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PELAS CIDADES (Porto Real)
Prefeitura promoverá novo curso História da África
Professores foram capacitados em 2007 e novo projeto começa no final de maio

  Foto: Alex Spada PMI

Professores receberam em 2007 aulas do curso de História da África durante oito meses

Professores colocam em prática  o que aprenderam no ano passado

Fachada da Escola Municipal Maria Hortência, onde provavelmente será o curso

Estudantes aprendem diariamente sobre a história da África e do negro, na escola

Em dezembro do ano passado, 82 professores da rede municipal de ensino concluíram o curso de História da África e do Negro no Brasil. Agora a prefeitura dará continuidade ao projeto. Segundo a coordenadora de Ciências Sociais e suas Tecnologias da Secretaria de Educação, Tânia Regina da Silva Pereira, o curso de práticas pedagógicas em História da África e do Negro no Brasil está programado para começar no final de maio. “Em 2007 os professores receberam a base teórica. Para esse ano o curso focará a parte prática”, diz, acrescentando que cerca de 100 pessoas estão inscritas para o curso, que foi expandido para comunidade. “Além dos professores, pessoal de apoio e também pais de alunos vão participar do curso”, revela. 

Segundo Tânia, a cidade foi a única do estado do Rio em 2007 e uma das 20 dos mais de cinco mil municípios no país a ministrar o curso. De acordo com a Secretaria de Educação, a iniciativa cumpre a Lei 10.639 do MEC, que determina a inclusão da temática do negro e da cultura afro-brasileira nos currículos escolares. O curso capacitou todos os professores municipais do Ensino Fundamental da cidade nas disciplinas determinadas pelo Ministério da Educação (MEC), com recurso destinado pelo Fundo de Desenvolvimento da Educação (FDE).

A coordenadora Tânia, que é responsável pelo projeto, lembra que o curso terá, assim como em 2007, uma carga horária de 120 horas. No ano passado foram 15 encontros em aproximadamente oito meses, todos aos sábados, na Escola Municipal Maria Hortência Nogueira, no bairro Jardim Real. “Pretendemos realizar o curso esse ano também na Escola Maria Hortência”, observa.

Ainda de acordo com Tânia, uma equipe de vinte professores da Universidade Federal Fluminense (UFF) participou do projeto sobre a supervisão da especialista no assunto, professora Iolanda de Oliveira, coordenadora do Núcleo do Programa Educação sobre o Negro na Sociedade Brasileira (Penesb) da UFF.

A novidade para 2008, segundo a coordenadora, é a organização de um livro de orientação curricular para atender a rede da creche ao Ensino Médio. Tânia explica que o livro será elaborado pelos professores, pela Secretaria de Educação, por ela e também pela doutora em História da África, Mônica Sacramento, com colaboração da professora Iolanda de Oliveira.

 A professora Mônica Sacramento vai ministrar aulas com o conteúdo prático dos temas abordados ano passado. Foram eles: racismo, discriminação, procedimentos pedagógicos que abordem a temática do negro nas escolas, religiões de matizes africanas, história da África e cultura afro-brasileira.

Tânia esclarece que na rede municipal, em todos os bimestres, o tema é abordado pelos professores de várias disciplinas. “Nossa linha de trabalho mostra que no Egito a população era mais negra, e não européia como as vezes aparecem nos filmes.  Nosso objetivo é fazer com que o aluno tenha um olhar crítico sobre a população de afro-descendentes”, conta.

ABOLIÇÃO
A Lei Áurea foi assinada pela princesa Isabel, a Redentora (1841-1921), no dia 13 de maio de 1888. Segundo historiadores, a lei foi assinada depois de aprovada no Senado, com apenas um voto contra. Na Câmara, apresentado em 7 de maio de 1888, o projeto de abolição obteve 83 dos 92 votos a favor. É a lei mais concisa que o país já teve: "Art. 1º: É declarada extinta a escravidão no Brasil; 2º: Revogam-se as disposições em contrário".

Segundo o político e historiador brasileiro Caio Prado Júnior, autor de História Econômica do Brasil (1945), o Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravidão e, entre a segunda metade do século XVI e 1850, ano em que acabou o comércio de escravos, mais de 3,6 milhões de africanos foram capturados e trazidos para o país.  De acordo com alguns historiadores, até o século XVIII, 80% da população brasileira era negra e trabalho era sinônimo de escravidão.

Estudantes farão atividades em sala para lembrar o 13 de maio
Para o Dia da Abolição da Escravatura, a Secretaria de Educação, por meio dos professores, programou atividades em sala de aula para fazer os alunos refletirem sobre o tema. Segundo o diretor de divisão e Educação, Gláucio Pederassi de Moura, os professores trabalharão com os estudantes não só na disciplina de História, mas também em matemática e em português, por exemplo. “Principalmente para os alunos de 1ª à 4ª série, os professores poderão trabalhar de maneira integrada o assunto, abordando dentro de outras disciplinas. É muito importante destacar essa data, como também o Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, e toda história do negro todos os dias. O negro é importante na formação da história do povo brasileiro.”, explica.

Outras ações
De acordo com o diretor Gláucio Moura, a secretaria estará realizando ações educativas complementares para alunos da 5ª à 8ª série com defasagem de aprendizado em português e/ou matemática. “Essa ação é como um reforço escolar, mas com uma característica em que a família participa do projeto. A ação envolve os familiares para que eles possam também ser atendidos e assim colaborar para sanar as dificuldades. É a família participando da vida escolar dessas crianças”, revela.


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