Presente de Páscoa com 12 mil anos de atraso
O atual campeão de bilheteria dos cinemas brasileiros está em cartaz nos cinemas da região. O épico 10.000 a.C já foi visto por 300.000 pessoas no Brasil. Que tal aproveitar o feriadão e conferir os motivos de tanto sucesso?
O filme não pára, é ação do começo ao fim. A protagonista é linda e meio brasileira. Os efeitos especiais não te deixam respirar. As garotas acham que é uma história de amor. Tenta mostrar uma época que ainda não foi vista no cinema e o diretor Roland Emmerich é um velho conhecido dos fãs de filmes de ação. Ele é o autor de Independence Day e O dia depois de amanhã.
O filme se passa na pré-história. Mais de 12 mil anos atrás, época em que os nômades estão com seus dias contados, pelo menos é o que tenta ensinar o maior caçador de uma tribo, quando deixa tudo para trás, inclusive seu filho D'Leh (Steven Strait), para procurar outras formas de sobreviver em dias de comida escassa. Excluído das brincadeiras e treinamentos por ter um pai covarde, que deixou todos na mão, o jovem só encontra paz ao lado de Tic'Tic (Cliff Curtis), único que sabe das verdadeiras intenções do velho amigo, e da órfã Evolet (Camilla Belle). Dona de lindos olhos azuis, a menina é vista pela feiticeira local como parte de uma antiga profecia que vai livrar a tribo da sua atual situação: o jovem guerreiro que conseguir derrotar sozinho um mamute se torna o novo líder e de brinde leva a mão da donzela. Apaixonado, D'Leh vai fazer de tudo para ser o ganhador.
Essa história é o pretexto que o alemão Emmerich usa para encher a tela com mamutes e tigres dente-de-sabre digitais. D'Leh e Evolet não parecem tão apaixonados e a jornada de amadurecimento do herói é rasa, os acontecimentos são forçados e as coincidências se repetem para deixá-lo sempre em primeiro plano.
Esse é problema do filme, falta criar envolvimento com a platéia. O jovem Steven Strait não convence como herói e Camilla Belle nem de longe lembra a promissora atriz que contracenou com Daniel Day-Lewis em O mundo de Jack e Rose e trabalhou com Steven Spielberg em Jurassic Park – O mundo perdido, aos dez anos. O filme passa e o espectador fica esperando a próxima cena de ação, que são poucas, e se perde no visual grandioso da pré-história criada por computador com suas pirâmides e animais gigantescos.
Se a sua idéia é levar os ovos de Páscoa para comer enquanto dá boas risadas e curte o escurinho com uma boa companhia, 10.000 a.C. é uma boa opção. |