O presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou ontem qualquer probabilidade de disputar o terceiro mandato em 2010. Na primeira entrevista coletiva de seu segundo mandato, Lula deixou em aberto a hipótese de apoiar o governador tucano Aécio Neves (Minas Gerais) para o cargo, mas disse esperar que a base aliada do governo tenha candidato único na disputa presidencial.
O presidente defendeu a pluralidade de forças políticas que compõem o seu segundo mandato ao justificar a escolha de antigos críticos de seu governo para o primeiro escalão do Executivo, e afirmou ainda que "muita gente vai ter que engolir" o que disse sobre o seu governo com o passar do tempo.
Lula recusou que tenha reduzido o espaço do PT no primeiro escalão do governo, mesmo com a substituição de petistas para abrir espaço a partidos da base aliada. Disse que fez acordo com partidos políticos, e não com pessoas. Mas admitiu que, no exercício do seu mandato, um presidente não governa necessariamente com as forças que gostaria de governar.
Sobre a regulamentação do direito de greve no país, o presidente disse que se sente à vontade, como ex-sindicalista, para propor a discussão do tema. E negou que o objetivo do governo seja proibir o direito de greve no Brasil. Mas criticou os que abusam do direito sem efetivas razões trabalhistas.
O presidente fez criticas a greve dos servidores do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), que protestam contra a divisão do órgão, proposta pelo governo. Segundo ele, "todos temos medo de mudança", mas a proposta de separação das áreas de licenciamento e de preservação ambiental é uma forma de se modernizar o Ibama.
O ex-sindicalista tentou minimizar os efeitos do movimento dos trabalhadores em projetos importantes do governo, como o licenciamento das hidrelétricas do rio Madeira (RO), e disse que não deixará para o seu sucessor um apagão no setor elétrico.
Quando o assunto é o aborto, ele diz que pessoalmente é contra. Mas que como chefe de Estado não pode se omitir sobre o assunto. Acredita que o aborto precisa ser tratado como saúde pública
Crise aérea
Lula chamou de "falta de planejamento histórico" a crise aérea que atinge o país no setor aéreo brasileiro. O presidente diz que ainda é cedo para apontar culpados para a crise ou para o acidente entre o Boeing da Gol e o jato Legacy. Mas reconheceu que, diante do sucateamento do setor nos últimos anos, a crise acabou ganhando força.
Violência
O presidente afirmou que o governo federal não é o maior responsável pela crise de segurança pública vivida atualmente no país. Segundo Lula, os Estados têm a direito de desenvolver ações de combate à criminalidade, e o governo federal só entra quando é solicitado. Lula admitiu que nenhum governo conseguirá solucionar em curto prazo o problema da violência e o aumento da criminalidade.
Juros
Lula reiterou que não irá interferir nas decisões do Copom (Comitê de Política Monetária) para forçar uma queda mais rápida da taxa básica de juros (Selic) e defendeu a autonomia do Banco Central. Quando questionado sobre um desnível sobre a queda da taxa de juros e os avanços da economia brasileira, o presidente defendeu o Banco Central e disse que a taxa de juros vai continuar caindo sem uma intervenção. Lembrou ainda que a taxa atual é a mais baixa da história.
Resumo
Através de um sorteio, 15 perguntas de jornalistas foram respondidas pelo presidente Lula, que não recusou nenhuma pergunta. Foram quase duas horas de entrevista. Ao final, assessores da presidência afirmaram que a entrevista coletiva não foi a primeira concedida por Lula em seu segundo mandato, embora a de hoje tenha sido a primeira no formato oficial.
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