O maior gângster americano
Mais um filme sobre tráfico de drogas e baseado na história de um personagem real chega às telas da região. Depois de Meu nome não é Johnny, agora é a vez de O Gângster mostrar um outro playboy do tráfico. Mas as semelhanças param por aí.
O filme conta a história de Frank Lucas (Denzel Washington), um afro-americano de visão. Frank teve a idéia de montar seu próprio negócio, seu sonho americano. Ele trazia heroína puríssima direto da Ásia, muitas vezes em aviões militares que retornavam do Vietnã, e vendia nas ruas por um preço camarada. O esquema e o produto eram tão bons que em pouco tempo Frank fornecia até para as tradicionais famílias da Máfia.
A receita de sucesso de Lucas incluía uma boa dose de discrição, figurino e maneiras de classe, contatos bem posicionados, muito sangue e corrupção em todos os lugares possíveis. Toda polícia de Nova York estava em sua folha de pagamento. Toda, menos o detetive Richie Roberts (Russel Crowe).
Richie é o oposto do equilibrado e elegante Frank Lucas. É gordo, tem problemas com a família e ganha mal. Para mostrar o contraste entre esses dois protagonistas, o filme coloca suas vidas no espelho. Cada atrocidade de Frank corresponde a um momento de nobreza de Richie. Sempre que o traficante curte a vida (e seus 250 milhões de dólares) com a família, logo em seguida, nós descobrimos que o policial honesto está quase perdendo a esposa e tem uma péssima relação com o filho.
O diretor Ridley Scott constrói o filme de forma a deixar Denzel Washington brilhar, numa interpretação tão intensa quanto a que lhe deu um Oscar em Dia de Treinamento. O outro protagonista, Russel Crowe, deveria ter tanto peso na história quanto ele, mas fica na sombra de Denzel. Em um filme de mais de cem personagens com fala, os dramas de Richie se perdem no murmurinho.
O filme tem duas indicações ao Oscar: melhor direção de arte e melhor atriz coadjuvante para Ruby Dee, a veterana atriz de 83 anos, que vive a mãe do protagonista
O verdadeiro Frank Lucas está na cadeia e disse a Ridley Scott que sente saudade dos seus tempos de glória e poder. Assim como Meu nome não é Johnny, O Gângster ensina que o crime deve ser punido, independente de quanta simpatia seu autor possa despertar |