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Sindicato lembra o ‘9 de novembro’
Dados da greve de 1988 e da conquista dos direitos trabalhistas são resgatados

  Foto: Filipe Carneiro

VOLTA REDONDA
O Sindicato dos Metalúrgicos promoveu ontem, na Câmara de Vereadores, um ato para lembrar a morte de Carlos Augusto Barroso, 19 anos; Walmir Freitas Monteiro, 27 anos; e William Fernandes Leite, 22 anos, num confronto contra o Exército dentro da CSN, durante a greve de 1988, um dos maiores movimentos trabalhistas ocorridos na região. O advogado do sindicato, João Campanário, lembrou que os motivos que desencadearam a greve foram: a luta dos trabalhadores por direitos garantidos na Constituição Federal, como o reajuste salarial com base no Dieese; a reposição salarial devido à inflação; a estabilidade no emprego; o fim da "repressão" (perseguição) dentro da empresa; a readmissão dos demitidos na greve de 1987; a isonomia salarial; a instalação da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), eleita pelos trabalhadores; o reconhecimento dos representantes sindicais eleitos; a divulgação do Sistema de Classificação de Cargos e Salários da empresa e a implantação da jornada de seis horas. A luta sindical garantiu esses direitos novamente aos trabalhadores.
“Após a morte de Juarez Antunes, a CSN retirou os direitos dos trabalhadores e voltou com o turno de oito horas. Renato Soares teve a dignidade de restabelecer a jornada de seis horas,” frisou o advogado.
Segundo Renato Soares, presidente do sindicato, o ato foi uma forma encontrada de homenagear os 21 anos da greve e resgatar a memória do movimento sindical da região. “Está sendo realizado num momento em que o sindicato conseguiu reconquistar o turno de seis horas e que será feito o reconhecimento dos anistiados políticos”, destacou.
A deputada Federal Cida Diogo falou sobre a importância de se manter viva a história da cidade. “Os anos vão passando e a população vai esquecendo da história. Se não fosse o sindicato realizar esse ato e a Igreja Católica, que realizou uma missa em homenagem aos metalúrgicos mortos, nossos jovens não teriam como tomar conhecimento deste fato histórico que teve repercussão em todo país interferindo, inclusive, no resultado das eleições”, frisou
Uma exposição com 11 banners contando a história da greve e da luta sindical foi montada na entrada do plenário e pode ser visitada até o dia 19 de novembro, quando um comissão de anistia julgará o processo de dezenas de pessoas que sofreram perseguição política durante a ditadura militar.
GREVE DE 1988
A greve foi deflagrada após uma assembleia no dia 4 de novembro. Dia 7, teve início a paralisação dos funcionários da CSN. Após um confronto com a polícia eles tomaram a empresa. A direção da CSN pediu a intervenção do Exército.
Dia 9 de novembro, o Exército e a Polícia Militar começaram a dispersar a multidão que protestava na Vila Santa Cecília e invadiu a empresa que para retomá-la dos grevistas. Houve confronto entre trabalhadores armados de pedaços de pau e ferro e militares com bombas e armas de fogo. Na ocasião, morreram os três metalúrgicos e centenas de pessoas ficaram feridas.
Dois dias depois, após uma nova assembleia, os operários decidem pelo fim da greve, após o esgotamento do movimento e da repercussão internacional que ele havia atingido devido à intervenção do Exército.

Em homenagem a Wilian, Walmir e Barroso, foi erguido no dia 1º de maio de 1999, um monumento projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, na Vila Santa Cecília. No dia seguinte a sua inauguração uma bomba explodiu o monumento. Este foi reerguido e mantido como estava por entendimento que era mais uma marca da luta dos metalúrgicos da cidade.


 

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