|
SUL FLUMINENSE - Amanhã é comemorado internacionalmente o Dia da Água, que pode ser encarado como um alerta: de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o brasileiro gasta, em média, cinco vezes mais água do que o volume indicado como suficiente. A organização recomenda o consumo diário de 40 litros diários por pessoa, enquanto no país são consumidos 200, em média.
Em Barra Mansa, de acordo com o diretor-executivo do Serviço Autônomo de água e Esgoto (Saae), Renine César Oliveira, os moradores têm sido conscientizados sobre o uso da água e sobre o lixo. “Sempre estamos em escolas fazendo palestras, explicando que não se deve jogar lixo nos córregos e rios. Além disso, falamos sobre a preservação das matas”, explica.
Para ele, a preocupação com o meio ambiente, principalmente com a água, não deve ser somente do município e sim de todas as cidades. “É da nossa região que sai a nascente do Rio Piraí, que ajuda a abastecer a cidade do Rio de Janeiro. Daí a importância de preservá-lo”, resume Renine.
Além de palestras, Renine diz que o Saae desenvolve o programa Mãos à Obra, que realiza a limpeza urbana. “Temos um cronograma a seguir, cuidando das ruas para que o lixo não vá parar nos rios. Quando isso acontece a população sofre com as inundações”, adverte.
Também através do Saae três grandes estações de tratamento de esgoto serão construídas. “Daqui a alguns anos teremos 100% do esgoto tratado, diminuindo consideravelmente os danos ao meio ambiente”, prevê.
PORTO REAL
Em Porto Real, a data será comemorada no dia 8 de abril. A data foi escolhida pela administração municipal para conscientizar a população da importância do bem durável. Para isso, uma programação está sendo elaborada pelo comitê municipal da Rede Municípios Potencialmente Saudáveis, em parceria com a montadora PSA Peugeot-Citroën e as secretarias de Saúde, Educação, Ação Social e Meio Ambiente.
De acordo com a coordenadora do comitê, Vanessa Telles, o evento Porto Real Saudável Protegendo suas Águas será realizado na quadra poliesportiva do bairro Village, com início às 8 horas. Dentro da programação, apresentações culturais e teatrais de programas sociais promovidos na cidade, com a participação de alunos das redes municipal, estadual e particular de ensino.
Em 2007, a prefeitura implantou, através das Secretarias de Saúde e Meio Ambiente, o Programa Desperdício Zero. O trabalho é voltado para os alunos e a população da cidade. A idéia é eliminar fontes de desperdício, como torneiras sem rosca; casas sem caixa d’água, - e conscientizar sobre o uso correto da água, como evitar a lavagem de carros e calçadas com mangueiras.
RIO CLARO
Rio Claro ganhou, na semana passada, a sede para a Área de Proteção Ambiental (APA) do Alto Piraí e para o projeto Produtores de Água e Floresta. Os dois programas visam proteger as nascentes e preservar a Mata Atlântica. Segundo o secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Carlos Antônio Faria Martins, 11% da água que abastece a cidade do Rio de Janeiro saem do município. “Se formos contar a região da Baixada, esse número sobe para 80%”, acrescenta.
Com a criação da APA, além da preservação do meio ambiente a cidade atrairá mais turistas. “A idéia principal é proteger as nascentes, mas com isso turistas são atraídos pela beleza local, gerando mais renda para a cidade”, explica Antônio.
RESENDE
Em Resende, o dia será comemorado com uma solenidade na Fundação Casa da Cultura Macedo Miranda, na próxima segunda-feira, às 18 horas. O evento, promovido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Fraternidade, do Instituto da Educação de Resende (Educar) e da Agência do Meio Ambiente de Resende (Amar), marcará também a adesão da prefeitura ao Projeto Viva Óleo, desenvolvido pela empresa Ecoleta, que beneficiará o meio ambiente, as escolas municipais, a sociedade resendense e o Rio Paraíba do Sul.
Segundo a professora e coordenadora do Centro de Referência em Educação Ambiental de Resende (Crear), Rosângela Vieira, o projeto tem como objetivo o consumo responsável do óleo. “Esse projeto pretende revitalizar os recursos hídricos da região e orientar quanto ao consumo responsável. É um projeto de cunho socioambiental que também estimula e beneficia nossas escolas”, diz a coordenadora, salientando que a cada cinco litros de óleo entregue a escola recebe um bônus em pontuação. “Esses bônus poderão ser trocados por materiais esportivos, como bolas, redes, jogos de camisa de futebol ou de outro esporte, além de livros, câmeras digitais e outros materiais. Quanto mais óleo a escola arrecada, mais bônus ela ganha e, conseqüentemente, mais beneficiados são os alunos”, explica.
Iniciado em dezembro do ano passado, o projeto Viva Óleo vem ajudando as donas-de-casa e os estabelecimentos comerciais a fazerem o descarte do óleo de cozinha. A idéia, dos irmãos Leonardo e Gabriel Aguiar, de 21 e 18 anos, respectivamente, e de Mateus Cardoso, 19, está ajudando não só a preservar o meio ambiente como os estabelecimentos públicos de ensino, uma vez que o óleo de cozinha entregue pelas donas-de-casa, restaurantes e condomínios é revertido em pontos, de acordo com um calendário que se transforma em prêmios de materiais didáticos, informática e esportes para as escolas escolhidas pelos doadores.
No final, todo o óleo de cozinha recolhido é transformado em matéria-prima para a produção de biodissel. “O projeto surgiu quando tivemos a curiosidade de saber como se transforma óleo de cozinha em biodiesel. A partir de então iniciamos uma série de pesquisas e visitas a outras cidades que já trabalhavam em projetos parecidos para buscarmos não só conhecimento sobre o potencial e as necessidades da nossa região para viabilização do projeto”, diz.
A ÁGUA NO MUNDO
É preciso lembrar que, das águas da Terra, apenas 2,5% são doces e, dessas, mais de dois terços não estão disponíveis para consumo humano. O Brasil detém cerca de 12% da água doce disponível no mundo e mais da metade dela (54%) localiza-se na Amazônia e na bacia do Rio Tocantins, onde está a menor população por quilômetro quadrado do país. Essa situação faz com que metrópoles dos estados do Sul, Sudeste e Nordeste brasileiros sejam obrigadas a buscar água em mananciais cada vez mais distantes, devido à poluição das águas por dejetos humanos e industriais, e ao assoreamento de rios, lagos e represas, a um custo que aumenta exponencialmente e com danos ao meio ambiente. Cada nova represa e reservatório de água provoca desmatamento e, assim, contribui para diminuir o ciclo das chuvas e a quantidade de água doce disponível nessas regiões.
|