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BARRA MANSA - O aumento no índice de casos de Aids entre idosos em todo o país pode ser confirmado também na cidade. Segundo o coordenador do Programa DST – Aids, Alberto Aldet, dos 380 casos de Aids na cidade, em tratamento, cerca de 20% dos pacientes têm acima de 60 anos de idade.
Entre os motivos da manifestação da doença nessa faixa etária, segundo Aldet, está o fato de que a Aids se manifesta após dez anos ao ser infectado. “Aos 50 anos de idade, as pessoas ainda têm vida sexual ativa e muitos não se preocupam com a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DST)”, ressalta.
Outra questão levantada pelo coordenador é de, atualmente, com o sucesso dos grupos de terceira idade, muitos passeios e bailes acabam se tornando um ponto preocupante. “Não sou contra esses grupos, pelo contrário, acho que devem aproveitar a vida, mas com responsabilidade”, explica, acrescentando que a mentalidade de alguns dos participantes acaba atrapalhando sua conscientização. “Na época de muitos deles não existia Aids. Eles não são muito adeptos de camisinha,
principalmente os homens que crêem que com isso terão impotência sexual”, destaca.
Segundo Alberto Aldet, o uso de medicamentos voltados para a disfunção erétil também tem carga de responsabilidade nessa porcentagem. “Remédios como Viagra, Cialis e Levitra recolocaram muitos homens na atividade sexual”, completa.
A longevidade maior da população também é considerada pelo coordenador como um dos fatos contribuintes para o crescimento da Aids em pessoas com mais de 60 anos. “Hoje vivemos por mais tempo e com mais qualidade de vida pela evolução da medicina, em conseqüência disso a vida sexual se prolonga”.
Um fator relacionado a mulheres é frisado por Aldet: a submissão da mulher. Ele afirma que não só na terceira idade, mas em todas as faixas etárias, a submissão feminina à vontade dos homens também contribui para o aumento. “A mulher também precisa se cuidar. Nos casos das garotas de programa, por exemplo, muitas das vezes elas recebem dinheiro em dobro para não usar camisinha por vontade do homem”, conclui.
Doenças sexualmente transmissíveis - DST
Além da Aids, Alberto Aldet destaca outras doenças sexualmente transmissíveis que podem ser evitadas com o uso do preservativo.
“A Aids é universal, por isso é importante falar dela, mas todos precisam se conscientizar de que existem outras doenças”, salienta.
Ele relata que gonorréia, sífilis, herpes e HPV (Papilomavírus Humanos) são as mais comuns. O HPV, segundo Aldet, é um vírus que causa verrugas nas áreas genitais de homens e mulheres. “Essa doença é um dos maiores causadores de câncer de colo de útero nas mulheres de todo Brasil”, contou.
Ele ressalta que para o HPV já existe vacina, mas no Brasil por enquanto ela não está disponível gratuitamente, porém acredita que em breve o Ministério da Saúde vai liberá-la através do Sistema Único de Saúde (SUS). “Essa vacina atuará na prevenção da doença”, explica.
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