Nascido em Triunfo-RS, no dia 23 de setembro de 1788, filho de um rico estancieiro. Participou da guerra da Cisplatina ou Guerra Del Brasil, contra as Províncias Unidas do Rio da Prata, no período de 1825 a 1828, sendo recompensado por D.Pedro I com o posto de coronel das Milícias e comandante da fronteira sul do país. D.Pedro I nomeou Bento Gonçalves coronel do Estado-Maior, confiando-lhe o Comando do 4° Regimento de Cavalaria de Linha. Sua destituição desse cargo, durante a regência do Padre Diogo Feijó, foi o estopim da Revolução Farroupilha, em 1835.
Bento Gonçalves foi denunciado como rebelde e acusado de entendimentos secretos com Juan Antônio Lavalleja para separação do Rio Grande do Sul. Foi eleito deputado provincial em 1835. Preso e transferido para a Bahia. Fugiu da prisão e continuou a luta. Bento Gonçalves entra em Porto Alegre e derruba o presidente da Província do Rio Grande do Sul, Antônio Fernandes Braga. Com o apoio da população, resiste às primeiras reações legalistas. No mês seguinte enfrenta as tropas regenciais e é derrotado e preso. Mandado para a Bahia, é encarcerado no Forte do Mar. Durante sua prisão, os farroupilhas proclamaram a República Riograndense, em 11 de setembro de 1836, pelo general Antônio de Souza Netto.
No ano seguinte, com a ajuda de liberais baianos, Bento Gonçalves foge do cárcere e volta para o Rio Grande do Sul.
É aclamado presidente da República Riograndense, posto no qual se manteve até a derrota final dos revoltosos, em fevereiro de 1845. Intrigas internas, num grupo desgastado pela longa guerra, em 1844, induzem Onofre Pires (*) a destratar Bento Gonçalves, chamando-o de ladrão. Bento aceita o desafio e confronta Onofre num duelo que se realiza em 27/02/1844. Onofre, atingido no duelo, dias depois viria a falecer.
A República Riograndense teve seu fim na Paz de Poncho Verde, em 1ºֺ de março de 1845. Luiz Alves de Lima e Silva, o Conde de Caxias, general vitorioso, assumiu a presidência da Província.
Os historiadores registram que D.Pedro II, em sua primeira viagem como imperador pelas províncias do Império, foi ao Rio Grande do Sul, em dezembro de 1845. D.Pedro II tinha 20 anos de idade e recebeu a visita e o apoio de Bento Gonçalves, fardado com o uniforme de coronel e revestido de todas as medalhas com o que havia sido condecorado por D.Pedro I, pela atuação nas campanhas militares do Primeiro Reinado. Bento Gonçalves veio a falecer em Pedras Brancas-RS no dia 18 de julho de 1847, aos 59 anos de idade.
(*) O coronel Onofre Pires faleceu em 3 de março de 1844, vítima de ferimentos recebidos no duelo com Bento Gonçalves da Silva. O duelo foi travado no Acampamento de Exército, às margens do rio Sarandi, em 27 de fevereiro de 1844. O coronel e deputado Onofre Pires era minoria opositora que combatia Bento Gonçalves na Assembléia Constituinte da República Riograndense. |