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Abolição da Escravatura
Algumas cidades realizam eventos comemorando a data

  Foto: Filipe Carneiro

Exposição e palestras marcam a data

VOLTA REDONDA - Para lembrar os 120 anos da Abolição da Escravatura, algumas cidades da região Sul Fluminense fizeram homenagens a cultura e descendentes negros lembrando a data. Em Volta Redonda, uma exposição sobre a cultura negra foi aberta ontem em comemoração aos 120 anos da Abolição da Escravatura. A mostra está à disposição dos visitantes no Memorial Zumbi, na Vila Santa Cecília.

A exposição, denominada Terras Quilombolas e que mostra a arte da cultura negra, é da artista plástica Eunice Nazário. Fazem parte da mostra também alguns trabalhos do pesquisador da cultura afro-brasileira Pedro Antônio Francisco. Segundo a coordenadora do Memorial Zumbi, Nilzete da Silva Xavier, o município conta atualmente com cinco grupos que estão sempre desenvolvendo atividades visando preservar a memória e ao mesmo tempo contribuir para a construção da história afro-brasileira.

A coordenadora do Memorial Zumbi informou que, além da exposição, fez parte das atividades em comemoração ao Dia da Abolição da Escravatura, em Volta Redonda, a distribuição de panfletos com a história e as dúvidas em relação ao que comemorar na data. Segundo a coordenadora, são 120 anos de abolição que não reconheceu as lutas que o negro vem travando para sua libertação.

Para Nilzete, no Brasil há apenas dois momentos históricos para o negro, a escravidão e a sua pseudolibertação. De acordo com ela, a história oficial construída sobre esses dois momentos, negro inferior, mão-de-obra, ser não intelectual, servil, e negro forro (libertado), foi feito como uma obra de caridade. O boletim distribuído durante o dia de ontem durante as comemorações do Dia da Escravatura, de acordo com a coordenadora do Memorial Zumbi, é uma forma de fazer as pessoas refletirem sobre o caso. O documento termina com várias perguntas. “Será que a cor da pele de um povo determina a sua grandeza? A princesa assinou a lei e esqueceu de assinar a Carteira de Trabalho dos escravos. E depois disso, o que comer? Onde morar? Em que escola estudar. Abolição de quê?”, questiona.

A coordenadora do Memorial Zumbi informou que as visitas à exposição podem ser feitas diariamente das 9 às 18h30min, até sexta-feira. Para visitas ao memorial, as escolas podem marcar pelo telefone (24) 3342-9870. A coordenadora informou ainda que durante as visitas os estudantes podem assistir a palestras sobre a história da cultura negra.

RIO CLARO
Na cidade, lembrando a data, houve um momento de reflexão com os participantes do programa Agente Jovem. O evento, realizado no Programa de Atenção Integral à Família (Paif), contou com a presença de 25 jovens.

O presidente da organização e integração de conscientização negra de Barra Mansa (Oicn), e instrutor social do Módulo Cidadania do Projeto Agente Jovem de Desenvolvimento Social e Humano do Paif, José Francisco de Oliveira, conta que durante o encontro com os jovens passou vídeos e ministrou uma palestra sobre a situação do negro atualmente. Ele conta que esta é uma data para refletir, pois quando a princesa Isabel assinou a Lei Áurea quase não existiam escravos e a grande maioria já tinha conseguido cartas de alforria. “Mas como era necessário formalizar a situação, a princesa assinou a lei. É uma data que não se pode deixar passar em branco, é necessário lembrar sempre a luta dos nossos descendentes”, afirma o presidente.


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