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Para comemorar os 50 anos da bossa-nova, a ONG Oito Deitado realiza amanhã uma apresentação histórica do estilo de música que surgiu da fusão do samba com o jazz. A apresentação faz parte do projeto Música de Câmara. O show, que reúne músicos, atores e poetas da região, acontece às 19h30min, no Plenário Jayme Miguel Jorge, do Legislativo de Resende, localizado na Rua Padre Couto, 10, no centro histórico da cidade. Entrada gratuita.
Segundo Wendell Amorim, diretor e um dos organizadores do evento, nos 50 anos da bossa-nova haverá apresentação histórica do estilo com canções, dramatizações de letras de músicas e poemas relacionados ao tema. “Vamos contemporizar a história da bossa-nova através da dramatização de músicas e poemas daquela época”, comenta Wendell, que estará se apresentando no evento ao lado de Kátia Quirino, Paula Mirela, Lico Brasil, Chuck Bones, Mara Rúbia, Fábio Monteiro, Deborah Mendonça, Manoel Neto, Guido de Castro, Félix de Carvalho, Alessandra Alencar e Jenifer Faulstich, além do historiador Claudionor Rosa.
Para o diretor, que estará contando um pouco da história da bossa-nova, o estilo musical ficou famoso com a união da música com a poesia. “A bossa-nova de João Gilberto é um estilo musical que uniu a letra e a poesia de inspirações de Vinícius de Moraes com a melodia de Tom Jobim que ajudaram a explodir no mundo a música popular brasileira de uma forma diferente, que até então não se via”, comenta Wendell, salientando que a batida da bossa-nova é única. “A batida da bossa-nova é quebrada. Ela foi criada para frear o avanço das influências estrangeiras no país. Além do ritmo quebrado, ela veio misturar às canções a beleza do Brasil com amor, como gostava de contar em suas poesias Vinícius de Moraes. Por isso fala-se que o brasileiro conseguiu quebrar o ritmo, frear o embalo do rock and roll e ser afinado sem desafinar”, avalia.
O marco inicial da bossa-nova, segundo especialistas, é 10 de julho de 1958, ocasião em que João Gilberto gravou um disco de 78 rotações com duas faixas. As músicas eram Bim Bom, de sua autoria, e a canção de Vinicius de Moraes e Tom Jobim, Chega de Saudade, que deu nome ao disco. Naquela ocasião, João Gilberto sintetizou as características que se consagrariam como os elementos constitutivos da bossa-nova, como o foco no violão, o canto mais baixo, a entrada do silêncio na música e a inspiração no samba e no jazz.
Wendell também comenta que a bossa-nova é referência para os músicos que estão começando. “A bossa-nova tem a riqueza e as notas de vários instrumentos. Ela não é só um banquinho e violão que muito se fala por aí. Na bossa-nova pode entrar os instrumentos de sopro e de corda em geral”, ressalta o diretor, lembrando que a principal característica não é ter a voz grave e sim afinada. “Qualquer pessoa afinada consegue cantar a bossa-nova porque a melodia é quebrada e se não tiver a afinação não se canta.
O show faz parte do projeto Música de Câmara, do programa Câmara Cultural. Com mais de cinco anos de existência, o programa visa oferecer à população uma agenda cultural gratuita e variada, incluindo exposições de artes plásticas, apresentações teatrais, exibição de filmes, saraus de poesia e leituras dramatizadas.
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