Greve não tem previsão de acabar |
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RESENDE
A greve dos serventuários da Justiça do estado, que está completando 18 dias hoje, atingiu, só em Resende, 80% de adesão. A manifestação tem por objetivo fazer com que a Assembléia Legislativa (Alerj) coloque em votação e que seja aprovado na íntegra o Projeto de Lei que concede reajuste salarial de 7,3% referentes às perdas salariais ocorridas entre maio de 2007 a maio deste ano. Com a greve, dezenas de processos começaram a acumular no Fórum da Comarca de Resende a espera de andamento.
De acordo com o representante da comissão de greve em Resende, Paulo do Espírito Santo, somente os trabalhos essencialmente urgentes estão sendo feitos. “Amanhã (hoje) vamos fazer uma assembléia com o Sindicato de Volta Redonda para avaliarmos como está a situação”, disse Espírito Santo, adiantando que está sendo organizada uma caminhada pela Avenida Rio Branco, no Centro do Rio.
O servidor Iba José Rodrigues Leal explica que a categoria não está pedindo nenhum favor, mas sim o reconhecimento pelo trabalho de responsabilidade que exerce. “Somos servidores qualificados que passamos em concurso. O nosso trabalho é de intensa responsabilidade, porque cada processo envolve a vida de uma pessoa. Um erro pode se muito grave”, diz Leal. O servidor critica a idéia que passam à população de que o funcionário público concursado trabalha pouco e ganha muito. Ele dá como exemplo a sua atividade dentro da Vara. Por suas mãos passam de 13 a 14 mil processos por mês, para que ele dê andamento. “Não é simples. É necessário ver página por página para ver se está tudo certo. Quando o processo chega aqui, temos 24 horas para dar prosseguimento. Você acha que trabalhamos pouco?”, pergunta, estimando que com a paralisação já estejam em sua mesa cerca de 700 processos a espera de andamento.
Iba frisa ainda que todo ano o servidor é obrigado a fazer cursos de qualificação. “O Judiciário do estado é considerado o melhor do país. São Paulo, por exemplo, perdeu até para Piauí. Isso é fruto de nossa dedicação e qualificação”, conta.
As críticas dos serventuários da Justiça se devem ao fato de um acordo fechado entre o Judiciário e o Executivo, que concedia o direito às perdas salariais no período, não ter sido cumprido pelo segundo. “O governador tem feito pressão na Alerj para que o projeto não entre em pauta”, acusa os servidores.
O direito ao recebimento dos 7,3% é defendido pelo presidente do Tribunal de Justiça do Estado, o desembargador José Carlos Murta Ribeiro, que em comunicado à imprensa afirmou que a categoria vem sofrendo substantivas perdas acumuladas ao longo dos anos, chegando a um quadro de graves distorções, comparando à remuneração de servidores de outras carreiras. De acordo com Murta Ribeiro, o fato está levando à evasão de servidores para outros quadros com melhor remuneração, como Ministério Público e TRE, ou até mesmo a Justiça Federal. O desembargador ressaltou que o quadro atual de servidores do Poder Judiciário do estado, por conta de exonerações e aposentadorias, encontra-se com 1,795 mil cargos, número considerado pequeno por ele.
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