Gonçalves Dias nasceu em Caxias, Maranhão, em 10 de agosto de 1823,e faleceu em naufrágio nas costas do Maranhão, em 3 de novembro de 1864.
Poeta, professor, críico de história, etnólogo, fez curso de latim, francês e filosofia. Em 1838 embarcou para Portugal com o pai e estudou Dreito na Universidade de Coimbra, formando-se em 1845. Gonçalves Dias foi colega dos principais escritores da primeira fase do Romantismo português e inspirado por essa convivência e a saudade da pátria escreveu a Canção do Exílio, poema que se tornou tão celebre que alguns de seus versos são citados no Hino Nacional brasileiro Uma criação importantíssima da Canção do Exílio ocorre em 1909, quando o poeta Osório Duque Estrada escreve uma letra para o Hino Nacional Brasileiro.
A música do hino, da autoria de Francisco Manuel da Silva, já existia desde 1822, o ano da independência. Mas não havia uma letra oficial para ela. Várias tentativas foram escritas, mas resvalaram em defeitos como ofensas aos portugueses ou bajulavam o imperador. Havia também letras diferentes cantadas nas províncias. Afinal, em 1909, Duque Estrada escreveu o “Ouviram do”, que foi oficializado em 1922, às vésperas do centenário da Independência. Observa-se que, no hino, dois versos de Gonçalves Dias estão entre aspas. “Nossos bosques tem mais vida”, “Nossa vida”, no teu seio “mais amores”.
Gonçalves dias tinha orgulho de ser descendente de brancos, índios e negros. Seu pai, João Manuel, era português e a mãe, Vicência, mestiça. Regressando ao Brasil em 1845, foi diretamente para o Rio de Janeiro, onde morou até 1854.
Em 1849 foi nomeado professor de latim e história do Colégio Pedro II, quando fundou a revista Guanabara. Nomeado para a Secretaria dos Negócios Estrangeiros, seguiu para a Europa para tratamento de saúde, bastante abalada por grave crise de tuberculose. Estava em Paris quando ali lhe chegou a notícia de que ia ser suspenso o subsidio que o governo federal lhe dava, principalmente para completar seus estudos na área de Relações Exteriores. Essa notícia lançou-o em aflição enorme, porque não bastava a doença, agora aproximava a miséria.
Deliberou partir imediatamente para o Rio de Janeiro, a bordo do veleiro Ville de Boulogne, por não ter dinheiro para se transportar em um navio melhor. O Ville de Boulogne naufragou à vista do Maranhão, quando a terra do Brasil já acenava ao egrégio poeta (no baixios de Atins), tendo perecido, sendo a única vítima do desastre, aos 41 anos de idade, pois não teve força para sair do camarote.
Todas as obras literárias, compreendendo Os Contos, as Sextilhas, a Meditação, as peças de teatro Pathul, Beatriz Cenci e Leonor Mendonça foram escritas até 1854. O seu grande destaque foi o Dicionário da Língua Tupi.
Gonçalves Dias sempre recorreu aos temas em torno do indígena, o homem americano primitivo, tomado como protótipo de brasileiro, desenvolvendo com José Alencar o movimento indianista.
Pela obra lírica e indianista, Gonçalves Dias forma com José Alencar um caráter nacional a literatura brasileira.
Principais Obras:
Contos e Poesias (1840)
Leonor de Mendonça – Teatro (1847)
Secundos Cantos e Sextilhas de Frei Antão – Poesias (1848)
Últimos Contos e Poesias (1857)
Os Timbiras, Poesias (1857)
Dicionário da Língua Tupi (1857)
Obras póstumas, poesias e teatro (1868 a 1869)
Obras poéticas, organizadas por Manuel Bandeira (1944)
Obras Completas, organizadas por Antonio Houaiss (1959)
Gonçalves Dias é o Patrono da Cadeira 15 da Academia Brasileira de Letras, por escolha do fundador Olavo Bilac.
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