No Brasil não houve, entre os escravos, figuras de projeção internacional. No entanto, destacou-se entre todos Luiz Gama, que depois de conseguir sua alforria se formou em direito, comprou a liberdade de sua própria mãe e foi um dos maiores batalhadores em prol da emancipação dos escravos.
Luiz Gama, nasceu em Salvador (Bahia) a 21 de junho de 1830. Sua mãe, Luiza Mahliu, participou da Revolta dos Malês na Bahia, a primeira grande rebelião urbana de escravos da história do Brasil e morreu em São Paulo a 24 de agosto de 1882. Aos dez anos de idade, Luiz Gama foi vendido pelo seu pai como escravo e seguiu para o Rio de Janeiro, de onde foi conduzido para São Paulo.
Aos 18 anos conseguiu provar a ilegalidade de sua condição de escravo, pois era filho de uma mulher livre.
Em 1848 deixou o cativeiro, assentou praça na Força Pública e teve sua ascensão social vinculada ao fato de deixar a condição de escravo e também a sua entrada para a Força Pública ou Corpo da Força Linha. Autodidata e dono de uma memória excepcional, Luiz Gama se tornou um grande advogado. Pelo seu excepcional trabalho nos tribunais, conseguiu a liberação de centenas de negros mantidos injustamente em cativeiro.
Manteve estreita amizade com os colegas de Faculdade São Francisco, liderados pelo poeta e professor de Direito José Bonifácio, “o Moço”, sobrinho do Patriarca da Independência.
E foi como soldado que Gama conquistou sua liberdade. Em 1854 teve baixa da Força Pública por subordinação. Três anos após teve publicado seu único livro, Primeiras Trovas Burlescas.
Ao longo de sua vida, colaborou com diversos periódicos, nos quais se sobressaiu por defender causas em favor de pessoas escravizadas. Luiz Gama foi o primeiro escritor brasileiro a assumir explicitamente sua identidade negra, sendo assim o fundador da literatura de militância dos negros do Brasil.
Seu enterro teve dimensão da importância de estadista. A presença de brancos, negros, pobres, ricos, moços e velhos transformou em ato público o que deveria ter sido apenas um sepultamento. Estudioso do Direito e das leis, pertenceu aos quadros da maçonaria e foi Venerável da Loja Maçônica América, na cidade de São Paulo.
Participou do Instituto Politécnico como redator de sua revista, uma espécie de predecessor da Academia Brasileira de Ciências. Participou também do Clube de Engenharia. Falava perfeitamente os idiomas inglês e francês. Criou a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão, ao lado de Joaquim Nabuco, José do Patrocínio Francisco José do Nascimento, João Candido, José Rebouças e outros.
Luiz Gonzaga Pinto da Gama é uma das figuras ilustres do Brasil, mas pouco conhecido, atualmente.
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