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José Antônio da Silva Duque - historiasefatos@avozdacidade.com

ÁLVARO ALBERTO DA MOTTA E SILVA
VICE-ALMIRANTE – FÍSICO – CIENTISTA E INVENTOR

Nasceu no Rio de Janeiro, em 22 de abril de 1889 e faleceu em 31 de janeiro de 1976. Entrou para a Escola Naval em 1916, formando-se em Química e chegou a catedrático dessa mesma cadeira naquela escola, formando-se também em Engenharia. Ingressou na Academia Brasileira de Ciências (ABC) em 17 de junho de 1921.

Títulos: engenheiro, geógrafo, professor Honoris Causa da Universidade do Brasil e da Universidade Federal de Minas Gerais. Na Marinha do Brasil, assentou praça como aspirante à guarda-marinha em 1906 e foi transferido para reserva como vice-almirante em 1955. Ingressou na Liga de Defesa Nacional, ocupando o cargo de presidente por 18 anos consecutivos, a partir de 1935. Criou o Conselho Nacional de Pesquisas (1946). Foi designado pelo então presidente Eurico Gastar Dutra para presidir a comissão que organizou o Anteprojeto de Lei 130, de 15 de janeiro de 1951, chamada a época de Lei Áurea da Pesquisa Brasileira.

O almirante Álvaro Alberto propôs uma legislação que protegesse as reservas nacionais de tório e urânio contra a apropriação estrangeira.

Álvaro Alberto criou o Conselho Nacional de Pesquisas – CNPQ, em 1944,  e também inventou explosivos com a rupturita e a alexandrinita. Conseguiu fabricar dois estabilizantes que até então eram segredos exclusivos dos alemães (contralite e acordite). Desenvolveu alguns explosivos, estabilizantes e tintas antivegetativas. (1)

Publicou três livros: Notas e Comunicações, Ciências e Tecnologia e À Margem da Ciência. Participou da criação da Comissão de Energia Atômica. A história da energia nuclear no Brasil teve início em 1934 na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo.

Em 1944, nos Anais da Academia Brasileira de Ciências, foram publicadas as primeiras pesquisas sobre teorias das forças nucleares. O almirante Álvaro Alberto foi representante brasileiro na Comissão de Energia Atômica da ONU de 1946 a 1953, quando os Estados Unidos da América evitaram qualquer cooperação nuclear com os demais países. Em 1945 o Brasil iniciou a venda de areia monazita para os Estados Unidos, que é rica em tório. A inauguração da Usina Angra II é mais um resultado da política confusa nuclear brasileira que se iniciou em 1940. Confusa porque misturaram-se interesses militares, políticos, empresariais e científicos de grandes potenciais.

No início da década de 40, antes da primeira bomba atômica ser detonada, os Estados Unidos, que faziam pesquisas na área nuclear visando objetivos militares, firmou com o Brasil o primeiro programa para a prospecção de recursos minerais, chegando o Brasil a trocar, em 1954, dez mil toneladas de minerais radioativos brutos (monazita e terras raras) por 100 mil toneladas de trigo.

A grande figura do desenvolvimento nuclear brasileiro foi o almirante Álvaro Alberto. Em 1946 Álvaro Alberto discordou das posições dos Estados Unidos que desejavam o monopólio da tecnologia e das matérias-primas nucleares.

Álvaro Alberto defendia a idéia de que nenhuma transação comercial com minerais estratégicos deveria se realizar contra pagamento em dólares, mas sim na base de troca de tecnologia em que o Brasil (e outros) países subdesenvolvidos, forneceriam a matéria-prima desejada em troca da prioridade na instalação, em seu território, de reatores nucleares de todos os tipos. O acordo com os Estados Unidos foi denunciado pelo Conselho de Segurança Nacional Brasileiro e as exportações diminuíram, mas alimentou o contrabando, em que a monazita era inocentemente embarcada como lastro de navio.

Em 1968 o Brasil recusa-se a assinar o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, alegando ser esse limitador da soberania nacional. As resistências de Álvaro Alberto foram insuficientes para impedir novamente a exportação da matéria-prima para os Estados Unidos. O almirante conseguiu autorização do governo brasileiro e iniciou negociações com a Alemanha e a França. Em 1975 foi assinado o acordo Brasil-República Federal da Alemanha, sendo transformado em parceira oficial do Brasil, com relação a assuntos nucleares.

Outro problema na política nuclear brasileira foi a identificação quanto ao destino dos resíduos radioativos da Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e sua subsidiaria Nuclebras, que foi extinta. Em 1959 foi criado o projeto Mambucaba, que previa a construção de uma usina para geração de energia nuclear, onde hoje estão instaladas as usinas Angra 1 e 2.

O presidente Emilio G. Médici deu nome à Central Nuclear de Angra dos Reis de Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, em homenagem a esse grande patriota brasileiro.

(1) Tintas antivegetativas destinadas à pintura de cascos de navios, iates, barcos etc. ela impede o crescimento de limo, algaz, cracos, oferecendo assim maior segurança e capacidade de resposta da embarcação.


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Jose Antônio da Silva Duque - Sindicalista e Cronista

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