|
BARRA MANSA - Maior produtora de folhosas do Sul Fluminense, com mais de 150 toneladas de verduras e legumes produzidos por mês, Santa Rita de Cássia ainda não sofreu as conseqüências das chuvas deste início de ano. Segundo o presidente da Associação dos Produtores, Carlos Roberto de Carvalho, os cerca de 100 plantadores do local estão animados e esperam que as chuvas continuem amenas, e que a produção cresça como já vêm ocorrendo com hortaliças como alface e agrião, que deveriam começar a ser colhidas em março, mas devido ao clima, tiveram sua colheita antecipada.
Em dezembro as primeiras chuvas vieram para animar os produtores, mas logo o ânimo deu lugar à preocupação. “As primeiras chuvas vieram muito fortes e prejudicaram o desenvolvimento da produção”, explicou Roberto, lembrando que eles já haviam enfrentado uma queda de 80% na produção devido à estiagem, que esse ano castigou plantações em todo o Brasil. “Muitos ainda não conseguiram recuperar o prejuízo”, lamentou, destacando que o desequilíbrio ambiental e as variações climáticas vêm se refletindo na área e causando preocupação. “Após a estiagem eles estão tendo uma boa produção, mas se as chuvas se intensificarem a situação se complica”, avaliou.
As altas temperaturas também causam preocupação nos produtores. O forte calor compromete a produção das folhosas. “Já estamos com uma queda de 40% na produção. Muitos produtores investiram no plantio de outros produtos, como quiabo, jiló e berinjela que são mais resistentes, para evitar queda na receita da família”, revelou Roberto. As hortas de Santa Rita de Cássia geram 800 empregos diretos na comunidade e uma queda na produção significa não só menos dinheiro para os produtores, mas menos empregos também.
Uma solução apontada pela Associação dos Produtores é o plantio coberto das hortaliças, que cultivadas em estufas podem ser protegidas não só da chuva, mas do calor, mantendo a qualidade do produto. A própria Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) defende este tipo de cultivo. Segundo o pesquisador do órgão, Nozomu Makishima, o excesso de chuva mais prejudica do que beneficia. Segundo ele, as chuvas deixam o solo encharcado e hortaliças não se desenvolvem bem em terrenos encharcados.
A associação de Santa Rita vem desenvolvendo projetos neste sentido. “Vamos buscar os financiamentos necessários e capacitar os produtores”, garantiu. Enquanto isso os consumidores de hortaliças podem ficar tranqüilos já que as perdas não foram repassadas aos preços. “Através de parcerias com mercados da região temos mantido os preços”, disse. |