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José Antônio da Silva Duque - historiasefatos@avozdacidade.com

DELMIRO AUGUSTO DA CRUZ GOUVEIA
O PIONEIRO DA ELETRICIDADE

Delmiro nasceu em 5 de junho de 1863, no município do Ipu, Sobral – Ceará. Em 1868 transferiu-se para Recife onde exerceu o posto de despachante de barcas após ter sido bilheteiro na estação de Olinda, no trem urbano. Em 1886 passa a trabalhar no ramo dos couros, por comissão, para o sueco Hermann Lundgren. Em 1896 Delmiro funda a casa Delmiro Gouveia & Cia, já ligado à poderosa casa J.H Rossbach & Brothers (New York – USA). Em seguida viaja para a Europa e torna-se o Rei das Peles, sendo eleito presidente da Associação Comercial de Pernambuco.

Em 1898 Delmiro assume o controle acionário da Usina Beltrão, de refino e embalagem de açúcar. Delmiro não só refinava o produto e o vendia em tabletes, como se fazia na Europa. Construiu um mercado modelo similar no Brasil. Os preços baixos do Mercado Coelho Cintra em homenagem ao prefeito J.C. Coelho Cintra, do Recife (Pernambuco), foi o primeiro estabelecimento a ser servido de energia elétrica.

Os preços baixos do Mercado Coelho Cintra, inaugurado em 7 de setembro, incomodavam a concorrência, principalmente o prefeito Esmeraldino Bandeira, e em decorrência abre-se um grande conflito com o todo  poderoso da política de Pernambuco, o presidente do Senado Federal e vice-presidente da República, Francisco de Assis Rosa e Silva. Em uma tarde (17.6.1899), Delmiro encontrou-se com Rosa e Silva na Rua do Ouvidor (Rio de Janeiro) e dele se aproxima, dizendo-lhe:

“Seu amigo Esmeraldino (prefeito) mandou assassinar-me e eu responsabilizo o senhor pelo que vier a me acontecer”. Rosa e Silva respondeu-lhe: “Seja instrumento de quem quiser, mas não me aborreça”. Delmiro não se conteve, agride à bengaladas o vice-presidente da República, que se refugia na Chapelaria Inglesa no Rio de Janeiro.

Os inimigos de Delmiro incendiaram o Mercado Coelho Cintra em 1900. Perseguido, Delmiro apresenta os culpados pelo incêndio. “Para me atacar, para me destruir, os chacais de Rosa e Silva e desse governadorzinho F.D.P. tocaram fogo no único mercado onde o povo podia matar a fome”. Delmiro parte para a Europa. E no seu retorno ao Brasil dá início aos estudos para a utilização da cachoeira de Paulo Afonso para a geração de energia.

A partir de 1912, Delmiro inicia a construção da Vila Operária no distrito de Pedra, Alagoas. Em 1914 inaugura a fábrica de Linhas e passa a dominar o mercado, com a substituição das oligarquias dos Rosas e Silva na Região Nordeste e a posse do novo governador Dantas Barreto. Delmiro procurou-o apresentando uma proposta para a instalação, em território pernambucano, de uma fábrica, e teria recebido como resposta: “O NEGÓCIO QUE O SENHOR PROPÕE É TÃO VANTAJOSO PARA O ESTADO QUE DEVE ENVOLVER ALGUMA VELHACARIA!”, negando a solicitação de Delmiro.

O famoso e poderoso truste inglês Machine Cotton, que dominava a indústria da linha no mundo, reagiu e registrou no Chile e Argentina a marca Estrela criada por Delmiro. Em seguida, tentou comprar a fábrica de Delmiro, oferecendo-lhe a pagar um preço equivalente a três vezes o capital realizado e mais os lucros previstos para os próximos dez anos, Delmiro recusou.

Depois de recusar todas as ofertas não viveu para participar da última batalha. Em 10 de outubro de 1917, no começo da noite, ele foi assassinado enquanto lia jornais na varanda de sua casa de Pedra (Alagoas). Tiraram-lhe a vida com duas balas: uma no peito, varando-lhe o coração e a outra localizou-se no braço; uma terceira alcançou a parede. Uma grande revolta contagiou a população de Pedra que deplorava a morte do homem que transformara Pedra de simples parada de trem em um núcleo industrial de trabalho e progresso no interior do sertão agreste.

Com a morte de Delmiro não se findou uma existência apenas, mas interrompeu-se de maneira brusca e covarde a marcha para o desenvolvimento do Nordeste.

Delmiro tinha encomendado quatro novas turbinas e pretendia gerar 10 mil HP para alimentar uma fábrica de tecidos com dois mil teares... Depois de uma concorrência desleal, o truste inglês destruiu a usina construída por Delmiro. O assassino de Delmiro teve como mandantes os coronéis José Rodrigues de Lima e José Gomes de Lima e Sá, e como executantes Herculano Soares Viela, Luiz dos Anjicos e Manuel Vaqueiro.

Delmiro ficou conhecido como pioneiro na introdução de benefícios sociais para os trabalhadores, pela filantropia e coragem de desafiar o poder econômico dos ingleses. O cinema brasileiro homenageou Delmiro com o filme Coronel Delmiro Gouveia, de Geraldo Sarno, 1977.

Depois de sua morte as pressões do truste se intensificaram. Além dos 10 % de comissão, a Machine Cotton dava aos comerciantes um bônus semestral no valor de 5 % das vendas. No dia 2 de novembro de 1929, em Paislay, Escócia, na sede da Machine Cotton, a fábrica da Pedra foi vendida por 27 mil libras, seguindo-se pelo desmantelamento das máquinas.

Em abril de 1930 uma equipe de demolidores partiu do porto de Recife para uma longa viagem até o distrito de Pedra, munidos de marretas, e destruíram todas as máquinas inglesas ali instaladas e adquiridas por Delmiro, em uma moderna e grande fábrica. Transportadas em carretas puxadas por juntas de boi, dirigiram-se à cachoeira de Paulo Afonso e jogaram tudo pelo penhasco abaixo. Assim terminou o sonho de industrialização do Brasil por Delmiro Gouveia.

Nesta época o distrito de pedra contava com uma população de cerca de cinco mil pessoas, suas residências eram servidas pela luz elétrica, água corrente e esgotos; funcionavam dez escolas, sendo duas profissionais; produzia-se algodão, mandioca, feijão, milho e arroz, criação de gado zebu e holandês.

DELMIRO GOUVEIA FOI UM GRANDE PIONEIRO E PATRIOTA.


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Jose Antônio da Silva Duque - Sindicalista e Cronista

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