Silveira Martins nasceu em 5 de agosto de 1834, em Bagé, Rio Grande do Sul. Advogado e político, iniciou sua vida pública como juiz municipal no Rio de Janeiro, de 1858 até 1859.
Formou-se pela Faculdade de Direito de São Paulo aos 21 anos de idade e foi também um notável tribuno de sua época. Foi deputado, senador, ministro da Fazenda, presidente do Rio Grande do Sul e conselheiro de Estado.
Durante sua juventude foi sempre antimonarquista e liberal, sempre fazendo duras críticas aos governos conservadores da década de 1870. Com o desenrolar político entre monarquistas e republicanos, Silveira Martins acabou por ser alinhar com os monarquistas, devido aos seus princípios parlamentarista.
Em 1862 foi eleito deputado provincial (estadual) pelo Rio Grande do Sul e em 1865 fundou em Porto Alegre (RS) o jornal A Reforma, mais tarde transferido para o Rio de Janeiro e tornou-se órgão oficial dos federalistas gaúchos. Em 1872 foi eleito deputado federal, e em 1880 elegeu-se Senador pelo Rio Grande do Sul. E enfrentou a dura concorrência política com Julio Castilhos, seu histórico adversário.
Silveira Martins, magistrado, destacado parlamentar e notável orador, foi considerado o tribuno máximo do Brasil Império, que entraria pela República, coerente com seus princípios. Ocupou um lugar de destaque nesse primeiro quadriênio em 1893, ao liderar no Rio Grande do Sul a Revolução Federalista, que exigia o afastamento de Julio de Castilhos (presidente do Rio Grande do Sul) e a instituição de uma República Liberal, também chamada de Revolução da Degola. Essa revolução federalista contou com a participação dos revoltosos da 2ª Revolta da Armada que se aliaram aos “Maragatos” (I), de Silveira Martins.
O presidente Floriano Peixoto mandou tropas para a Região Sul, em apoio aos “Picapaus” (2), de Julio Castilhos. A Revolução transformou-se numa longa e sangrenta luta e promoveu a morte de mais de dez mil pessoas (mil foram degoladas) e só terminou em 1895, no governo de Prudente de Moraes, sucessor de Floriano e o primeiro civil legalmente eleito para ocupar o supremo cargo da recém-nascida república. A vitória coube às tropas de Julio de Castilho, e com a derrota Silveira Martins partiu para Montevidéu (Uruguai) e passou a viver na estância Rincon Pereyra, tendo falecido repentinamente, num quarto de hotel em Montevidéu, em 13 de julho de 1901, aos 65 anos de idade.
A vida de Silveira Martins foi marcada por várias lutas políticas. Foi pivô da crise que culminou com a Proclamação da República. O marechal Deodoro da Fonseca, amigo fiel e devotado de D. Pedro II, concordou em participar da revolta apenas para depor o Gabinete do Visconde de Ouro Preto e voltar para casa. Benjamim Constant, militar, político, mas deste do que daquele, distribui notícias que Silveira Martins, inimigo pessoal de Deodoro da Fonseca, seria sucessor de Ouro Preto. O fato ganhou destaque e terminou por precipitar a Proclamação da República, pois o Marechal Deodoro não aceitava ver a ascensão política do inimigo que chamava pejorativamente de Sargentão. Razão essa que levou Deodoro da Fonseca a aquiescer e assinar o decreto que instituía o governo provisório republicano. Silveira Martins, triste e magoado com os fatos, partiu para um exílio na Europa.
Silveira Martins sempre combateu oligarquias e ditaduras, exigindo liberdades e direitos para o povo. Um homem novo começava a aparecer na política e relatava desse seus primeiros atos uma independência, uma audácia como de certo ainda não tinha visto, batendo as suas portas em nome de um direito até então desconhecido.
“O DO POVO”. Ele, que jamais cedia, mas procurava sempre harmonizar, desde que beneficiasse ao povo e a Pátria.
Um fato interessante foi quando, em 1873, demitiu-se, poucos meses após assumir o Ministério da Fazenda, por não aceitar um projeto do governo de tornar inelegíveis os cidadãos não-católicos. Não era boato, mais sim um fato, nesse pouco período à frente do Ministério da Fazenda Silveira Martins criou O “Gasparinhos”, como ficaram conhecidos os bilhetes de loteria, cuja venda ele regulamentou e autorizou.
O escritor José Pires Brandão assim definia: “Voz de trovão, gestos largos, não sabia falar baixo, o mesmo quando palestrava era em tom de discurso, e a sua voz clara, sonora e forte invadia a sala onde estava. Não falava ao ouvido de ninguém, não dizia segredo, nem os tinha, mesmo porque a sua voz não dava diapasão para sussuros, não murmurava, tonitroava”. Outro fato interessante na vida de Silveira Martins: ele realmente nasceu no Departamento de Cerro Largo, na República Oriental do Uruguai, mas foi registrado mais tarde como nascido em Bagé-RS.
Silveira Martins tinha uma máxima que gostava de citar sempre: “Idéias não são metais que se fundem”.
(-) (1) Marcato – Participante da Revolução Federalista de 1893, chefiada por Silveira Martins, contrário ao partido dominante, cujo chefe era Júlio de Castilhos. As tropas entraram no Rio Grande do Sul comandadas por Silveira Martins O termo Maragato era atribuíro aos revoltosos que deixaram o exílio no Uruguai em uma Região onde existiam imigrantes procedentes de “Maragateria”, Província de Leon, Espanha. o lenço vermelho identificava o Maragato. Participante também do movimento da Aliança Libertadora de 1923, liderado por Assis Brasil, adversário do partido do então presidente do Rio Grande do Sul, Borges de Medeiros (1862 a 1961) (Novo Aurélio).
Picapau - Alcunha que os rebeldes riograndenses de 1893 davam aos republicanos de Julio de Castilhos (Novo Aurélio).
Chimango - A grafia pode ser ximango. Ave de rapina semelhante ao carcará. O Lenço “branco” identificava os “chimangos”. |