| O Parque Nacional do Itatiaia (PNI) comemorou ontem 70 anos de fundação. Situado na Serra da Mantiqueira, na divisa dos estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, o Parque Nacional do Itatiaia foi criado em 1937, pelo presidente Getúlio Vargas, e é a primeira área natural a ser protegida no Brasil.
Durante todo o dia diversas atividades foram realizadas para lembrar a data. Logo cedo, o Posto 3, na entrada da parte alta do PNI, ganhou o nome de Marco Antônio Moura Botelho, um de seus antigos funcionários. Em seguida, os cerca de 60 participantes do evento seguiram em caminhada até o Abrigo Rebouças, que fica a 2.550 metros de altitude, onde foram realizadas palestras.
A apresentação começou com Luciano Moreira Lima, que falou sobre as Aves que habitam o parque. A palestrante Pilar Guido de Castro1 comentou sobre Atividade horária, anual e reprodutiva de Melanophryniscus Moreirae, que vem a ser uma espécie de sapo que é marca das comemorações do 70 anos do PNI. Ainda houve apresentações com Kátia Torres Ribeiro, Ricardo Iglesias e Marcos Sá Corrêa.
Para finalizar a apresentação foram distribuídas homenagens aos funcionários que ainda trabalham no parque, e ainda um encontro sobre Iniciativas Locais/Municipais Latino-Americanas em Ecossistemas de Montanhas.
“É o segundo ano em que é feita uma comemoração aqui na parte alta do parque. Este local tem uma importância enorme, pois é uma referência nacional para pesquisadores e montanhistas. Por ano, o PNI recebe cerca de 80 mil visitantes, dez mil só aqui”, conta Daniel Toffoli, coordenador de uso público da parte alta do Parque Nacional.
Diversos pesquisadores e amantes da natureza acompanharam a programação, e ainda estiveram presentes o ex-diretor do parque, Léo Nascimento, que fez a abertura do evento, e ainda a diretora de Cultura de Resende, Roberta Dias de Oliveira. “É superimportante esta data para nós todos, o parque tem uma função de preservação importante e ainda é um grande pólo turístico da nossa região”, comenta Roberta.
Obras de revitalização
O Parque Nacional do Itatiaia está passando por diversas obras para revitalização. Esse projeto foi anunciado em abril do ano passado pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (PT), que anunciou investimentos de R$ 3,5 milhões conquistados através de uma compensação ambiental.
Na época, o plano já demonstrava duração de cada umas das obras, como a da Sede Administrativa, que terminaria em dez meses; do Núcleo de Fiscalização, cinco meses; Centro de Visitantes, dez meses. Todos esses projetos já tinham dinheiro liberado, mas as obras atrasaram. De acordo com o coordenador de uso público da parte alta do Parque Nacional, Daniel Toffoli, o motivo foi a demora na licitação em Brasília.
“As obras estão um pouco atrasadas, mas temos recursos para terminar. A sede é a que está mais atrasada e vai até consumir um pouco mais de recurso, pois tivemos que trocar todo o telhado”, conta Toffoli. O diretor do PNI, Walter Behr, garante que até o dia 28 tudo estará pronto para inauguração, mas dos projetos apresentados dois ainda não começaram.
Outro ponto que chama atenção é o fato de nenhuma obra de revitalização da parte alta do parque ter sido iniciada até agora; elas contavam no projeto inicial, mas não tinham recursos alocados. Segundo Daniel Toffoli, os projetos ainda estão em fase final para depois serem licitados, a idéia é fazê-los em parcerias público-privadas.
Manifestação
A pelo menos 30 quilômetros da portaria da entrada da parte alta do Parque Nacional do Itatiaia, 15 pessoas fizeram uma manifestação contra a possível retirada de acervo do Museu da Fauna e da Flora, administrado pelo PNI. Entre os manifestantes havia representantes de movimentos populares, entidades e também o padre João Solak, da Igreja Matriz de São José.
De acordo com uma carta aberta produzida por eles, o herbário que existia no museu foi levado para o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e parte das coleções de exposição científica de vertebrados foi enviada para o Museu Nacional.
“Não sabemos o destino que vão dar a elas, a gente quer o retorno de todas essas coleções para o museu. A direção do parque criou uma dúvida muito grande sobre qual o futuro delas”, conta Ednamara Gouveia, filha de Élio Gouveia, um dos criadores das coleções.
Em entrevista concedida à reportagem de A VOZ DA CIDADE, o diretor do PNI disse que tudo que saiu do museu está sendo recuperado, pois estavam deteriorados pela ação do tempo. “Estamos fazendo um esforço enorme para recuperar essas obras. Nenhuma decisão foi tomada ainda, só especialistas poderão dizer qual a melhor forma de tratá-las”, diz.
Segundo o coordenador de uso público da parte alta do Parque Nacional, Daniel Toffoli, o herbário continuará exposto no Museu, somente peças duplicadas foram para o Rio. “Temos mais de mil vertebrados no museu, que estão sendo avaliados no próprio parque por pesquisadores do Museu Nacional. Pelo projeto somente parte deles continua exposta, como já acontece hoje”, afirma, completando estranha o fato de algumas pessoas reclamarem, já que em 2003 assinaram o projeto da revitalização como está sendo implementado agora.
“Agora, se o Ministério do Meio Ambiente decidir que as obras continuam aqui, o Ibama terá que contratar uma pessoa técnica para os cuidados”, finaliza Toffoli. |