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José Antônio da Silva Duque - historiasefatos@avozdacidade.com

General Cândido Mariano da Silva Rondon,
o civilizador do sertão brasileiro

“Só penetrar no sertão com a paz e jamais com a guerra”, Esse era o lema de Rondon. O grande destaque de Rondon foi a pacificação dos indígenas, sempre hostis a qualquer contacto com gente civilizada, sem que seus comandados desferissem um só tiro contra os silvícolas, e mais, afirmava Rondon: “Morrer, se preciso for, matar nunca”.

Esse grande patriota realizou uma obra verdadeiramente notável, não somente pelo que representou o espírito humanitário, na pacificação e educação dos índios, mas também pela contribuição ao estudo das ciências naturais.

A comissão Rondon colecionou cerca de nove mil espécie de plantas e classificou mais de sete mil exemplares. Na época, os maiores cientistas no mundo reconheceram que “os trabalhos científicos no Brasil estão divididos em duas etapas: antes e depois de Rondon”.

Rondon era filho de índia e pai branco, e nasceu em Mimoso (Cuiabá), Mato Grosso, no dia 5 de maio de 1865. Em 1883 matriculou-se na Escola Militar do Rio de Janeiro. Durante 50 anos trabalhou incansavelmente, construindo 7.350 quilômetros de linhas telegráficas em Mato Grosso, Goiás e Amazônia.

Rondon retorna ao sertão em 1907 e inicia nova etapa na sua vida de sertanista, que prolongou até 1915. Em 1910 criou e dirigiu o Serviço de Proteção ao Índio. O Congresso Universal das Raças, em 1912, recomendou o método de atração de indígenas seguido pelo Brasil e adotado por Rondon. Em 1914 ganhou o prêmio da Sociedade Geográfica de Nova Iorque (USA), como o desbravador que mais se aprofundou em terras tropicais .

No início do século XX, marechal Rondonm em expedição descobre em Guaporé (Rondônia) o curso de um rio com a enorme bacia hidrográfica, mas que ainda não figurava no mapa do Brasil. Inicialmente chamava-se Rio da Dúvida, porque nas cartas náuticas constava a existência de um curso dágua interligando as nascentes do afluente Madeira, do Rio Amazonas, com a Bacia do Prata, mas graças à expedição de Rondon seu verdadeiro curso foi conhecido e o rio rebatizado como Rio Roosevelt, em homenagem ao presidente americano, Theodoro Roosevelt.

O Rio Roosevelt é o único rio brasileiro que nasce no Estado de Rondônia que tem nome de uma personalidade americana.

Em outubro de 1913 Rondon foi chamado ao Rio de Janeiro para receber o encargo de acompanhar o ex-presidente dos Estados Unidos Teodoro Roosevelt em uma viagem de estudos pelo interior do Brasil, mais tarde conhecido como a famosa Comissão Cientifica Roosevelt-Rondon. Uma expedição que durou mais de seis meses. Teodoro Roosevelt foi acompanhado pelo seu filho Kermit. que desejava completar os objetivos iniciados na viajem à África um ano antes, quando procurou enriquecer os Museus de Historia Natural de seu país (USA). Em 1914 Rondon recebe o Prêmio Livingstone, concedido pela Sociedade de Geografia de Nova Iorque (USA).

Durante essa viagem Roosevelt recebeu muitas homenagens dos índios civilizados, graças aos esforços de Rondon. Roosevelt recebeu os cumprimentos dos caciques Amure Côluizoroce e de Cavaignac. Roosevelt pode testemunhar a grandeza de Rondon, sempre marcada por um espírito verdadeiramente democrata, sem qualquer traço de violência, muito comum entre famosos “conquistadores”.

Rondon nunca desejou conquistar ou doutrinar os índios, procurava sua confiança e amizade. Em 1924 foi nomeado para o comando das tropas legais no Paraná e Santa Catarina e mais tarde seguiu para Letícia, representando o Brasil na Comissão Internacional que discutia a pendência de limites entre o Peru e a Colômbia.

Rondon trabalhou durante anos no desbravamento de uma extensa região até então desconhecida que mais tarde recebeu o nome de Rondônia, antigo território do Guaporé, que em 17 de fevereiro de 1956 passou a chamar-se Rondônia em homenagem ao general Rondon. Uma área maior que muitos países da Europa, como Portugal, Bélgica, Holanda, ou mesmo da América do Sul, como Uruguai, Equador ou Paraguai. Em 1981 o território foi elevado a Estado. Em 1953 Rondon inaugura o Museu Nacional do Índio.

Recebeu medalhas, honrarias e diplomas de todas as sociedades geográficas mais importantes do mundo. Criou o Parque Nacional do Xingu. Em 1º de fevereiro de 1892 casou-se com Francisca Xavier, com quem teve seis filhas e um filho: Heloisa Aracy, Bernardo Tito Benjamim, Clotilde Tereza, Marina Sylvia (que foi casada com Dr. Álvaro Berardinelli, primeiro prefeito eleito de Mendes-RJ após a emancipação do município), Beatriz Emilia e Luiza. Rondon passava período de férias no sitio de seu genro Álvaro, em Mendes.

Em 5 de maio de 1955, ao completar 90 anos, recebeu do Congresso Nacional o título de Marechal do Exercito Brasileiro. Em 1957 foi indicado para o Prêmio Nobel da Paz, pelo Explorer´s Club de Nova Iorque (USA).

Em 1960 foi criado o município Marechal Candido Rondon, no Paraná, pela Lei Estadual 4.245, de 25 de julho de 1960. O novo município foi instalado em 2 de dezembro de 1961.

Rondon morreu no Rio de Janeiro, em 19 de janeiro de 1958, com 92 anos de idade.

x) O título foi conferido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.


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Jose Antônio da Silva Duque - Sindicalista e Cronista

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