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José Antônio da Silva Duque - historiasefatos@avozdacidade.com

MARIA EMMA HULDA LENK ZIGLER
PIONEIRA DA NATAÇÃO BRASILEIRA EM OLIMPÍADAS

Nascida em São Paulo no dia 15 de janeiro de 1915, morreu no Rio de Janeiro em 16 de abril de 2007.

Aos 17 anos foi a primeira brasileira e sul-americana a competir em Olimpíadas, nos Jogos de Los Angeles (USA), em 1932. Participou também das Olimpíadas de Berlim (Alemanha), em 1936, mas desta vez foi acompanhada por mais três nadadoras brasileiras.

Na preparação para os Jogos Olímpicos de Tóquio (Japão), quebrou dois recordes mundiais individuais nos 200 e 400 de peito (a primeira brasileira a fazê-lo). Devido à guerra não foram realizados os Jogos de 1940. Foi uma das fundadoras da Escola Nacional de Educação Física da Universidade do Brasil (1942).

Entrou para o Hall da Fama da Federação Internacional de Natação (Fina) em 1988, sendo homenageada como TOP TEN por ser uma das melhores nadadoras master do mundo. Maria Lenk foi também a maior nadadora brasileira da história.

Em 2003, lançou o livro Longevidade e Esporte, que mostrou benefícios trazidos pela prática de esporte. Até os últimos dias de vida nadava cerca de 1.500 m/dia. Em 13 de janeiro de 2007 o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, publicou decreto do Executivo Municipal dando o nome de Maria Lenk ao Parque Aquático dos Jogos Pan-americanos de 2007.

Maria Lenk deu os primeiros passos de emancipação feminina, como o direito de voto e ingresso no mercado de trabalho. Eram conquistas recentes. Um dos principais feitos de Maria Lenk foi o pioneirismo no estilo borboleta, que só seria oficializado em jogos de 1956, em Melbourne.

Interessante as causas da iniciação de Maria Lenk na natação. Devido a uma pertinaz doença de pneumonia dupla, os pais de Maria Lenk, Paul e Rosa (alemães) a incentivaram para que desse suas primeiras braçadas, o que aconteceu aos dez anos.

Para competir em 1932, Maria Lenk precisou vencer muitos obstáculos. Superar o preconceito em relação a atletas mulheres. Para competir teve que pedir emprestado um uniforme para participar da Olimpíada nos Estados Unidos.

Foi obrigada a viajar em um navio do governo cheio de café, que deveria ser vendido para cobrir despesas. O que não aconteceu e Maria Lenk só participou depois de uma coleta de dinheiro entre os tripulantes.

O ditador Getulio Vargas, na ocasião, saudou os atletas que embarcaram para os Estados Unidos. A delegação brasileira era composta de 84 atletas, sendo Maria Lenk a única mulher do grupo.

O navio levava 55 mil sacas de café que serviriam para custear a viagem e estadia da delegação em Los Angeles (USA). Não conseguiu vender uma única saca, inclusive para pagar a taxa de US$ 1 por atleta (Alfândega nos Estados Unidos). O chefe da delegação brasileira teve que “passar” o chapéu. A arrecadação foi mínima e somente 24 atletas puderam desembarcar e se inscrever nas Olimpíadas dos Estados Unidos de 1932.

Maria Lenk fez grandes amizades e conheceu o ídolo da natação mundial e do cinema, Johnny Weissmuller, que não pôde competir devido ao trabalho profissional nas telas (cinema). Com 85 anos, Maria Lenk conquistou cinco medalhas no Campeonato Mundial de Masters. O principal aspecto de uma Olimpíada naquela época era o conceito de amadorismo “Eu competi com um uniforme emprestado, que tive de devolver quando as provas acabaram”, lembra Maria Lenk.

A expectativa de uma medalha olímpica foi frustrada com a interrupção das Olimpíadas durante a Segunda Grande Guerra. No início de 1940 ela era a única mulher da delegação de nadadores sul-americanos a excursionar pelos Estados Unidos. Maria Lenk quebra recordes norte-americanos.

Nos Campeonatos Mundiais de 1985 e 1990, realizado em agosto de 2000, ela retornou de Munique, Alemanha, com cinco medalhas de ouro. Maria Lenk foi a campeã dos 100m peito, 200m livre, 200m costa, 200m medley e 400m livre.

Nessa disputa ela ganhou apelido de Mark Spitz da terceira idade, uma referência às sete medalhas de ouro que o nadador americano ganhou na Olimpíadas de Munique, em 1972.

Em 2004, Maria Lenk recebeu o troféu Adhemar Ferreira da Silva, na cerimônia de entrega do Prêmio Brasil Olímpico, destinado aos melhores atletas. Era comumente chamada de Maria Lenk, a Rainha das Piscinas Brasileiras.


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Jose Antônio da Silva Duque - Sindicalista e Cronista

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