comércio, já que eles não
recolhem impostos e por isso prejudicam a cidade na hora
de se investir em setores como saúde e educação. “Eu
já denunciei essa loja de produtos piratas, mas
até agora ninguém tomou providência,
as pessoas não têm consciência do mal
que está fazendo na hora que consomem esse tipo
de produto e também estão cometendo crime”,
afirma Ivalda.
Segundo informação da 99ª DP, em Itatiaia
não existe um comércio fixo, porém
alguns vendedores ambulantes que passam pela cidade, às
vezes. Embora o trabalho seja especifico da Delegacia de
Repressão à Pirataria, a Delegacia Legal
costuma fazer visitas a comércios mais no sentido
de orientar do que repreender. De acordo com policias o
trabalho maior é feito em parceria com a Polícia
Rodoviária Federal, que costuma apreender contrabando
vindo do Paraguai.
INDÚSTRIA DA PIRATARIA X INDÚSTRIA FONOGRÁFICA
Se não é dificuldade ou crise, a palavra
que melhor traduz a atual situação do mercado
fonográfico brasileiro é medo. O temor dos
grandes empresários é que a atividade tão
lucrativa, que teve seus áureos tempos na época
do LP, se acabe devido à reprodução
maciça das “microempresas da pirataria”,
que oferecem o que boa parte da população
quer e pode pagar: produtos com preços abaixo do
mercado e com características similares ao original.
Na corda bamba, a indústria fonográfica tenta
se equilibrar para não ser engolida pela onda da
falsificação. As grandes gravadoras que o
digam. Dados da Associação Brasileira dos
Produtores de Discos (ABPD) revelam que em 1997 a pirataria
ocupava 3% do mercado e em 2001, chegou na proporção
de 50%, somente no ramo de CDs. No mercado de fitas cassete
o índice já atingiu os 100%.
O problema da pirataria é antigo. Entre os anos
97 e 98, a falsificação de produtos fonográficos
mudou da fita para o CD. Nesse período eram falsificadas
cerca de 60 milhões de unidades, segundo a ABPD.
Em 2001, o número caiu para 45 milhões de
cópias de fitas por ano, em razão do lançamento
do CD no mercado.
Informações do relatório de Pirataria
Comercial 2005 da indústria fonográfica,
publicado pela Federação Internacional da
Indústria Fonográfica, apontam que no ano
de 2004 foram vendidos 1,2 bilhão de discos fonográficos
piratas, o que representa 34% de todos os discos vendidos
no mundo. Só em 2004 foi apreendido o dobro de CDs
piratas em comparação ao ano anterior. O
crescimento da falsificação cresceu 2% naquele
ano, o menor índice entre os cinco anos anteriores.
A movimentação financeira do mercado mundial
de pirataria é grande: U$ 4,6 bilhões. No
ranking dos países que comercializam produtos piratas,
os da América Latina, do Sul da Europa e a Índia
são os primeiros. Segundo a Federação
Internacional de Industria Fonográfica, merecem
repressão antipirataria: a China, a Índia,
a Indonésia, o México, o Paraguai, o Brasil,
a Espanha, o Paquistão, a Rússia e a Ucrânia.
A prática ilegal da venda de CDs e DVDs piratas
prejudica a venda dos produtos originais em lojas, e gera
grande lucro para quem pratica esse ato nocivo.
O fator decisivo na compra de um produto pirata é o
baixo custo. Quem diz isso é Élisson Andrade,
21 anos, vendedor dos produtos ilegais. Ele explica que
um CD é vendido nos camelôs por R$ 4 e o DVD,
por R$ 7. O ambulante afirma ainda que esses preços
variam, podendo ser encontrados ainda mais baratos. “A
venda desses produtos originais é muito caro, por
isso a procura é grande”, explica.
É
lisson diz que vende por semana uma média de R$
600, o que significa a venda de aproximadamente 20 produtos
diariamente, mas esse dinheiro não vai inteiramente
para o vendedor. “Esse dinheiro não vem todo
pra mim, pagamos quem fornece, o aluguel da banca, fora
capinha. Esse dinheiro é meu sustento e da minha
família, a forma como encontrei para ganhar dinheiro
honestamente”, argumenta.
Os mais afetados com essa prática são as
lojas que vendem produtos originais, que vêem suas
vendas despencarem pela concorrência. A luta é desigual,
enquanto um produto pirata chega a custar R$ 4, um CD original
do mesmo do artista pode ter um custo de R$ 30 nas lojas,
representando uma diferença grande no preço.
No caso do DVD a diferença é ainda maior,
subindo de R$ 7 para cerca de R$ 40.
O vendedor de uma loja localizada no Centro de Barra Mansa,
Felipe Caetano, 23 anos, confirma a baixa nas vendas, mas
diz que a situação já esteve pior. “No
começo a queda foi bem maior, agora as pessoas estão
vendo os resultados de comprar produtos piratas. Muitos
clientes chegam falando que tiveram seus aparelhos danificados
e do tempo de duração do produto, por isso
acredito que a tendência é essa prática
ir diminuindo”, diz, criticando a falta de fiscalização
na cidade. “Não existe repressão contra
as vendas desses produtos na cidade, não há fiscalização,
e isso faz com que eles trabalhem livremente”, conclui.
PARCERIA COM DELEGACIA ESPECIALIZADA AJUDA A COMBATER A
PIRATARIA
O trabalho da Divisão de Fiscalização
e Postura de Resende tem sido intenso no combate ao comércio
de produtos piratas. O órgão dispõe
de dez servidores para fazer a fiscalização
em todo comércio. A pratica mais comum é o
comércio de CDs e DVDs piratas. As maiores apreensões
foram registradas no Mercado Popular, na Praça da
Concórdia, centro do comércio informal. Só em
2006, foram apreendidos 1.930 unidades, entre CDs e DVDs.
Desde meados do ano passado, o combate à pirataria
vem recebendo o apoio da Delegacia de Repreensão
aos crimes de Propriedade e Imaterial (DRCPIM). De acordo
com o gerente a Divisão de Fiscalização
e Posturas, José Renato de Oliveira, antes se fazia
a apreensão do material e remetia produto e infrator
até a delegacia para a ocorrência, mas dias
depois o infrator voltava ao local de venda. “Agora
o infrator flagrado com produtos piratas terá a
mercadoria apreendida e será remetido para o Rio,
permanecendo na DRCPIM. Os infratores estão sujeitos
a pena de dois a quatro anos de reclusão”,
explica Oliveira.
O gerente revela que já foram apreendidos mais de
12 mil títulos na cidade. Ele assegura que o trabalho
preventivo junto aos ambulantes será contínuo
na fiscalização no Mercado Popular e em outros
pontos da cidade. “Continuaremos com a nossa operação
preventiva onde os ambulantes poderão até perder
a licença para trabalhar, isso porque muitos informam
a venda de determinado produto à prefeitura e na
prática vendem objetos de contrafação”,
frisa.
Aproximadamente 60 pessoas participaram do seminário,
que teve como público alvo os fiscais da Prefeitura
de Resende, guardas municipais, policiais militares e civis.
As atividades foram abertas pelo secretário de Gestão
Estratégica e Planejamento, Jorge Melhem, que frisou
a importância da integração de forças
entre município e Governo do Estado no combate à pirataria. “O
Estado do Rio é pioneiro na criação
de uma delegacia especializada em combater os crimes de
contrafação. A partir do seminário
o trabalho desenvolvido na cidade terá a supervisão
da DRCPIM”, explicou Melhem.
O seminário teve a participação de
quatro palestrantes: Marco Aurélio de Paula Ribeiro,
delegado titular da Delegacia de Repressão aos Crimes
de Propriedades e Material (DRCPIM), com o tema Aspectos
do Crime de Pirataria; Carolina Marzano, advogada da Associação
Brasileira de Softwares, com o tema Identificação
de Softwares Piratas; Cláudio Godinho Novaes, perito
da DRCPIM, que falou sobre Perícia Criminal no Combate à Pirataria
e Flávia Gonçalves Medeiros, chefe do Serviço
de Perícia da 89ª Delegacia Legal (Resende)/ICCE,
que abordou Os Aspectos Sociais e Econômicos da Pirataria.
Em sua palestra, o delegado titular da DRCPIM afirmou que
milhões de empregos são eliminados anualmente
como conseqüência da pirataria. “Segundo
o Ministério da Justiça, a pirataria elimina
dois milhões de empregos anualmente e gera prejuízos
de R$ 86 bilhões na arrecadação do
país”, informa.
De acordo com pesquisa da Federação do Comércio
do Rio de Janeiro, 93% dos consumidores dos produtos ilegais
indicam o preço baixo como causa. Os CDs representam
86% dos produtos piratas mais comercializados, seguido
dos DVDs (35%), relógios (6%), óculos (6%)
e roupas (5%). “A conseqüência da pirataria é a
perda de tributos para o estado, os trabalhadores desse
ramo não tem direitos trabalhistas; o consumidor
perde comprando produto de baixa qualidade e sem garantia,
além disso, o criador perde seus direitos autorais.
A pirataria fecha empresas, gera desemprego e traz menos
investimentos em pesquisa e desestímulo à produção
artística e científica. Acima de tudo, incentiva
a corrupção e estímulo ao crime organizado”,
disse a outra palestrante do dia, a perita Flávia
Medeiros.
Como possíveis soluções para enfraquecer
a pirataria, o seminário apontou a necessidade de
baixar seletivamente os impostos para as gravadoras e empresas
de criação; eliminar o tempo de espera entre
o lançamento dos produtos do exterior no mercado
nacional; incentivar os fabricantes a lançar produtos
populares com preços mais acessíveis; reprimir
o contrabando nas fronteiras e aeroportos, além
de fazer campanhas educativas. No evento a DRCPIM montou
uma pequena banca confrontando produtos piratas e originais,
como tênis, CDs de jogos eletrônicos, roupas,
entre outros.
LEI
ANTIPIRATARIA PREVÊ PUNIÇÕES
A Lei Antipirataria, no 10.695, de 1º de julho de
2003, que alterou e acrescentou pontos do Código
Penal, pune os responsáveis por ferir a licença
de copyright e dependendo dos casos pode causar pena de
até quatro anos e multa. A punição
com prisão destaca a violação dos
direitos do autor, de modo a existir a reprodução
total ou parcial, com intuito de lucrar direta ou indiretamente,
sem autorização do autor, do artista ou executante
e produtor.
A lei ainda prevê que nos casos de infração
a autoridade policial fará apreensão dos
bens “ilicitamente produzidos ou reproduzidos, em
sua totalidade, juntamente com os equipamentos, suportes
e materiais que possibilitarem a sua existência,
desde que esses se destinem precipuamente para a prática
do ilícito”. A apreensão deve ser feita
mediante assinatura de duas testemunhas, contendo a descrição
de todos os bens apreendidos e informando suas origens.
O ato deverá constar no inquérito policial
ou processo. Se o juiz condenar o ato, os bens podem ser
destruídos.
Paralelo à Lei Antipirataria existe a Lei de Direitos
Autorais (no 9.610/98), que atualizou e consolidou a legislação
referente à propriedade intelectual, “sobretudo
por considerar como obras protegidas as criações
do espírito expressas por qualquer meio ou fixadas
em suporte tangível ou intangível ? no que
se incluem disco, livro, CD, banco de dados e outros ?;
além disso, por prever a distribuição
dessas obras mediante cabo, fibra ótica, satélite,
ondas ? no que estão inclusas, portanto, as transmissões
acessadas via Internet. Essa lei também prescreve
sanções penais e cíveis para os infratores.
Nas cidades da região, conforme apurou A VOZ DA
CIDADE, não existe nenhum projeto de lei específico,
elaborado por vereadores, voltado para o combate à pirataria.
Apenas em Barra Mansa o vereador Francis Bullos (sem partido)
teve sancionada, em dezembro de 2002, uma lei que prevê a
cassação de alvará ou licença
de estabelecimentos e ambulantes que comercializarem produtos
falsificados. Segundo o autor, a iniciativa nunca foi colocada
em prática na cidade. “Barra Mansa foi até mencionada
em uma reunião de Washington e a minha lei foi citada.
Se ela fosse aplicada no município a pirataria já tinha
sido extinta”, conta, completando que já que
seu projeto não foi colocado em prática o
repassou para o prefeito de Volta Redonda, Gothardo Netto
(sem partido).
Para o vereador, os fiscais do município deveriam
cumprir a lei. Segundo o secretário de Ordem Pública
da cidade, José Marcos Rodrigues Filho, o Zito,
não há uma estrutura para cumprir a lei.
Segundo ele, a fiscalização de postura do
município tem trabalhado contra o uso indevido do
espaço público. “Não temos pessoal
qualificado para isso e entendemos que o combate à pirataria é de
competência do estado. Coibimos o que está na
rua. Não pelo produto, mas pelo uso indevido do
estado”, esclarece Zito.
Para o secretário, o estado tem que ver a procedência
das mercadorias. “Senão daqui a pouco vou
entrar nas lojas de R$ 1,99 e até em loja de grife
que pode também ter um produto falsificado”,
argumenta.
Francis Bullos não entende por sua vez como é que
uma lei é sancionada pelo prefeito, sendo que não
há estrutura para colocá-la em prática.
DECRETO MUNICIPAL
Em Volta Redonda, segundo informações da
Câmara Municipal, não há nenhuma lei
específica para o combate à pirataria. Existe
um decreto emitido pelo prefeito Gothardo Netto no dia
9 de setembro de 2005 que prevê o cancelamento do
alvará de licença de qualquer ambulante dos
mercados populares da cidade em que for comercializado
material fonográfico, como CDs, DVDs, fitas cassetes,
de vídeo e outros que sejam piratas. Diversas fiscalizações
foram realizadas na cidade para combater a pirataria e
muitos produtos foram apreendidos.
VENDA COMO FONTE DE RENDA
O desemprego e a falta de auxílio do governo fazem
com que muitas pessoas optem pela venda de produtos ilegais,
muitas vezes sendo a forma considerada mais digna por esses
para viver.
A venda dos produtos piratas é a principal fonte
de renda para muitas famílias hoje em dia. Um vendedor,
que preferiu não se identificar, de 24 anos, dois
filhos, explicou que a venda de CD e DVD é o que
permite sustentar a família e evitar a vida no mundo
do crime. “Muitos amigos meus hoje roubam para poder
sustentar suas famílias. Eu escolhi vender CD e
DVD na rua para não fazer o mesmo. Quem nasce pobre
não tem muitas oportunidades”, diz, completando
que com o que ganha com a venda desses produtos consegue
se manter. “Posso dizer que ganho bem com essas vendas
e posso pensar em algo melhor para meus filhos. Pode ser
ilegal, mas foi a forma mais correta que encontrei para
viver sem roubar”, afirma.
As mulheres também fazem da prática seu trabalho.
Uma vendedora, que se identificou apenas como Cláudia,
diz que o dinheiro possibilita dar condições
melhores de vida para sua filha, e explica que passou a
vender produtos piratas após ficar desempregada. “O
que leva as pessoas a esse trabalho é a falta de
emprego. Não posso ficar sem essa renda, por isso
comecei a vender esses CDs e DVDs piratas. Eu e minha filha
dependemos desse dinheiro”, concluiu.
Alguns vendedores desses produtos que tiveram seus materiais
apreendidos e foram obrigados a parar de comercializá-los
dizem que perderam uma renda essencial. “Grande parte
das nossas vendas era em decorrência da venda desses
produtos. Fomos obrigados a parar de vender e com isso
perdemos um dinheiro que era importante”, conta uma
das vendedoras que não quis ser identificada.
Outra vendedora diz que há cerca de um mês
guardas municipais apreenderam todos os CDs e DVDs da banca
em que trabalha, e desde então não se comercializa
mais esses produtos no local. “Perdemos uma renda
muito importante com essa proibição. O pior é que
quando eles apreendem nosso material não sabemos
para onde vai. Eles não deixam nada como comprovante
de quando e quanto apreenderam. Acho isso um absurdo. Ninguém
tem controle de nada”, dispara.
PIRATARIA NA INTERNET
As cópias também ganharam a rede mundial
de computadores, fato que vem preocupando muitos barões
de gravadoras. Mais cômoda e prática, a reprodução
musical virou febre internacional em programas de trocas
de arquivos, como o Napster e Kazaa. Com alguns cliques
o internauta seleciona a música desejada, faz o
download de arquivos em MP3 e outros formatos e em pouco
tempo tem acesso a um CD completo. Em tempos de media player
e Ipods, nem o trabalho de comprar um CD o usuário
tem.
As trocas de arquivos na Internet começaram a se
tornar ilegais em 2005, quando gravadoras e artistas conseguiram
um bom número de decisões judiciais contra
os serviços não autorizados de troca de arquivos
nos Estados Unidos, Austrália, Taiwan e na Coréia.
No Brasil, procurou-se meios para controlar a multiplicação
dos programas de trocas de arquivos. Para combater a pirataria
na Internet, a Associação Protetora dos Direitos
Intelectuais Fonográficos (APDIF), monitora e notifica
todos os sites considerados ilegais, encaminhando o caso
para a Justiça. Esse trabalho vem sendo realizado
desde 2000 e conta com o apoio dos provedores de serviços.
Nesse trabalho, também são monitorados sites
de Leilão Virtual e de venda de CDRs ilegais.
Somente no ano de 2005, a associação registrou
mais de dois mil sites ilegais de trocas de música
digital.
A pirataria não envolve somente CDs e DVDs, os softwares
(programas de computadores) também passam por todo
esse processo.
Segundo o advogado Rodrigo Pançardes, único
da região especializado em Direito de Informática
e Tecnologia de Informação, o consumidor
deve estar atento ao adquirir um computador. “Os
softwares piratas podem abrir portas para que crackers
entrem em sua máquina e captem senhas”, diz,
explicando a diferença entre crackers e hackers. “São
pessoas que usam de má fé seu conhecimento
avançado em informática, invadindo computadores
alheios para capturar, por exemplo, senhas de bancos. Os
hackers são aqueles que simplesmente têm esse
conhecimento avançado”, esclarece.
Ao comprar um computador, segundo Rodrigo, o consumidor
deve perguntar ao vendedor se a máquina contém
programas originais instalados. “O comprador deve
exigir que a empresa constate a legalidade do software
na nota fiscal”, diz. Ele completa dizendo que isso é um
direito do consumidor.
O advogado lembra que isso também é uma forma
de rotacionar dinheiro. “Isso também é caracterizado
como crime, existe uma máfia organizada que usa
o lucro para fomentar outros crimes. Eles ganham muito
dinheiro usando softwares piratas”. Ele explica que
atualmente as empresas de máquinas de informática,
para não agir ilegalmente e não pagarem pelos
programas da Microsof, que tem custo alto, aderem a um
software livre chamado Linux. “O Linux é gratuito,
licenciado e pode ser baixado na Internet legalmente”,
explica. “Não importa se o software é livre
ou não, o que deve ser garantido é que seja
original e cada um deve usar o que achar melhor”,
revela.
Rodrigo salienta que danos diretos ao computador não
existem. “O problema é que pode vir junto
com esses softwares piratas um programa espião ou
um programa de desbloqueio da proteção contra
os crackers”. Ele sugere que os consumidores procurem
lojas sérias, que atuem com clareza no mercado.
| CDs
e DVDs destruídos na praça da prefeitura |
| Por
duas vezes no ano passado, o governo municipal,
através da Secretaria Municipal de
Fazenda e da Guarda Municipal, realizou na
cidade a destruição de CDs
e DVs piratas em praça pública.
Todo o produto pirateado foi apreendido em
operações no período
de 1º de outubro a 21 de dezembro, data
em que foram realizadas as destruições.
As duas ações, que contaram
com a presença do prefeito Gothardo
Netto (sem partido), do comandante da Guarda
Municipal, tenente Marcílio Bezerra
Santos, entre outras autoridades, aconteceram
na Praça Sávio Gama, em frente
ao Palácio 17 de Julho, onde atraíram
dezenas de populares.
A exemplo do que aconteceu no dia 1º de outubro,
quando foi realizada a primeira destruição com mais de 11 mil CDs
e DVDs, no dia 22 de dezembro, com a destruição de 8.500 CDs e
DVDs, todas as autoridades estiveram presentes. De acordo com o prefeito Gothardo,
todas as operações vêm sendo realizadas em Volta Redonda
pela fiscalização da Secretaria de Fazenda e pela Guarda Municipal,
depois do decreto 10.641, que dá autonomia à corporação
para realizar o trabalho de apreensão de produtos piratas.
Segundo o comandante da Guarda Municipal, depois
de apreender o material é esperado um prazo para que o responsável
apresente nota fiscal e prove que o material não é ilegal. Em dez
dias, se ninguém solicitar a mercadoria, ela deverá ser destruída.
Ele informou que a ação deverá se repetir por mais vezes. “Foram
duas no ano passado. A nossa expectativa é realizar a terceira até este
mês”, revelou.
Nas duas ações os CDs e DVDs foram
destruídos por um rolo compressor da Secretaria Municipal de Obras (SMO),
depois queimados numa caçamba no meio da praça e em seguida as
cinzas jogadas na lixeira municipal. O prefeito informou na ocasião, que
o ato visa coibir a venda de produtos ilegais na cidade. Segundo ele, os ambulantes
antigos continuam recebendo instruções e já são microempresários.
Por isso, não têm necessidade de comercializar produtos pirateados.
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| Profissional
confirma que produtos piratas podem causar danos
a eletrônicos |
De
acordo com o coordenador do curso de Sistemas
de Informações e professor
de Sistemas de Apoio da Faculdade Dom Bosco,
Eduardo Barrere, os CDs e DVDs piratas podem
realmente causar danos aos aparelhos. Segundo
ele, esses produtos podem diminuir a vida útil
dos eletrônicos. “O dano pode
ocorrer a curto ou longo prazo”, diz.
Eduardo explica que os agentes prejudiciais
aos aparelhos eletrônicos são
a qualidade da mídia (material utilizado)
e o processo de gravação. “A
partir do momento em que é utilizado
um produto de má qualidade, o aparelho
vai tentar ler a informação,
e quanto menor a qualidade da mídia
mais o aparelho vai se esforçar e sobrecarregar”,
diz ele, acrescentando que o aparelho pode
não ler na primeira tentativa. “Quando
ele não consegue ler, faz várias
outras tentativas de leitura, e isso causa
danos à aparelhagem”, destaca.
Ele relata que a película protetora
que sobrepõe os CDs e DVDs pode se soltar
e acabar danificando os eletrônicos e
prejudicar a área interna do aparelho.
O professor fala ainda que gravações
com equipamentos bons e mídias de qualidade
facilitam a leitura do aparelho. “Os
CDs e DVDs originais, que vêm com selo
de qualidade, são produtos de mídia
boa, que facilitam o aparelho leitor”,
explica, lembrando que existem mídias
boas que podem ser adquiridas para gravações
domésticas. “Se uma pessoa quer
gravar um CD em casa, deve saber que precisa
de um produto e um aparelho gravador de qualidade,
de preferência de marca conhecida. Nesse
caso, é bom procurar alguém da área
de informática que tem conhecimento
no assunto, para recomendar qual o melhor material
a ser comprado”, afirma.
Ele orienta os consumidores sobre a aquisição
desses produtos. “Não é questão
de recomendação, pois a lei proíbe
a venda de produtos piratas, só é importante
deixar claro que com o tempo os consumidores
poderão ver a má qualidade dos
CDs e DVDs não-originais serão
reproduzidos em seus aparelhos eletrônicos”.
conclui.
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Os
CDs originais são mais caros em virtude
dos impostos arrecadados para garantir o
pagamento dos direitos autorais, Imposto
sobre Circulação de Mercadorias
e Serviços (ICMS), Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI), Programa de Integração
Social/Contribuição para Financiamento
da Seguridade Social (PIS/Confins). “Do
valor cobrado de um CD original no mercado
nacional, 8% é para cobrir os direitos
autorais; 19% para os direitos artísticos;
15% para pagamento do IPI; 12% para ICMS;
3% para o PIS/Confins; 28% para produção
e 15% são previstos para o lucro.
Na pirataria o infrator compra apenas uma
mídia original e gasta centavos para
fazer uma cópia e revender a R$ 10,
R$ 15, no mercado clandestino. Seu lucro é muito
superior ao das gravadoras e empresas de
criação, por isso o ambulante
que vende produtos piratas não está reduzindo
o desemprego, fazendo uma atividade comercial
e sim eliminando milhões de empregos
com carteira assinada e direitos constituídos
de chefes de família”, finaliza
a perita Flávia Medeiros.
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